À medida que os laboratórios enfrentam uma procura crescente por resultados rápidos, a IA começa a ganhar espaço como ferramenta de apoio ao trabalho científico, mas especialistas alertam que a decisão final vai continuar a depender da validação humana. 

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Como detalhado em comunicado, atualmente, muitos laboratórios são pressionados a produzir mais resultados sem que as equipas cresçam ao mesmo ritmo, sobretudo em áreas como o controlo de qualidade alimentar.

Nesta área, os testes laboratoriais determinam se um lote de produtos pode ser colocado no mercado ou deve ser retido. Parte do processo envolve a incubação de amostras em condições controladas para verificar a presença de crescimento microbiano, num método que, embora seja viável e amplamente utilizado, exige tempo.

Para colmatar possíveis atrasos nas decisões na cadeia de produção, alguns laboratórios estão a treinar modelos de visão computacional capazes de analisar imagens e de identificar microcolónias de bactérias ainda numa fase inicial de desenvolvimento, numa altura em que são praticamente invisíveis ao olho humano.

Se a leitura precoce for considerada fiável, o intervalo entre a entrada da amostra no laboratório e a decisão sobre o lote pode ser significativamente reduzido, aliviando a pressão sobre a produção, diminuindo tempos de espera e permitindo que as equipas se concentrem em tarefas de maior complexidade.

No entanto, a tecnologia ainda não é infalível e os erros podem ter consequências relevantes em contextos industriais ou de saúde pública.

Por exemplo, um estudo publicado no ano passado na revista npj Science of Food demonstrou que, num dos testes, um modelo de IA treinado para detetar o crescimento bacteriano em imagens confundiu resíduos microscópicos de alimentos com bactérias em 24,2% dos casos.

Em contexto industrial, uma taxa de erro deste tipo pode obrigar a verificações adicionais e atrasar o processo de decisão. Mesmo quando os modelos são melhorados com novos dados e variáveis, especialistas sublinham que é impossível eliminar totalmente o risco de erro.

Recorde-se que a próxima edição do labsummit decorre entre os dias 7 e 9 de maio, no Convento São Francisco, em Coimbra. Este ano, o programa do evento dá especial atenção a quatro pilares, incluindo à área da IA, reunindo especialistas para analisar casos concretos, desafios e soluções aplicáveis ao setor laboratorial.

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