Os dados do novo relatório da Consumer Technology Association (CTA) mostram que o sector das tecnologias está a adaptar-se de forma rápida às pressões impostas pelas tarifas e a incerteza económica, revelando resiliência e colocando o foco no software, serviços e inovação como os motores de crescimento em 2026.

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O novo relatório foi divulgado ontem, no primeiro dia da CES 2026 reservado aos media, a par das tendências deste ano, antecipando as principais apostas das empresas na feira de Las Vegas que começa amanhã, 6 de janeiro. Alguns dos novos produtos e soluções já estão a ser revelados nas pré conferências e na CES Unveiled, onde mais de uma centena de empresas revelaram as novidades que trouxeram à feira de Las Vegas.

Em termos globais o sector deverá crescer para cerca de 1,3 biliões de dólares em 2026, com a Europa e o Médio Oriente e África a destacarem-se como as regiões de maior crescimento, numa estimativa de mais 3% de valorização, enquanto a América do Norte está a estagnar.

Transformação inteligente, longevidade e aposta na inovação: será este o caminho para a evolução da tecnologia de consumo?
Transformação inteligente, longevidade e aposta na inovação: será este o caminho para a evolução da tecnologia de consumo? créditos: Consumer Technology Association (CTA)

Ainda assim, Brian Comiskey, diretor de Inovação e Tendências da CTA, diz que os consumidores americanos “continuam a comprar tecnologia”, mesmo que ainda se sinta o impacto do ciclo da pandemia da COVID-19 que afeta o ciclo de renovação de equipamentos.

A visão para o mercado é positiva e Gary Shapiro, CEO da Consumer Technology Association, admite que apesar das mudanças geopolíticas do último ano, em que “o mundo mudou”, a CES continua a ser o evento que reúne o melhor da tecnologia, com participação global. A lista de 2026 ainda não está fechada mas a CTA espera a participação de mais de 4 mil expositores, de 130 países, e mais de 100 mil visitantes.

As tarifas impostas pela administração de Donald Trump para importação e exportação de tecnologia, em especial com a China, são uma das preocupações do sector das tecnologias, e um dos pontos de pressão que afeta as empresas.

Em conferência de imprensa Gary Shapiro voltou a deixar claro que a CTA já mostrou o seu desacordo com esta política. “Não gostamos [das tarifas] e achamos que não é bom para o negócio”, sublinhou em conferência de imprensa, lembrando porém que há conversações entre o presidente dos Estados Unidos e o presidente chinês.

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Apesar do optimismo, o CEO da CTA, que organiza a CES, admite que em 2026 as empresas podem ter um ano difícil . “O impacto da incerteza económica está a tornar-se mais visível à medida que as empresas utilizam os seus inventários pré-tarifas e enfrentam decisões de custos mais difíceis rumo a 2026”.

E este impacto não é igual em toda a indústria, sendo que as empresas mais pequenas vão sentir mais o peso da pressão das margens e da disrupção das cadeias de valor.

Os dados do estudo mostram que as receitas de hardware devem crescer 3,4%, com as vendas de equipamentos a crescer apenas 0,7%. Mais clara é a previsão para a área de software, com a despesa dos consumidores em software e serviços a aumentar 4,2%, atingindo quase 194 mil milhões de dólares.

Os consumidores estão cada vez mais a dar prioridade ao valor proporcionado pelo software, optando por serviços de subscrição e aproveitando opções de financiamento flexíveis, o que indica um mercado cada vez mais impulsionado por funcionalidades premium e experiências com inteligência artificial”, refere o estudo da CTA.

Transformação inteligente, longevidade e aposta na inovação e engenharia

As tendências para 2026 foram partilhadas por Brian Comiskey, diretor de Inovação e Tendências da CTA, numa sessão para jornalistas, refletindo os dados do estudo mas também as apostas das empresas para a CES 2026. São três megatendências que agregam várias áreas, e que se interligam, até porque “a inovação não se faz em silos”, como lembra o executivo da associação.

Depois de uma transformação digital, a CTA identifica uma tendência para a Transformação Inteligente, onde a cibersegurança, a cloud e a inteligência artificial estão a garantir um foco na produtividade, que terá impacto no crescimento económico. A IA de agentes, a verticalização e a aplicação na indústria são as linhas que se destacam para este ano, com a Siemens e a Maum.ai a serem apontadas como as empresas a trazer mais inovação nesta área.

Na mesma linha, a revolução da robótica com a IA física, onde entram robots humanoides, modelos avançados e veículos autónomos, é já uma realidade e na CES 2026 vai ser possível ver em ação robots da Unitree, Richtech Robotics e Sharpa, entre muitos outros.

A “visão inteligente” integra também esta tendência, com os óculos inteligentes, realidade aumentada e virtual e outros wearables e soluções a ganharem mais capacidade de aplicação, enquanto os equipamentos como smartphones e laptops, TVs e automóveis se transformam em plataformas de inovação.

Nestas áreas o alinhamento dos anúncios para a CES mostra que há muitas novidades que já foram apresentadas na CES Unveiled, e Kinsey Fabrizio, presidente da CTA, sublinha que a CES se transformou no evento onde a inovação não é apenas anunciada, mas também “testada e desafiada”.

Duas das megatendências apresentadas estão também mais perto das pessoas e de uma utilização mais eficiente da tecnologia para melhorar a vida dos utilizadores. O ecossistema da saúde está a beneficiar dos desenvolvimentos tecnológicos e isso vai refletir-se em mais longevidade, com mais qualidade de vida.

“É uma tendência que estamos a observar de soluções integradas com os dados recolhidos pelos wearables e que são usados para trazer ao utilizador mais capacidade de perceber o impacto na sua vida”, defende Christopher Dethloff, gestor da área de pesquisa de mercado da CTA. Em entrevista ao TEK Notícias admite que os consumidores já estão mais focados na forma como podem tirar partido desta informação do que com temas de privacidade, e que este ano essa já não é uma das questões mais referidas.

A capacidade de usar dados de saúde para a triagem de doenças, monitorização proativa de indicadores de saúde e informação que dá mais poder ao utilizador, contribuem para uma vida mais saudável, juntando-se nesta tendência a preocupação com uma vida melhor, associando a acessibilidade com a saúde mental e o bem estar.

A terceira megatendência apontada pelo estudo da CTA é a aposta na inovação com o “engineering tomorrow”, onde a revolução industrial e a mobilidade inteligente se juntam com a mudança na agricultura, o abastecimento de energia e as infraestruturas do futuro, com o Blockchain, Quantum e a simulação a criarem uma base para o desenvolvimento de novas soluções inovadoras.

Este ano o TEK Notícias volta a estar em Las Vegas para acompanhar os principais anúncios, e pode seguir tudo com o nosso Especial CES 2026.

Nota de redação: A notícia foi atualizada com mais informação. (Última atualização: 10h25). Nota de redação: O TEK Notícias viajou para a CES a convite da Consumer Technology Association (CTA).

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