A CES 2026 em Las Vegas confirmou-se como o palco da maior ofensiva tecnológica dos últimos anos no sector de hardware para PC. AMD, Intel, Nvidia e Qualcomm apresentaram sucessivamente as suas mais recentes inovações, numa demonstração de força que promete redefinir o panorama competitivo ao longo dos próximos anos.
Não perca nenhuma notícia importante da atualidade de tecnologia e acompanhe tudo em tek.sapo.pt
AMD Zen 5 refinado e Zen 6 no horizonte
A AMD centrou a sua estratégia na consolidação da arquitectura Zen 5, apresentando três linhas de produtos distintas para responder a diferentes segmentos de mercado. O destaque vai para o Ryzen 7 9850X3D, sucessor direto do aclamado 9800X3D que mantém a mesma estrutura de oito núcleos e 16 threads, 104MB de cache L2 + L3 combinada, mas que se diferencia pelo incremento na frequência de funcionamento, para um máximo de 5,6 GHz, face aos 5,2 GHz do 9800X3D.
A AMD posiciona-o como "o processador de gaming mais rápido do mundo", prometendo ganhos médios de 27% face ao Intel Core Ultra 9 285K em jogos a 1080p. Contudo, a diferença face ao 9800X3D será apenas de 7%, segundo a própria empresa. O TDP mantém-se nos 120W e o lançamento está previsto para o primeiro trimestre de 2026, embora sem preço oficial anunciado.
Igualmente relevante é a nova série Ryzen AI 400, conhecida internamente como "Gorgon Point". Esta gama inclui sete novos modelos, desde o Ryzen AI 5 430 de quatro núcleos até ao topo de gama Ryzen AI 9 HX 475, de 12 núcleos e 24 threads. Estes contam com uma GPU integrada de arquitectura RDNA 3.5 que pode ter até 16 unidades de computação gráfica e uma NPU XDNA 2 capaz de atingir os 60 TOPS.
Clique nas imagens para ver em destaque
Pela primeira vez, estes chips estarão disponíveis não só para portáteis, mas também em versões para desktop com socket, alargando o alcance da plataforma Copilot+ da Microsoft. A linha Ryzen AI Max+ também recebeu dois novos SKUs, o Ryzen AI Max+ 392 e o 388, de 12 e 8 núcleos, respectivamente. Ambos integram a potente GPU Radeon 8060S com 60 TFLOPS e 40 unidades de computação, algo que anteriormente só estava disponível para o modelo de 16 núcleos. Esta democratização do GPU na sua configuração de topo representa uma movimentação estratégica da AMD para competir no segmento de sistemas compactos e portáteis de alto desempenho.
No campo dos servidores, embora não tenha sido o foco principal da CES, a AMD reafirmou o seu compromisso com o lançamento do EPYC Venice em 2026. Esta sexta geração de processadores EPYC, baseada na arquitectura Zen 6 completamente redesenhada e fabricada no processo de 2nm da TSMC, promete até 256 núcleos e 512 threads, com ganhos de 70% em performance e eficiência face à geração atual. O Venice já está em testes laboratoriais e conta com forte interesse de parceiros cloud.
Intel: O regresso com 18A e "Panther Lake"
A Intel apresentou-se na CES 2026 com uma missão clara, a de demonstrar que a sua aposta no processo 18A não foi em vão. O Core Ultra Series 3, também conhecido como “Panther Lake”, marca a estreia da tecnologia 18A em processadores para consumidor, representando o nó de fabrico mais avançado alguma vez produzido nos Estados Unidos.
A nova linha inclui processadores Core Ultra 7 e Ultra 9, bem como as variantes de topo X7 e X9, estas últimas equipadas com 12 núcleos gráficos Xe3 em vez dos habituais quatro. A configuração típica oferece até 16 núcleos de CPU, 12 núcleos Xe para as versões X, e 50 TOPS de performance de NPU. Segundo a Intel, o Core Ultra X9 388H entrega até 60% mais performance multi-thread que o Lunar Lake e 77% mais desempenho gaming, com autonomia que pode atingir as 27 horas em streaming Netflix.
Clique nas imagens para ver em destaque
O destaque vai para a GPU integrada Arc B390, que a Intel posiciona como a primeira gráfica integrada com capacidades de "uma solução dedicada". A empresa afirma que supera em 73% a AMD Radeon 890M em média, e até 2x em certos títulos selecionados. A Arc B390 é também a primeira GPU integrada a suportar multi-frame generation, uma tecnologia de geração de frames por IA que promete melhorar significativamente o desempenho em jogos.
Pela primeira vez, a Intel certificou processadores da Série 3 para uso industrial e "edge computing", visando aplicações em robótica, cidades inteligentes, automação e saúde, com suporte a temperaturas estendidas e operação 24/7. As pré-encomendas começam a 6 de janeiro, com disponibilidade global a partir de 27 de janeiro de 2026.
Qualcomm Snapdragon X2 Plus democratiza Windows on ARM
A Qualcomm concentrou esforços na expansão do Windows on ARM para o segmento mainstream, anunciando o Snapdragon X2 Plus. Disponível em variantes de 6 e 10 núcleos, o chip utiliza a terceira geração da CPU Oryon e mantém a NPU Hexagon com 80 TOPS, garantindo compatibilidade total com as funcionalidades de IA da Microsoft.
A versão de 10 núcleos inclui seis núcleos prime a 4,0 GHz e quatro núcleos de performance a 3,4 GHz, enquanto a de 6 núcleos prescinde dos núcleos de performance. Ambas suportam até 128GB de RAM e prometem eficiência energética 43% superior à geração anterior, com ganhos de desempenho de 35% em aplicações single-core e até 17% em multi-core.
Clique nas imagens para ver em detalhe
A GPU Adreno X2-45 oferece melhorias de quase 30% na versão de 10 núcleos, tornando-a adequada para trabalho criativo e de entretenimento casual. A Qualcomm posiciona o X2 Plus como alternativa direta aos Intel Core Ultra 200 e AMD Ryzen AI 300, estando os primeiros portáteis previstos para chegar ainda durante o primeiro semestre de 2026, com anúncios de Acer, Asus, HP, Lenovo e Samsung.
Nvidia: Vera Rubin define o futuro da IA
Embora não tenha anunciado novas GPUs para consumidor pela primeira vez em cinco anos, a Nvidia dominou as atenções da CES 2026 com a revelação da plataforma Rubin, a sua próxima geração de supercomputadores de IA.
A plataforma Rubin representa uma abordagem de "codesign extremo" envolvendo seis novos chips. No centro está a GPU Rubin, com 336 mil milhões de transístores construídos em dois módulos fabricados em processo de 2nm. A Nvidia promete até 5x mais performance de inferência e 3,5x mais performance de treino face à arquitectura “Blackwell”, com 50 PFLOPs em inferência NVFP4 e 35 PFLOPs em treino.
Cada GPU Rubin integra até 288GB de memória HBM4 com largura de banda de 22 TB/s. O sistema é complementado pela CPU Vera, baseada em 88 núcleos Arm Olympus customizados com 176 threads, até 1,5TB de memória LPDDR5x e 1,2 TB/s de largura de banda.
Clique nas imagens para ver em destaque
O barramento NVLink 6 oferece 3,6 TB/s de largura de banda bidirecional por GPU, enquanto o sistema completo Vera Rubin NVL72, que combina 72 GPUs e 36 CPUs num único rack, totaliza 3,6 exaflops de performance de inferência e 2,5 exaflops de treino.
A Nvidia destaca uma redução de 10x no custo por token de inferência, precisando de quatro vezes menos GPUs para treinar modelos MoE (Mixture of Experts) face à arquitectura Blackwell. A plataforma já está em produção total e os parceiros cloud como a AWS, Google Cloud, Microsoft e Oracle deverão começar a aplicar as suas soluções já durante o segundo semestre de 2026.
Este ano o TEK Notícias volta a estar em Las Vegas para acompanhar os principais anúncios, e pode seguir tudo com o nosso Especial CES 2026.
Clique nas imagens para ver com mais detalhe
Assine a newsletter do TEK Notícias e receba todos os dias as principais notícias de tecnologia na sua caixa de correio.
Em destaque
-
Multimédia
Conheça os 20 smartphones mais populares de 2025 e os que se destacam pela duração da bateria -
App do dia
diVine recupera vídeos antigos do Vine e a magia dos loops de 6 segundos -
Site do dia
Easy Tasks transforma links, vídeos e notas online em tarefas organizadas num só local -
How to TEK
Como “apagar” a memória do Copilot com os novos controlos de privacidade?
Comentários