Quando a Honor mostrou o primeiro vídeo do Robot Phone, ainda em outubro do ano passado, com o braço robótico a destacar-se de um bolso e a “espreitar” o mundo, com expressões parecidas com o robot Wall-e da Disney, o conceito parecia de um brinquedo engraçado, algo bizarro e difícil de concretizar na prática. Mas no MWC26, que decorre em Barcelona, a empresa mostrou que leva a sério esta "nova espécie de smartphone" e que vai lançar o equipamento ainda este ano.

No Robot Phone, a Honor conseguiu “encaixar” um braço robótico para a câmara no smartphone onde já existe pouco espaço disponível, garantindo a estabilização do vídeo em três eixos, com a possibilidade de seguir o movimento, o que se torna toda a ideia mais interessante.

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Nos últimos anos os smartphones têm evoluído mais no software do que nos formatos e design, e várias propostas de mudança acabaram por não chegar ao mercado, com os ecrãs “roláveis”, os telemóveis que se colocavam no pulso ou equipamentos modulares. Só os dobráveis, em formato de livro ou concha, marcam a diferença em relação ao smartphone de “barra” tradicional, mesmo que ainda representem uma pequena percentagem de vendas.

Veja as imagens

O que é interessante no Robot Phone é a forma como a Honor junta o conceito de smartphone com o dos gimbal para adicionar um braço robótico à câmara, que se destaca da traseira do equipamento quando é “acordada”. A isto adiciona funcionalidades semelhantes a equipamentos de fotografia e vídeo, como o Osmo da DJI, podendo seguir a pessoa fixada na imagem, e garantido também a estabilização do vídeo com o sistema gimbal 4DoF ultra compacto.

Durante o keynote da Honor no domingo, ainda antes da abertura do MWC26, James Li, CEO da empresa, destacou a visão de uma IA mais humanizada, e o investimento que foi feito no desenvolvimento do Robot Phone. "Há 18 meses a ideia no papel parecia impossível, mas tornámo-la possível", afirmou James Li, mostrando como a engenharia da Honor ultrapassou as limitações e desenvolveu o motor de gimbal mais pequeno do mundo, mais fino do que uma moeda de euro. 

A empresa não revela muitos detalhes técnicos do smartphone, para além do sensor de 200 MP da câmara, e não há também muita informação sobre o envolvimento da ARRI, a parceira que escolheu para o desenvolvimento do produto e que faz a primeira aventura fora dos equipamentos de cinema, onde ganhou reputação e experiência.

Um “companheiro” com alguma personalidade

A forma que a Honor escolheu apresentar o Robot Phone, com “tiques” de robot de companhia, acaba por não mostrar o potencial mais interessante o sistema robótico possui, a nível da fotografia e vídeo. É estranho pensar que podemos trazer o smartphone fixo e com a câmara apontada para a frente para gravar o que vemos, ou sempre apontada para nós em modo de selfie, mas na verdade estes dois conceitos já existem, com as câmara de ação que podemos fixar no capacete da bicicleta ou num casaco de corrida, e os gimbals, ou suportes de selfie. Só que agora está tudo integrado.

Veja o vídeo da apresentação oficial do Robot Phone

A Honor ainda não deixa tocar nos novos Robot Phones mas no MWC26 há vários espaços de demonstração onde a equipa da empresa mostra os casos de uso que o TEK Notícias experimentou.

Para “acordar” a câmara que está guardada na traseira do smartphone basta um gesto registado com a câmara frontal, e depois é possível interagir com o sistema por voz, dando indicações, pedindo uma análise do vestuário que estamos a usar, com respostas normalmente simpáticas. A resposta é rápida e inteligente.

O braço articulado da câmara pode seguir o utilizador na gravação de um vídeo, mantendo-o focado mesmo que se movimente à volta do smartphone com o AI Object Tracking, como tivemos oportunidade de comprovar. A estabilização mecânica em três eixos não é replicável num smartphone normal, onde a estabilização de vídeo é feita por software, e a movimentação da câmara traz a possibilidade de alguns efeitos cinematográficos a que as câmaras de gimbal já nos habituaram.

Há alguma curiosidade com a adição de alguma “personalidade” à câmara, que pode responder que sim ou que não às perguntas, abanando a “cabeça” como uma pessoa, e que também dança ao ritmo de uma música. Provavelmente não é algo que seja útil no dia a dia mas pode impressionar os amigos e família nas festas.

Nos espaços de experimentação a Honor tinha vários Robot Phones disponíveis, mas que faziam coisas diferentes. Uns eram usados para mostrar como “acordar” e “adormecer” a câmara, guardando-a no espaço preparado na traseira onde existe uma pequena porta deslizante para o proteger, e outros para a experimentação das funcionalidade de vídeo e fotografia, ou interação de voz. Mas só os demonstradores da empresa podiam tocar e pegar no smartphone.

Uma das experiências mostra a capacidade de estabilização do vídeo, comparada com um iPhone, e o resultado é impressionante.

A promessa é que o Robot Phone chegue ao mercado na segunda metade do ano, mas só na China. A Honor não revela mais detalhes das especificações desta “nova espécie de smartphone” mas promete que isto é apenas o primeiro passo do desenvolvimento do conceito.

Falta ainda saber o preço e outras características,  mas é de esperar que a bateria não tenha grande capacidade, porque é preciso fazer algumas cedências para ter um braço robótico com uma câmara a ocupar grande parte do espaço disponível num smartphone que tem um tamanho semelhante aos atuais modelos “normais”.

Este ano, o TEK Notícias volta a percorrer a feira em Barcelona em busca das grandes novidades e das propostas mais inovadoras, acompanhando os principais anúncios e tendências. Pode seguir tudo com o nosso Especial dedicado ao MWC 2026.

Veja as imagens que a equipa do TEK está a captar por dentro da feira, e que vamos continuar a atualizar nos próximos dias

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