O relatório da IDTechEx “Humanoid Robots 2026-2036: Technologies, Markets, and Opportunities” destaca como a indústria dos robots humanóides está a amadurecer e a passar de protótipos mediáticos para implementações reais em fábricas e armazéns. Salienta a direção clara de crescimento, mas também as limitações técnicas importantes que as fabricantes ainda se deparam. Tecnologias como as câmaras, motores, radares LiDAR, sensores ultrassônicos e táteis, o software, baterias, gestão de temperatura e a IA são elementos considerados no crescimento do sector e principais elementos dos desafios para escalar.

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ponto mais importante do estudo é que esta indústria está a deixar de ser vista como algo futurista, começando a ser aplicado de forma prática em ambientes e cenários que foram desenhados para o trabalho humano. O relatório aponta três pilares para esta mudança, incluindo o amadurecimento da inteligência artificial, o hardware eletromecânico mais evoluído e com custos menores. Por fim, a procura crescente das soluções robóticas e de automação flexível nos sectores onde existe falta de mão-de-obra.

Nos últimos 12 meses, o foco passou de demonstrações práticas em feiras de tecnologia para a implementação de pilotos estruturados em ambientes industriais reais. Durante 2025, a China tem vindo a aumentar a adoção de robots nas suas fábricas. Só no último ano, Pequim investiu mais de 20 mil milhões de dólares no sector e ainda criou um fundo para apoiar as startups de IA e robótica na ordem dos 137 mil milhões de dólares. Os analistas preveem que os humanóides podem seguir a trajetória dos veículos elétricos, cujos custos de produção caíram drasticamente na última década com a ajuda dos subsídios do Governo.

documento aponta aponta três mercados onde os robots humanóides vão escalar primeiro. A indústria automóvel será o primeiro grande mercado, utilizados em ambientes controlados e a executar tarefas repetitivas que permitam a facilidade de adoção. Muitas fabricantes já começaram a financiar diretamente os pilotos, como é o caso da BMW, que testou com sucesso numa das suas fábricas de automóveis. Também a Tesla já começou a utilizar os seus robots Optimus nas suas fábricas. O estudo diz que entre as tarefas iniciais encontram-se o transporte interno, apoio à inspeção e manipulação simples. Espera-se maior fiabilidade, segurança e manutenção destes robots.

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A logística e o trabalho em armazéns tem vindo a aumentar a sua força de trabalho robótica, utilizando braços mecânicos e a capacidade de transporte de encomendas. Já começam a surgir modelos para tarefas mistas em ambientes criados para humanos. Os fluxos repetitivos, o manuseamento de encomendas e o “pick and place” básico são algumas das tarefas oferecidas aos robots. A Amazon é uma das pioneiras na adoção de robots nos seus armazéns e estima-se que até 600 mil trabalhadores podem ser substituídos pela mão-de-obra robótica. No ano passado, a Amazon criou uma nova equipa para desenvolver agentes de IA para operações robóticas, com o objetivo de criar sistemas que permitam aos robots ouvir, compreender e realizar ações com base em interações de linguagem natural.

Por fim, o uso doméstico apresenta oportunidades a longo prazo, mas para já, terá uma adoção lenta até pelo menos 2036. O estudo aponta o seu potencial, mas depende igualmente da segurança, fiabilidade e o preço. 

Em 2036, estima-se que o mercado de robots humanóides possa valer 29,5 mil milhões de dólares. Mas até lá estão listados diferentes desafios técnicos, incluindo as baterias que continuam a demonstrar uma densidade energética insuficiente, levam demasiado tempo a carregar, obrigando à necessidade de soluções componentes amovíveis. Outro desafio está relacionado com os componentes de precisão, como atuadores, redutores e outros, numa cadeia de fornecimento que ainda não está preparada para iniciar a produção em escala. Atualmente, as mãos e os sensores táteis continuam a ser o maior bloqueio em tarefas mais complicadas. Por fim, aponta a gestão térmica como um desafio, limitando o tempo de operações contínuas.

Gráfico
Gráfico

Como demonstra no gráfico, a tecnologia continua a amadurecer, mas ainda faltam vários anos para se tornar geral, esperando-se um crescimento do mercado dentro de 5 anos e alguma saturação numa década. O preço dos componentes continua a ser o travão atual para escalar esta indústria, não se podendo também descartar a competição com outros formatos de automação.

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