Poucos dias depois de ter impressionado o mundo com a qualidade cinematográfica dos seus vídeos gerados por inteligência artificial (IA), o Seedance 2.0 da ByteDance enfrenta uma tempestade de críticas vindas de Hollywood. As maiores produtoras americanas, incluindo a Paramount e a Disney, enviaram cartas de cessação e desistência à empresa chinesa, acusando-a de violação massiva de direitos de autor.

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A Motion Picture Association (MPA) e o sindicato SAG-AFTRA emitiram declarações conjuntas a condenar o Seedance 2.0. A acusação é que a ByteDance terá utilizado filmes, séries e conteúdos protegidos para treinar o modelo de IA sem autorização. Mais grave, alegam que a plataforma permite reproduzir estilos visuais, movimentos de câmara e até rostos e vozes de actores famosos, minando o controlo dos criadores sobre as suas obras.

Vídeos gerados na plataforma Seedance 2.0 impressionam pela qualidade cinematográfica das imagens
Vídeos gerados na plataforma Seedance 2.0 impressionam pela qualidade cinematográfica das imagens
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O conflito explodiu depois de vários vídeos se terem tornado virais, incluindo uma sequência polémica que mostra Tom Cruise e Brad Pitt a lutar num telhado, criada pelo realizador Ruairi Robinson. Estes exemplos demonstram a capacidade da ferramenta para replicar não apenas estilos cinematográficos, mas também as semelhanças físicas das estrelas de Hollywood. A SAG-AFTRA foi particularmente dura, afirmando que o Seedance 2.0 permite a utilização não autorizada das vozes e semelhanças dos seus membros, prejudicando a sua capacidade de rentabilização nessas circunstâncias.

Veja alguns dos vídeos produzidos com a nova ferramenta da ByteDance

A organização considera esta ferramenta uma ameaça existencial à indústria cinematográfica tradicional. A ByteDance beneficia de acesso a milhões de vídeos do Douyin, a versão chinesa do TikTok, utilizando-os para treinar o modelo. Esta base de dados massiva permitiu aprender padrões visuais e sincronização audiovisual a uma escala sem precedentes, permitindo resultados tão surpreendentes, que nem Elon Musk resistiu a comentar o impressionante avanço da tecnologia.

Lançado a 7 de fevereiro, o Seedance 2.0 distingue-se pela capacidade de criar vídeos completos compostos por múltiplas cenas conectadas, mantendo uma impressionante consistência visual. A ferramenta aceita até doze referências em diversos formatos e gera não apenas imagens em movimento, mas também sincroniza automaticamente efeitos sonoros, vozes e a música. Os vídeos podem ser exportados em alta resolução, que pode ser até 2K.

Após múltiplos exemplos partilhados nas redes sociais, seria uma questão de tempo até a controvérsia chegar, inserindo-se a mesma num debate mais amplo sobre os limites éticos e legais do uso de IA na criação de conteúdos. Enquanto defensores argumentam que estas ferramentas democratizam a produção audiovisual, os críticos alertam para riscos de proliferação de deepfakes, da perda de empregos e da constante violação de propriedade intelectual.

Feng Ji, produtor do Black Myth Wukong, descreveu o Seedance 2.0 como o modelo mais poderoso até agora, mas alertou para os perigos de uma crise de confiança causada pela facilidade de criar vídeos falsos indistinguíveis da realidade. A ByteDance ainda não respondeu às acusações. A empresa, que já estava a enfrentar pressões regulatórias nos Estados Unidos relacionadas com o TikTok, poderá agora entrar numa potencial batalha legal com toda a indústria cinematográfica americana.

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