Segundo dados da Linha Internet Segura (LIS), em 2025 foram recebidos 949 casos de cibercrime, num aumento de 39% em comparação com o ano anterior. Citada pela Lusa, Carolina Soares, gestora da LIS, afirma que os casos de burla e de extorsão são os dois crimes mais reportados.

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Ao todo, no ano passado, contabilizaram-se 358 situações de burla, numa subida de 44%, bem como 127 casos de extorsão, num aumento de 90%. 

Segundo a gestora da LIS, destaca-se a quantidade de homens que são vítimas de burlas, em particular de investimento. “Temos um grande número aqui”, realça Carolina Soares, apontando também para os casos de burlas nas compras online e de situações de extorsão sexual que afetam tanto homens como rapazes. 

No que toca às mulheres, a LIS aponta que muitas são vítimas de burlas, seja no comércio online, através de smishing ou phishing, e de burlas românticas “também numa maior percentagem”. 

A responsável detalha que muitas das situações registadas começam em redes sociais como Facebook, Instagram, Snapchat ou X, com a “esmagadora maioria” a ter também uma tendência para avançar para outras plataformas, sobretudo para aquelas em que as comunicações são encriptadas, como é o caso do WhatsApp. 

Phishing cresce em Portugal e foi responsável por um em cada quatro ataques em 2025
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Recorde-se que, na Europa, o phishing continua a ser uma das ameaças mais prevalentes, com os atacantes a encontrarem novas formas de enganar vítimas com websites falsos, levando-as a partilhar credenciais de acesso, informações pessoais ou dados de cartões bancários. De acordo com dados da Kaspersky, no ano passado, mais de 130 milhões de ligações de phishing foram abertas por utilizadores na Europa.

No panorama português, um recente relatório da ESET realça que os ataques que mais crescem e que mais impacto têm são aqueles que se “disfarçam” de tarefas banais, como abrir um email ou clicar em links.

Segundo a empresa, o phishing foi responsável por um em cada quatro ataques no nosso país ao longo do ano passado. A ameaça mais frequentemente identificada em Portugal surge identificada como HTML/Phishing.Agent, num tipo de ataque que corresponde, na prática, a páginas falsas criadas para imitar serviços legítimos.

Os investigadores indicam que esta ameaça está na origem de muitas das mensagens que circulam diariamente no nosso país com alertas sobre supostas encomendas para entregar, pagamentos em falta, problemas com a conta bancária ou até a “necessidade urgente” de confirmar dados.

O TEK Notícias tem reunido alguns dos principais exemplos de phishing que circulam em Portugal, que pode ver na galeria que se segue. 

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Os perigos "alimentados" por IA

Entre os casos recebidos pela Linha Internet Segura conta-se também a partilha não consentida de imagens, incluindo daquelas que são geradas através de IA. 

Ainda no início do ano, o tema das deepfakes de cariz sexual voltou a dar que falar, numa polémica que envolveu o Grok e a rede social X. Após surgirem relatos de que o chatbot da xAI estava a ser usado na gerar imagens sexualizadas, incluindo de crianças, sendo depois partilhadas na plataforma. 

A rede social de Elon Musk anunciou restrições nas capacidades de geração de imagem com o Grok, mas isso não foi suficiente para evitar a abertura de uma investigação por parte da Comissão Europeia, com foco em particular no assistente de IA e na disseminação conteúdo ilegal, como imagens sexualmente explícitas que foram manipuladas por IA. 

Dezenas de apps para criar nudes com IA continuam disponíveis nas lojas do Android e do iOS
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Depois da polémica com o Grok, dezenas de apps para criar nudes com IA continuam disponíveis nas lojas do Android e do iOS, revelou uma recente investigação do Tech Transparency Project. 

Foram identificadas 55 apps deste tipo na Play Store da Google e 47 da App Store da Apple, que tiveram mais de 700 milhões de downloads em todo o mundo e geraram 117 milhões de dólares em receitas. 

Mas as ameaças da IA não se limitam às deepfakes, com vários alertas de empresas e especialistas em cibersegurança a apontarem para o uso da tecnologia como forma de elevar o cibercrime a um novo patamar

Com a crescente popularização de novas vertentes da tecnologia, os agentes de IA, concebidos para realizarem tarefas pelos utilizadores no mundo online, tornaram-se num alvo prioritário para ciberataques indiretos mais eficazes, indica um relatório da Check Point Research. 

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Ainda nas últimas semanas, a popularidade do OpenClaw (anteriormente conhecido como Clawdbot e Moltbot), descrito como um assistente de IA autónomo, levantou novas preocupações entre os especialistas da área por trazer riscos sérios para a segurança. 

Além dos riscos com a quantidade de informação pessoal a que o agente pode aceder e armazenar, algo que traz também riscos para a privacidade, anteriormente, investigadores já tinham identificado centenas de instâncias expostas online sem qualquer tipo de proteção, dando acesso a chaves de API e mensagens privadas, bem como à possibilidade de controlar totalmente o sistema.

Como reforçar a segurança no mundo online?

Desconfiar e pensar duas (ou mais) vezes antes de clicar, mudar passwords e ter autenticação de dois fatores ativada nas contas são medidas importantes para manter a segurança, mas por si próprias, não são suficientes para fazer face às crescentes ameaças do mundo online. 

Para o ajudar, recuperamos algumas das principais recomendações que temos partilhado ao longo dos últimos anos, incluindo novos conselhos e medidas partilhadas por especialistas e pelas tecnológicas.

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  • Esteja atento aos dados que partilha online e com chatbots de IA

É importante que avalie com conta, peso e medida que tipo de dados partilha no mundo online e se vale mesmo a pena divulgá-los. Além da questão dos ciberataques e das fugas de dados, nem todas as plataformas onde partilha a sua informação fazem um uso legítimo da mesma, podendo vendê-la sem que se aperceba a outras empresas ou a entidades que agregam dados online (também conhecidas como data brokers) e que as vendem depois a outras organizações.

Tendo em conta que as conversas com chatbots e assistentes de IA podem ser registadas, armazenadas e utilizadas para treinar modelos futuros, há um conjunto de tópicos que deve manter fora das interações: de conselhos médicos a problemas pessoais.

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O mesmo se aplica a informação como o seu nome completo, moradas, ou quaisquer dados que o possam identificar pessoalmente. Em casos de fuga de dados, a sua informação pode ser explorada por cibercriminosos.

Como lembramos neste artigo, que inclui recomendações sobre como gerir a privacidade nos chatbots de IA, estes assistentes não funcionam como “cofres” digitais onde pode armazenar de maneira segura as suas passwords, credenciais de acesso a plataformas, ou PINs.

Fora dos chatbots, recorde-se que, no How to TEK poderá também encontrar uma variedade de guias passo a passo sobre a temática: da gestão das definições de privacidade da Apple, Google, Facebook e Windows às permissões das apps Android, contas de serviços que já não utiliza

  • Reforce a segurança das contas online com passwords adequadas (ou passkeys)

À medida que caminhamos para um mundo sem passwords, com cada vez mais plataformas a optarem por meios de autenticação como as passkeys, é fundamental que mantenha a segurança das contas que ainda não usam estas alternativas com palavras-passe adequadas.

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Deve escolher passwords fortes, longas e variadas, incluindo letras maiúsculas e minúsculas, números e caracteres especiais. Cada conta online deve ter uma palavra-passe única. Caso contrário, se as credenciais de uma conta caírem nas mãos de cibercriminosos, as restantes poderão estar em risco.

Se tem dificuldade em memorizar todas as combinações complexas, existem vários serviços online que o podem ajudar. Não se esqueça também de ativar a autenticação de dois fatores. A funcionalidade está disponível em múltiplas plataformas digitais e redes sociais, permitindo obter uma confirmação de que foi mesmo o utilizador que inseriu as credenciais no respetivo serviço.

  • Desconfie das comunicações que recebe no email, por SMS ou nas redes sociais

Para não ser “pescado” pelos esquemas de phishing, smishing ou vishing é importante que se mantenha atento às comunicações que recebe, seja na caixa de correio eletrónico, nas redes sociais e plataformas digitais, via SMS e até nas chamadas telefónicas.

Existem vários sinais que podem indicar que está perante um esquema fraudulento: endereços de email, nomes de contas e números de telefone que não correspondem aos verdadeiros remetentes e erros na escrita e linguagem “fora do comum”.

Mensagens que apelam a um sentido de urgência ou a tomar uma ação imediata sem motivo aparente, assim como comunicações ditas “oficiais” que lhe pedem dados pessoais e sensíveis são também sinais de alerta que não deve ignorar.

  • Pense duas vezes antes de clicar (ou descarregar) e use plataformas de confiança

Se receber uma mensagem suspeita com links, independentemente do canal utilizado, não carregue neles. Não se esqueça que os cibercriminosos recorrem a várias táticas para imitar websites oficiais, criando páginas falsas com um aspecto muito semelhante às originais, para roubar dados.

Se quer mesmo ter a certeza que um link é, ou não seguro, pode recorrer a plataformas como a Virus Total, que também permite fazer uma verificação de segurança a ficheiros.

Já que falamos de ficheiros, descarregar aplicações e programas da Internet sem primeiro se certificar se são legítimos pode pôr em risco a sua segurança, em particular se vierem de plataformas menos conhecidas ou não-oficiais.

É nestas plataformas não-oficiais onde se esconde o perigo e não existem certezas de que as entidades responsáveis estão a tomar medidas para garantir a segurança dos utilizadores e da sua informação.

  • Não se esqueça de proteger e atualizar

As soluções de segurança ajudam a proteger os seus equipamentos contra ameaças, detetando-as e permitindo removê-las. Há uma grande variedade de opções disponíveis, entre soluções gratuitas e pagas, e com múltiplas funcionalidades, incluindo a proteção de equipamentos além do smartphone ou computador.

A utilização de uma VPN é também recomendada, assim como manter as atualizações de softeware dos seus equipamentos em dia, por mais “inconvenientes” que possam parecer os avisos deixados pelas fabricantes dos mesmos.

  • Faça backup dos dados

Muitas vezes, só nos apercebemos da importância de fazer backups quando é já tarde demais. Para evitar perder toda a sua informação importante em caso ciberataque é fundamental fazer backups regulares.

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Depender de um único método de backup da informação não é uma boa ideia. Deverá optar, por exemplo, pelo método 3-2-1, fazendo três cópias dos dados, usando dois sistemas diferentes para backups, com um deles a estar completamente offline.

Para o ajudar a fazer uma melhor gestão da sua vida digital, pode recordar neste artigo, um conjunto de recomendações que deve seguir, assim como de alguns serviços e equipamentos úteis.

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