Está fechado o negócio que vai finalmente operacionalizar a nova estrutura do TikTok nos Estados Unidos. A ByteDance passa a deter 19,9% da nova empresa e investidores maioritariamente americanos assumem o resto do capital e a liderança da rede social.

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Quarenta e cinco por cento do capital vai ser dividido por três investidores principais: o fundo americano Silver Lake, a Oracle e um fundo dos Emirados Árabes Unidos, o MGX. Os restantes 35,1% ficam distribuídos por investidores mais pequenos, onde se inclui a Dell Family Office, a gestora de fundos de Michael Dell, fundador da Dell.

Dois antigos quadros do TikTok vão liderar a nova operação: Adam Presser, assume o cargo de CEO da nova empresa dona do TikTok nos Estados Unidos e Will Farrell (que não é o ator) será o CSO. Representantes dos principais acionistas asseguram lugar também numa direção com sete administradores. A nova USDS Joint Venture LLC vai deter o TikTok nos Estados Unidos e outras aplicações do grupo ByteDance, como a CupCat e a Lemon8.

TikTok salvo no limite do prazo. ByteDance fecha acordo para escapar à proibição nos EUA
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“A missão da joint-venture TikTok USDS é proteger os dados, as aplicações e o algoritmo dos utilizadores dos EUA através de medidas abrangentes de privacidade de dados e cibersegurança”, refere a nota que anuncia a constituição da nova empresa. Na informação divulgada também se explica que a Oracle vai gerir os servidores da operação do TikTok e acautelar a sua segurança, o que na prática já acontecia.

A própria ByteDance tinha tomado a decisão de escolher um parceiro americano para guardar os dados da operação local, deixando de os redirecionar para os servidores na China. Na altura, o projeto foi anunciado com um investimento de 1,5 mil milhões de dólares e como medida para acalmar os receios americanos com a segurança dos dados de quem usava a rede social no país.

A joint-venture explicou ainda que vai usar os dados dos utilizadores americanos para retreinar e atualizar o algoritmo de recomendação de conteúdos da aplicação e que também esses dados serão mantidos na cloud da Oracle. Diz também que vai assumir o controlo sobre as políticas de utilização e segurança da plataforma, bem como a moderação de conteúdos para “proteger o ecossistema de conteúdo dos EUA”.

Como nota o Mashable, para já não é claro de que forma estas novas regras podem afetar a forma de acesso dos americanos a conteúdos criados no resto do mundo. O comunicado da empresa só diz que os conteúdos criados pelos americanos vão poder continuar a ser vistos por utilizadores no resto do mundo.

O TikTok foi proibido nos Estados Unidos por duas vezes. A primeira durante o primeiro mandato de Donald Trump na Casa Branca, a segunda era Joe Biden presidente. Ambas por questões relacionadas com supostas ameaças à segurança nacional, reportadas em relatórios de várias agências americanas.

Nas duas tentativas de expulsar o TikTok do país, existia a alternativa de tirar a rede social do controlo de uma empresa chinesa. À primeira, a tentativa de arranjar um dono americano para o TikTok falhou, à segunda concretiza-se, depois de um ano de negociações que começaram na semana a seguir à tomada de posse de Donald Trump para o segundo mandato como presidente norte-americano.

Depois de a rede social voltar a ser proibida no país e chegar mesmo a ser suspensa, em janeiro do ano passado, Trump suspendeu a medida para encontrar uma solução que permitisse manter a rede social no país. Quatro adiamentos depois do prazo definido, chegou-se a acordo para concretizar a transferência e os detalhes são conhecidos agora.

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