A Unitree Robotics alcançou um marco histórico na robótica humanoide ao conseguir que o seu modelo G1 completasse um desafio de uma caminhada autónoma em condições de frio extremo. O robot percorreu 130 mil passos numa temperatura de -47,4º Celsius, nas planícies nevadas de Altay, uma região localizada no norte da China conhecida como sendo o berço histórico do esqui.
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A empresa chinesa partilhou o feito nas redes sociais, destacando tratar-se da primeira vez a nível mundial que um robot humanoide consegue caminhar de forma autónoma nestas condições climatéricas particularmente hostis. As coordenadas do desafio (89.75°E e 47.21°N), situam o local numa das zonas mais frias habitadas da região, onde as temperaturas no inverno descem regularmente para valores que testam os limites de qualquer equipamento electrónico.
O robot G1 da Unitree é um modelo humanoide que tem vindo a chamar a atenção da indústria pelas suas capacidades de mobilidade e adaptação a terrenos irregulares. Este teste em ambiente real representa um avanço significativo face às demonstrações habitualmente realizadas em laboratório ou em condições controladas, onde a temperatura e outros fatores ambientais são cuidadosamente regulados.
As condições de frio extremo colocam desafios únicos aos sistemas robóticos, especialmente as baterias de iões de lítio, que perdem eficiência drasticamente quando expostas a temperaturas muito baixas, podendo reduzir a sua capacidade para metade ou menos. Também os lubrificantes das articulações podem solidificar, os materiais plásticos tornam-se quebradiços e os circuitos electrónicos ficam mais suscetíveis a falhas.
A escolha de Altay para este desafio não foi casual. A região chinesa, situada na fronteira entre o Cazaquistão, a Rússia e a Mongólia, é historicamente considerada como o local onde terá nascido o esqui há milhares de anos. A criação desta técnica nasceu da necessidade das populações locais se deslocarem sobre a neve. A simbologia de um robot humanoide a deixar as suas próprias marcas neste território ancestral não passou despercebida na mensagem da empresa.
A Unitree não divulgou detalhes técnicos sobre as adaptações específicas implementadas no G1 para este desafio, nem esclareceu quanto tempo demorou o robot a completar a proeza. Também não foi revelado se o equipamento necessitou de intervenção humana durante o percurso ou se operou de forma completamente autónoma do início ao fim. No vídeo consegue-se, no entanto, observar a aplicação de proteções de plástico removível nas pernas, e um blusão de penas.
Este tipo de demonstrações em ambientes extremos serve múltiplos propósitos para os fabricantes de robótica. Por um lado, validam a robustez das soluções tecnológicas desenvolvidas e identifica pontos fracos que necessitam de melhorias.
Por outro, funcionam como ferramenta de marketing para posicionar a marca como líder em inovação. A capacidade de operar em condições extremas pode abrir portas a aplicações como a exploração polar, operações de resgate em montanha, ou missões em ambientes hostis onde a presença humana é arriscada.
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