Recentemente Elon Musk partilhou os novos planos de exploração espacial da SpaceX, trocando as prioridades entre levar o Homem a Marte pela primeira vez e juntar-se à nova febre de colonizar a Lua. Para o magnata, não existe um abandono dos planos de colonização do planeta vermelho, mas em vez de missões diretas, prefere “assentar os pés” em solo lunar e partir dali pensar em voos mais longínquos. Anteriormente, defendia que o regresso à Lua era uma distração, preferindo chegar a Marte, mas a estratégia passa a ser diferente.

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Elon Musk explicou que, para viajar a Marte, os planetas têm de se alinhar, algo que acontece a cada 26 meses, altura em que se abrem as janelas para as missões marcianas. Nesta janela, uma viagem dura cerca de seis meses. Para a Lua, é possível lançar uma missão a cada 10 dias, numa viagem de dois dias.

Com estas contas, Elon Musk pretende construir primeiro uma base, ou melhor, uma cidade na Lua, numa previsão de 10 anos, autossustentável, que vai albergar um canhão alimentado por energia magnética para lançar objetos ao espaço profundo. Em teoria, a SpaceX pode conseguir colocar entre 500 a 1000 terawatts/ano de satélites de IA no espaço profundo.

Elon Musk explicou num post na rede social X, para que não restassem dúvidas, que a sua empresa espacial mudou o foco para a construção da cidade na Lua, algo que pode potencialmente conseguir em 10 anos, ao passo que em Marte era necessário mais de 20 anos. “A missão da SpaceX continua na mesma: extender consciência e vida como conhecemos para as estrelas”, refere. Depois da construção da cidade na Lua, será em Marte, com início previsto para os próximos 5 a 7 anos. Mas para garantir “o futuro da civilização, a Lua é mais rápida”.

Sobre o canhão magnético, Elon Musk pega numa ideia que já tinha sido avançada na década de 70, em que os cientistas defendiam que esta era uma solução para a exploração do espaço pelos humanos. O lançamento de uma nave a partir da Terra é demasiado dispendioso, em que cada libra que descola do Cabo Canaveral para a órbita baixa terrestre custa milhares de dólares em combustível, hardware e complexidade operacional. E nesse sentido, quanto mais profundo se deseja penetrar no espaço, mais poderoso e massivo o foguetão terá de ser, aumentando os custos, explica a Fast Company. Um Falcon 9 reutilizável custa cerca de 1.200 dólares por libra (cerca de 2,6 mil dólares por quilo).

Utilizando um acelerador eletromagnético, os lançamentos a partir da Lua poderiam tornar-se mais económicos, uma vez que utilizam eletricidade em vez de explosivos, eliminando a dependência de químicos. Outra vantagem é que na Lua, graças à menor gravidade e sem atmosfera, o lançamento de materiais para o espaço custaria poucos dólares, semelhante a um serviço industrial.

A publicação dá como o exemplo o primeiro protótipo construído em 1976 pelos físicos Gerard O’Neill e Henry Kolm num orçamento de apenas 2.000 dólares. A primeira versão lançou objetos a 131 pés por segundo, em acelerações muito elevadas. A versão seguinte melhorou em 10 vezes. Investigadores da Universidade do Texas estimam que um sistema destes seria capaz de lançar 10 kg a uma velocidade de 21.000 km/h, num custo a rondar cerca de 47 milhões de dólares.

É explicado que o canhão, que é basicamente uma pista instalada na superfície lunar, com inclinação para o céu, contém centenas de bobinas eletromagnéticas. Cada bobina transforma-se temporariamente num íman poderoso quando recebe a carga de eletricidade. O carregamento é colocado dentro de uma espécie de “balde” magnético que nunca toca fisicamente nessa pista. Assim, o movimento de aceleração desse objeto é realizado sem atrito mecânico, garantindo milhões de lançamentos com desgaste mínimo.

O dono da SpaceX compara este sistema a um comboio maglev de levitação eletromagnética, embora bem mais rápido. Afirma que para escapar à gravidade lunar, o “balde” precisa de chegar aos 1,5 milhas por segundo. Para tal, o canhão opera em duas fases, sendo a primeira a sincronização das bobinas eletromagnéticas para gerar o impulso, seguindo-se a aceleração mais intensa para aumentar a velocidade de disparo.

Nesta segunda fase, o espaçamento das bobinas aumenta gradualmente, afastando cada impulso no espaço, mantendo uma aceleração constante, mas evitando que as forças excessivas destruam o balde ou a carga. No final da pista, o “balde” é libertado, ou no caso da visão de Elon Musk, será um satélite de computação de inteligência artificial da xAI, a uma velocidade de 5.300 milhas por hora. Esta é a velocidade suficiente para escapar à gravidade lunar.

No final de cada lançamento, esse “balde” é travado pelo sistema de desaceleração, recuperado e volta à casa de partida para iniciar o próximo. Estima-se que o sistema consiga lançar uma carga a cada 10-11 segundos, respondendo desta forma à questão de Elon Musk querer colocar um milhão de satélites em órbita.

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