O mercado global de aplicações móveis voltou a crescer em 2025, mas de forma cada vez mais orientada para o valor. De acordo com o relatório State of Mobile 2026, da Sensor Tower, foram registados 149 mil milhões de downloads ao longo do ano, uma subida ligeira de 0,8%, equivalente a cerca de 284 mil aplicações descarregadas por minuto. Já a receita contou uma história diferente: os utilizadores gastaram 167 mil milhões de dólares em compras dentro das apps (139 mil milhões de euros), mais 10,6% do que em 2024.
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No total, os consumidores passaram 5,3 biliões de horas em aplicações móveis, o que corresponde a mais de 600 horas por pessoa, em média, em todo o mundo. Cada utilizador passou cerca de 3,6 horas por dia no smartphone e usou 34 apps por mês, confirmando que o mobile continua a ser o principal ponto de acesso ao digital, ainda que com ritmos de crescimento mais contidos.
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Se houve uma área que acelerou de forma clara em 2025 foi a inteligência artificial generativa. Os downloads de apps de IA duplicaram face ao ano anterior, atingindo 3,8 mil milhões, enquanto a receita mais do que triplicou, ultrapassando os 5 mil milhões de dólares (4,2 mil milhões de euros). O tempo passado nestas aplicações chegou às 48 mil milhões de horas, quase quatro vezes mais do que em 2024, sinal de que os utilizadores deixaram de “experimentar” IA para a integrar no dia a dia.
Os assistentes de IA dominaram este crescimento, com aplicações como ChatGPT, Gemini e DeepSeek a liderarem os rankings de downloads. Em paralelo, surgiram novos casos de uso ligados à criação de conteúdos, como geração de música, imagem e vídeo, enquanto as chamadas AI companions ganharam popularidade, embora a um ritmo mais moderado. Os principais editores de IA - OpenAI e DeepSeek - representaram quase 50% dos downloads globais.
O fenómeno global do short drama no streaming
No vídeo, 2025 ficou marcado pela explosão do short drama, plataformas de séries com episódios de poucos minutos, pensadas para consumo rápido em mobile. Os downloads da categoria cresceram 39%, para um total de 2,3 mil milhões, superando claramente o streaming tradicional. No último trimestre, o crescimento anual chegou aos 186%, enquanto as plataformas OTT clássicas registaram uma quebra.
Apesar do boom em downloads e receita, o tempo total passado em apps de streaming cresceu apenas 8%, sinal de que o vídeo curto está a redistribuir a atenção existente mais do que a criar novos hábitos. A Ásia lidera em volume, mas a América Latina destaca-se como a região com crescimento mais rápido neste formato, enquanto a adoção na Europa e América do Norte permanece mais contida.
Depois de sinais de fadiga digital em 2024, o tempo passado em redes sociais estabilizou em 2025, atingindo 3,4 biliões de horas. Ainda assim, estas aplicações continuam a concentrar mais de 60% de todo o tempo gasto no mobile. O vídeo curto manteve-se central, com os Reels a representarem quase metade do tempo passado no Instagram.
Ao mesmo tempo, as redes sociais reforçaram a aposta na monetização direta. A categoria foi a que mais receita gerou fora dos jogos, com 15 mil milhões de dólares, liderada por TikTok, YouTube e Snapchat, através de modelos que combinam subscrições, conteúdos pagos e compras pontuais.
A inteligência artificial voltou a ser decisiva na área da saúde e fitness. A receita cresceu 13%, para 4,5 mil milhões de dólares, enquanto apps de nutrição, exercício ao ar livre e monitorização de saúde usaram IA para oferecer experiências mais personalizadas. Aplicações como Strava, AllTrails, YAZIO ou MacroFactor destacaram-se, num sector que parece ter encontrado na IA o seu próximo ciclo de crescimento.
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