A mudança representa uma reviravolta estratégica para a Apple, que inicialmente não planeava seguir este caminho. Craig Federighi, vice-presidente sénior de software da empresa, tinha manifestado preferência por funcionalidades de inteligência artificial (IA) integradas em vez de um assistente conversacional. No entanto, a popularidade dos chatbots de IA e a pressão competitiva forçaram a administração da Apple a reconsiderar a abordagem.

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O novo chatbot da Siri será ativado da mesma forma que o assistente atual, através do comando de voz "Siri" ou mantendo premido o botão lateral do iPhone ou iPad. A Apple está a testar a solução como uma aplicação autónoma, mas o produto final será integrado diretamente nos dispositivos, funcionando como parte nativa do sistema operativo.

A tecnologia por trás do chatbot será alimentada por um modelo personalizado baseado no Gemini do Google, na sequência da parceria anunciada recentemente entre as duas empresas. Esta colaboração surge depois de vários atrasos nas funcionalidades de Apple Intelligence previstas para 2024 e da recente saída de John Giannandrea, responsável pela área de inteligência artificial da empresa.

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O chatbot terá capacidades semelhantes às dos concorrentes, incluindo pesquisa na web, geração de conteúdos como imagens, assistência em programação, resumo de informações e análise de ficheiros carregados. Uma das funcionalidades mais avançadas permitirá à Siri visualizar janelas abertas e conteúdo no ecrã, bem como ajustar definições e funcionalidades do dispositivo.

A integração será profunda em todas as aplicações da Apple, incluindo Fotos, Mail, Mensagens, Música e TV. O assistente poderá aceder e analisar conteúdos nestas aplicações para responder a pedidos e consultas dos utilizadores. Estará disponível interface tanto por voz como por texto, mas a Apple está ainda a avaliar até que ponto o chatbot deverá memorizar conversas anteriores.

Enquanto soluções como o Claude e o ChatGPT utilizam informações de conversas passadas para personalização, a empresa de Cupertino poderá limitar a memória da Siri por questões de privacidade, mantendo-se fiel à sua filosofia de proteção de dados pessoais. Esta versão chatbot da Siri representará uma atualização à versão mais personalizada do assistente que a Apple planeia lançar no iOS 26.4, previsto para os próximos meses.

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O iOS 26.4 deverá trazer funcionalidades prometidas na WWDC 2024 mas repetidamente adiadas, como a compreensão de contexto pessoal através de emails, mensagens, fotos, entradas de calendário e ficheiros armazenados no dispositivo. O iOS 27 deverá ser apresentado na WWDC 2026, em junho, com lançamento público previsto para setembro. Segundo especialistas, esta atualização será semelhante ao Mac OS X Snow Leopard, focando-se principalmente na nova Siri enquanto prioriza correções de bugs e melhorias de desempenho noutras áreas do sistema.

Este desenvolvimento surge num momento crítico para a Apple, que enfrenta crescente pressão da OpenAI, que planeia lançar o seu primeiro dispositivo físico ainda este ano em parceria com Jony Ive, antigo diretor de design da Apple. A urgência é reforçada pelos relatos de que a Apple está também a trabalhar num dispositivo vestível com IA do tamanho de um AirTag, equipado com câmaras e microfones, que poderá executar o novo chatbot da Siri.

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