Este ano, o número de smartphones enviados pelas marcas para os retalhistas em todo o mundo deve diminuir 12,9% para 1,12 mil milhões, de acordo com os dados mais recentes do Worldwide Quarterly Mobile Phone Tracker da IDC. Os números traduzem uma diminuição significativa face à previsão que a consultora tinha apresentado em novembro. A confirmar-se a estimativa, este será o seu volume anual de remessas mais baixo em mais de uma década e reflete a intensificação da crise de escassez de memória.

Não perca nenhuma notícia importante da atualidade de tecnologia e acompanhe tudo em tek.sapo.pt

Em simultâneo com uma queda recorde no nível de remessas, espera-se que o preço médio dos smartphones suba 14%, atingindo também ele um valor recorde de 523 dólares (444 euros), já este ano.

Por países, os mercados mais dependentes de smartphones de gama baixa vão ser os mais afetados pelo declínio previsto, nas regiões do Médio Oriente e de África. A IDC calcula que a queda nas vendas será superior a 20%. Na China e na Ásia-Pacífico (excluindo o Japão e a China), os dois maiores mercados mundiais, as quedas devem rondar os 10,5% e 13,1%, respetivamente.

“O que estamos a testemunhar não é uma crise temporária, mas um choque semelhante a um tsunami com origem na cadeia de abastecimento de memória, com efeitos em cadeia que se espalham por toda a indústria de eletrónica de consumo”, destaca Francisco Jerónimo.

Como sublinha o vice-presidente de Worldwide Client Devices da IDC, o mercado global de smartphones enfrenta uma ameaça significativa a este nível, particularmente os fabricantes do ecossistema Android e em especial aqueles que atuam no segmento de gama baixa do mercado.

Falta de memórias e custo de componentes atiram mercado de smartphones para valores negativos em 2026 e agravam diferenças entre fabricantes
Falta de memórias e custo de componentes atiram mercado de smartphones para valores negativos em 2026 e agravam diferenças entre fabricantes
Ver artigo

O aumento dos custos dos componentes vai afetar as margens das empresas, que acabarão por se verem forçadas a transferir esses custos adicionais para os utilizadores finais e para os preços dos equipamentos.

Como a IDC também já tinha antecipado, fabricantes como a Apple e a Samsung são os que estão em melhor posição para enfrentar esta crise e resistir à tempestade, que ainda lhes abre a oportunidade de expandirem quotas de mercado.

A IDC acredita que a escassez de memória, impulsionada pela enorme procura destes componentes para expandir data centers de inteligência artificial, mais do que um declínio temporário, marca uma reestruturação de todo o mercado.

“Esperamos uma consolidação à medida que os pequenos players saem do mercado e os fornecedores de gama baixa enfrentam quedas acentuadas nas remessas, por causa das restrições de fornecimento e da menor procura em faixas de preço mais altas”, acrescenta ”Nabila Popal, diretora sénior da mesma consultora.

Uma estabilização nos preços das memórias só é esperada em meados de 2027, não sendo de prever que os preços voltem aos níveis pré-crise. Noutras palavras, a IDC defende que o segmento de preços abaixo dos 100 dólares (85 euros) tem os dias contados. “Não há retorno ao normal para fornecedores e consumidores”.

Em 2027, com a prevista estabilização da crise, a recuperação deverá começar. Para esse ano, a IDC estima um crescimento de 2% e um pouco mais expressivo, de 5,2%, no ano seguinte, em 2028.

Assine a newsletter do TEK Notícias e receba todos os dias as principais notícias de tecnologia na sua caixa de correio.