A ideia é clara e foi partilhada várias vezes por oradores, expositores e parceiros. O Web Summit é um local de excelência para mostrar ideias mas também para conseguir recrutar o melhor talento, dado o perfil dos visitantes. Para as empresas que montaram este ano stands nos pavilhões da conferência em Lisboa a apresentação da tecnologia e soluções andou a par com objetivos de recrutamento, à “caça” do melhor talento entre os 70 mil participantes deste ano.

Apesar do investimento no Web Summit estar sobretudo focado nos negócios, a OutSystems reconhece que existe cada vez mais uma oportunidade para atração de talento. “este ano a nossa estratégia passou por ter duas pessoas dedicadas ao talento. Assim, pudemos explicar detalhadamente quais são as nossas oportunidades de carreira, como funcionam os processos de contratação, como é a cultura da empresa, bem como falar de outras oportunidades como estágios e teses de mestrado, para dar alguns exemplos”, explicou ao SAPO TEK Alexandra Monteiro, Senior Director, People Success da OutSystems.

Durante os três dias contaram com cerca de 400 potenciais candidatos que vieram ter com a equipa para perceber a proposta de valor do novo unicórnio português. “Aproveitámos a oportunidade para, proativamente, explicar como é que podem entrar em contacto direto com os líderes de equipa e com a equipa de recrutamento nas redes sociais, conectarem-se connosco no LinkedIn e seguir os nossos canais oficiais nas redes sociais”, sublinha a responsável pela área de recursos humanos.

Em termos de perfis foram identificados dois tipos muito específicos: universitários que estiveram no Web Summit como voluntários e utilziaram o tempo livre para procurar um primeiro emprego, e candidatos de middle management de vários países que querem perceber onde se poderiam “encaixar”  e considerar transição de carreira.

“Queremos repetir a experiência no próximo ano”, garante Alexandra Monteiro, sobretudo depois do anúncio de que o Web Summit se vai manter em Lisboa por mais uns anos. Isto apesar da empresa ter uma série de eventos internacionais em nome próprio, como o OutSystems NextStep ou a conferência de desenvolvimento OWDC que decorreu esta semana no Centro de Congressos do Estoril.

Audiências mais focadas e à procura de upgrade à tecnologia

“Este ano noto que há uma evolução do tipo de audiência […] há perguntas mais concretas, as startups querem saber como usar a blockchain, como podem usar o quantum cumputer e tirar partido desta tecnologia”, explica ao SAPO TEK Gonçalo Costa Andrade, responsável de Cloud da IBM em Portugal. O tipo de evento não permite comparação com outras grandes feiras, como a CeBIT ou o MWC e lembra que nenhuma tem a concentração de empreendedores, mas que se nota claramente um interesse crescente pelas áreas de inteligência artificial e blockchain, com muitas startups a procurarem soluções para aplicarem nas suas ideias de negócio.

Este ano a IBM não sente tanta procura em termos de emprego, nem em acesso a venture capital, mas mais mesmo na forma como a tecnologia pode trazer mais valor. “Por vezes vêm ao nosso stand com uma questão específica, falam com os nossos especialistas, e já saem com novas funcionalidades ativadas”, justifica. Uma mudança no stand e na forma de apresentar as soluções, com o computador quântico como “peça” central gera curiosidade e tem um efeito muito positivo para ser um ponto de atração entre os milhares de visitantes.

Mais mulheres é uma das boas notícias para a Accenture Portugal

A possibilidade de atrair mais talento é considerada crucial para a Accenture Portugal, que tem um stand no Web Summit desde o primeiro ano em Portugal. “A Accenture vive de talento, que para nós é fundamental […] temos uma percentagem muito grande de sucesso de recrutamento entre estrangeiros e portugueses”, explicou ao SAPO TEK Pedro Lopes, Accenture Technology Lead. A empresa trouxe este ano várias experiências inovadoras que demonstram a aposta na inteligência artificial e na user experience, em especial uma que gerou bastante sucesso, um “barman” tecnológico que reconhecia o estado de espírito do visitante e fazia um cocktail à medida, totalmente personalizado. “Este bar inteligente mostra ao vivo como se pode combinar as duas áreas de uma forma muito interessante”, refere.

A maior afluência de visitantes e diversidade de pessoas facilitam o processo de recrutamento, e Pedro Lopes lembra que hoje o tipo de oferta tem de ser mais direcionado aos novos interesses. “Os jovens têm mais foco nos projetos e no tipo de trabalho que podem fazer e não tanto no nome da empresa e nas condições financeiras”, refere. O maior número de mulheres presente é também um ponto positivo. “A Accenture foi reconhecida como a empresa mais inclusiva do mundo e esta área é fundamental. […] até 2025 o nosso objetivo é conseguir um ‘head count’ com 50% de mulheres, num total de 430 mil pessoas”, justifica.

Montra de serviços e “radar” de talentos

Ainda a preparar o balanço do Web Summit, a SIBS foi uma das presenças dinâmicas na área de exposição, dando a conhecer os seus produtos e soluções mas também ligando o “radar” para identificar projetos inovadores.  “A SIBS acredita que os modelos colaborativos são a fórmula a adotar neste mercado que está a crescer exponencialmente, por isso estamos permanentemente atentos a oportunidades de colaboração ou de incorporação de ideias. A partilha de know how e de soluções com fintechs deve fazer parte da inovação das empresas”, afirma Maria Antónia Saldanha, diretora de comunicação da SIBS.

Com um programa de apoio a fintechs em curso, o SIBS PAYFORWARD viu também o Web Summit como uma oportunidade para captar startups e fintechs para esta iniciativa. A empresa aproveitou para abrir oficialmente a terceira edição do programa de aceleração na área dos pagamentos, destinado a startups com soluções nesta área.

E o recrutamento foi também um dos objetivos. “A SIBS vê no evento uma enorme oportunidade para atrair talento nacional e internacional dos perfis alinhados com as novas exigências das empresas, focadas na economia digital”, explica, adiantando que vivemos uma geração de foco no consumidor e na sua experiência, onde a tecnologia é a protagonista, pelo que não é de estranhar que mais de metade dos profissionais procurados tenham perfis relacionados exatamente com a tecnologia e por isso o Web Summit “revela-se particularmente interessante para identificar profissionais, seniores ou mais juniores, de gestão e aplicação de tecnologia, nas áreas do desenvolvimento aplicacional, automação e data science, assim como perfis com capacidade analítica e domínio de ferramentas estatísticas”

Investimento, conhecimento e oportunidade de integrar as equipas

À semelhança das empresas já referidas, os contactos feitos com a Novabase no stand do Web Summit estiveram focados nestas três áreas. Paula Matias, head of Marketing for Financial Services da Novabase diz que os visitantes “pretendem conhecer melhor a Novabase, muitos deles focados em saber mais sobre o nosso produto Wizzio - digital banking platform”. Mas também há startups que procuram investimento para as suas ideias, por isso estava também no local a equipa de Venture Capital, disponível para as analisar. À procura de uma oportunidade de emprego, com a possibilidade de se juntarem à equipa, eram os mais jovens, sobretudo.

Em termos de nacionalidades, os contactos no geral são “alguns portugueses, que já conhecem a empresa, mas sobretudo estrangeiros, que também já conhecem a Novabase de outros eventos mas que querem aprofundar a relação e o seu conhecimento dos serviços e produtos que oferecemos ao mercado”.

E o futuro? “Até ao momento o balanço tem sido muito positivo a todos os níveis e tem correspondido às nossas expetativas e aos objetivos que definimos”, explicou ao SAPO TEK. “Depois de uma análise mais profunda, que contamos fazer nos próximos dias, vamos decidir o modelo de participação dos próximos anos. Consideramos que a Novabase, enquanto maior tecnológica nacional, deve continuar a apoiar aquele que é o maior evento de tecnologia do mundo”, justifica.

O Web Summit 2018 decorreu em Lisboa entre os dias 6 e 8 de novembro e o SAPO TEK acompanhou intensamente as conferências e a exposição. Pode ver aqui todas as reportagens e as fotografias.

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