Um novo relatório da Interpol realça que as fraudes financeiras são agora um dos crimes internacionais mais graves e que mais rapidamente evoluem, com consequências económicas e humanas significativas.

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De acordo com os dados avançados, a crescente colaboração entre criminosos a nível global fez com as fraudes financeiras deixassem de ser um crime isolado, passando a estar ligadas a outras atividades ilegais, incluindo crime organizado, tráfico humano e cibercrime.

O relatório indica que as fraudes impulsionadas por IA, em particular com agentes que são capazes de planear e de executar campanhas completas de maneira autónoma, são 4,5 vezes mais lucrativas do que os esquemas que recorrem a métodos tradicionais.

A Interpol avança que os esquemas de sextortion estão a ser sistematicamente integrados em fraudes de romance e investimento, com os criminosos a usarem frequentemente conteúdos gerados por IA.

Citado em comunicado, Valdecy Urquiza, Secretário-Geral da Interpol, afirma que “estamos a assistir à industrialização da fraude”, impulsionada por IA, ferramentas digitais de baixo custo e pela crescente colaboração global entre cibercriminosos.

As redes criminosas estão também a colaborar cada vez mais com grupos especializados em lavagem de dinheiro, partilhando conhecimentos e tecnologia para expandir as suas operações a nível global.

O relatório aponta ainda para o uso de fraudes, sobretudo esquemas baseados em criptomoedas, por grupos terroristas em algumas regiões africanas como fonte de financiamento.

Além disso, centros de fraudes, outrora reconhecidos como um fenómeno regional, foram identificados um pouco por todo o mundo, envolvendo centenas de milhares de pessoas, muitas delas vítimas de tráfico e obrigadas a participar em esquemas fraudulentos online.

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A Interpol afirma que, embora estas operações sejam muitas vezes encerradas pelas autoridades, os responsáveis continuam a ser difíceis de identificar, uma vez que usam intermediários e empresas falsas para esconder a sua identidade.

Para combater este fenómeno, foi lançada a operação Shadow Storm, descrita como uma nova task-force internacional que vai usar ferramentas como o I-GRIP, um mecanismo de bloqueio de pagamentos, para impedir não as fraudes financeiras geradas por estes centros, mas também casos de cibercrime e de tráfico humano.

Apesar da rápida evolução das fraudes financeiras, o relatório destaca a colaboração entre autoridades. Desde 2024 que o número de alertas da Interpol sobre fraude aumentou 54%, com apoio a países membros em mais de 1.500 casos internacionais de fraude, envolvendo ativos perdidos avaliados em 1,1 mil milhões de dólares.

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