Depois de publicar, em dezembro do ano passado, uma investigação que mostra como a IA pode ajudar a acelerar a descoberta e tratamento de cancros, a Microsoft revela novos avanços nesta área com o GigaTIME, um modelo multimodal que converte imagens de rotina de patologias em proteómica espacial, ou seja, a área de biologia que estuda quais as proteínas que estão presentes num tecido e onde estão exatamente localizadas.
Segundo um vídeo partilhado por Satya Nadella, CEO da empresa, esta inovação, que passa a estar disponível através da plataforma Microsoft Foundry, procura facilitar o tratamento do cancro, reduzindo o tempo e custos, abrindo o acesso a cuidados especiais dos pacientes.
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A proteómica espacial permite compreender como as células comunicam entre si, onde estão as células imunitárias, aquelas que são afetadas por tumores e as saudáveis. Desta forma, há um maior controlo de como o cancro se organiza e evolui, assim como partes do tumor podem responder melhor a certos tratamentos. Através da IA, os investigadores conseguem ter acesso a um mapa mais detalhado, ajudando os médicos a diagnosticarem e tratarem o cancro com maior eficiência. A Microsoft destaca o seu compromisso em usar a inteligência artificial na investigação médica e para encontrar novas formas de tratamento.
O modelo é capaz de transformar lâminas de patologia comuns em dados avançados de proteómica espacial, que na sua forma tradicional exigem procedimentos caros em laboratório e os resultados mais demorados de obter. A tecnologia consegue mapear as proteínas em tecidos cancerígenos a partir destas imagens simples e dessa forma acelerar os processos e análises essenciais para a investigação e diagnóstico, de uma forma menos dispendiosa.
Dessa forma, o trabalho da Microsoft, em parceria com a Universidade de Washington e a Providence Health & Services, dá acesso a métodos avançados no estudo do cancro a nível global, favorecendo sobretudo os laboratórios com recursos escassos.
O GigaTIME foi treinado a partir de 40 milhões de células e com dados de 14 mil pacientes. O modelo gerou um conjunto virtual de imagens mIF (imunofluorescência multiplex) com cobertura de 24 tipos de cancro e mais 300 subtipos. Esta tecnologia ajuda a prever quais os pacientes que podem responder melhor à imunoterapia, considerado um dos tratamentos mais promissores contra o cancro, explica Hoifung Poon, diretor geral da Microsoft Research. Esta técnica permite aos investigadores combater o cancro através do sistema imunitário.
O principal desafio é compreender como os pacientes vão responder a esses tratamentos. Nas práticas tradicionais, este tratamento demora vários dias e custam milhares de dólares. Para ajudar os hospitais e centros de investigação a acelerar os estudos de oncologia com maior precisão e com menos custos, o modelo GigaTIME está disponível publicamente, incluindo na plataforma Hugging Face.
É explicado que o modelo consegue converter uma imagem numa matriz complexa colorida, composta por diferentes lâminas sobrepostas. As cores representam a ativação das proteínas, sendo os elementos-chave que conduzem às doenças, sobretudo o cancro. Ao obter esta informação, o modelo ajuda a prever a resposta dos doentes aos medicamentos administrados.
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