Anteriormente conhecido como Clawdbot e Moltbot, o OpenClaw, descrito como um assistente de IA autónomo capaz de realizar tarefas pelos utilizadores, tornou-se viral nas últimas semanas. Pouco tempo depois, surgiu uma nova plataforma, chamada Moltbook, numa espécie de rede social para chatbots de IA, que captou ainda mais a atenção dos internautas.

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Qual é a ligação entre as duas plataformas, por que motivo se tornaram virais e que problemas de segurança levantam? Neste explicador, reunimos um conjunto de perguntas e respostas essenciais para o ajudar a compreender o tema.

O que é o OpenClaw?

Desenvolvido por Peter Steinberg, o projeto nasceu em novembro de 2025 e, na altura, ainda se chamava Clawd, num trocadilho inspirado pelo Claude. No entanto, a popularidade do assistente chamou a atenção da Anthropic, que enviou uma notificação legal ao programador, alegando que o nome violava a marca "Claude".

Peter Steinberger aceitou renomear a plataforma para Moltbot, numa referência à mudança de carapaça das lagostas. Mas esse nome acabou por não durar muito tempo, passando mais recentemente para OpenClaw.

OpenClaw
OpenClaw

No seu website, o OpenClaw é descrito como um assistente de IA autónomo e de código aberto que pode ser descarregado, funcionando diretamente no computador dos utilizadores.

O assistente foi concebido para realizar tarefas como enviar emails e mensagens, funcionando em plataformas como WhatsApp, Telegram, Discord, Slack ou Teams, gerir o calendário, ou até fazer reservas online para, por exemplo, voos ou restaurantes.

Que riscos existem para a segurança?

Como aponta Erich Kron, (CISO advisor at KnowBe4), em declarações à Forbes, um dos principais riscos relaciona-se com a quantidade de informação a que o OpenClaw pode aceder.

Segundo o responsável, dar acesso total à caixa de correio eletrónico até pode fazer algum sentido se o objetivo é usá-lo como um assistente pessoal. No entanto, conceder esse tipo de acesso a um agente de IA pode abrir a porta a ameaças reais à segurança e privacidade dos dados.

Citado pela mesma publicação, Stefan Dasic, investigador da Malwarebytes, afirma que conceder controlo total de um sistema a um agente de IA é arriscado. “Se for comprometido, o OpenClaw pode aceder a palavras-passe guardadas, documentos pessoais, sessões de navegação online e dados financeiros”.

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Anteriormente, investigadores na área da cibersegurança já tinham identificado centenas de instâncias expostas online sem qualquer tipo de proteção, dando acesso a chaves de API e mensagens privadas, bem como à possibilidade de controlar totalmente o sistema .

Além disso, surgem também riscos significativos para a privacidade, resultantes do acesso e armazenamento de dados sensíveis dos utilizadores, realça Louis Rosset-Ballard, líder de equipa na Pentest People.

Os especialistas da Check Point Software alertam também para os novos desafios que plataformas como o OpenClaw podem trazer para as empresas. Em comunicado, a empresa de cibersegurança realça que, quando agentes deste tipo passam a interagir com caixas de email, ficheiros partilhados, dashboards internos ou ambientes de desenvolvimento, “deixam de ser experiências pessoais e passam a integrar, muitas vezes sem controlo, a superfície de ataque das organizações”.

O que é o Moltbook?

Criado por Matt Schlicht, empresário norte-americano na área da tecnologia e CEO da Octane AI, o Moltbook é uma plataforma ao estilo do Reddit, mas para agentes de IA, num espaço onde diferentes instâncias do OpenClaw podem interagir entre si autonomamente e onde os “humanos são bem-vindos para observar”, como indica o seu mote.

De acordo com dados partilhados pela plataforma na sua homepage, mais de 2,2 milhões de agentes têm contas, com mais de 716 mil publicações e mais de 12 milhões de comentários.

São mesmo só bots?

Apesar dos números e das publicações feitas na plataforma, que rapidamente captaram a atenção dos internautas com temas que, à primeira vista, levam alguns a pensar que os agentes de IA ganharam realmente vida e estão a planear uma possível “vingança” contra os humanos, muitas delas não são o que parecem.

Ao MIT Technology Review, Vijoy Pandey, vice-presidente da Outshift by Cisco, explica que “o que estamos a observar são agentes a replicar padrões de comportamento nas redes sociais”.

Como aponta a publicação, grande parte do conteúdo do Moltbook envolve muita intervenção humana, com muitos dos comentários que se tornaram virais a serem feitos por pessoas que se faziam passar por bots. Além disso, mesmo as publicações feitas por agentes são resultado de intervenção humana.

“O Moltbook não é o Facebook dos agentes de IA, nem um espaço sem humanos”, afirma Cobus Greyling da Kore.ai. “Os humanos estão envolvidos em cada passo, da configuração, passando pelo prompt, até à publicação. Nada acontece sem intervenção humana”, realça.

Que riscos traz o Moltbook?

Tal como aconteceu com o OpenClaw, não demorou muito tempo até que especialistas em cibersegurança encontrassem problemas. De acordo com uma investigação da Wiz, o Moltbook tinha uma falha grava que expôs dados privados de milhares de utilizadores. 

Segundo os investigadores, a falha acabou por revelar inadvertidamente mensagens privadas trocadas entre agentes, bem como os endereços de email de mais de 6.000 utilizadores e mais de um milhão de credenciais.

Citado pela Reuters, Ami Luttwak, cofundador da Wiz, explica que o problema foi corrigido após a empresa ter entrado em contacto com a plataforma. No entanto, o caso levanta preocupações acerca das plataforma criadas a partir "vibe coding", ou seja, com a ajuda de IA. Anteriormente, o criador do Moltbook já tinha defendido a prática, afirmando na rede social X que “não escreveu uma linha de código” para a plataforma.

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