Um assistente pessoal de inteligência artificial de código aberto, desenvolvido por Peter Steinberg, fundador do PSPDFKit, tornou-se viral nas últimas semanas, acumulando mais de 60 mil estrelas no GitHub. O projeto, originalmente chamado Clawdbot, prometia executar tarefas reais em vez de apenas responder a perguntas, mas enfrentou um fim de semana caótico, que resultou numa queixa formal, contas invadidas e vários alertas de segurança.
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O programador austríaco, que já se tinha confessado um "Claudohólico" no seu blog pessoal, gostava tanto do funcionamento deste modelo que o usou como inspiração para a criação do Clawdbot.
O assistente foi criado para ajudar a gerir a vida digital recorrendo inicialmente ao Claude, mas qualquer utilizador podia escolher o modelo de IA que desejasse, como o ChatGPT e o Gemini. O Clawdbot integrava-se posteriormente com as apps mais utilizadas, como o WhatsApp, Telegram, Slack, iMessage e Discord, e conseguia automatizar tarefas como reservar voos ou organizar emails.
Porém, a popularidade do assistente chamou a atenção da Anthropic, que enviou notificação legal alegando que "Clawd" violava a marca "Claude". Peter Steinberger aceitou renomear o nome para Moltbot, referência à muda de carapaça das lagostas.
Durante a transição, burlões de criptomoedas apoderaram-se das suas contas no GitHub e no X, promovendo um token falso, chamado $CLAWD, que chegou a atingiu 16 milhões de dólares de capitalização, avança a CNET. Peter Steinberger conseguiu recuperar as contas, mas o dano reputacional já estava feito.
Paralelamente, investigadores de segurança alertaram sobre vulnerabilidades graves. Luis Catacora descobriu através do Shodan que centenas de instâncias estavam expostas na internet sem autenticação, dando acesso a shells de sistema e chaves de API. Jamieson O'Reilly, da Dvuln, também confirmou ser extremamente simples identificar o acesso a servidores vulneráveis.
O problema fundamental reside na premissa do Moltbot. Ao contrário do ChatGPT, o assistente executa comandos arbitrários no computador. Como explicou o empresário Rahul Sood, uma mensagem maliciosa pelo WhatsApp poderia levar o Moltbot a executar ações não autorizadas sem conhecimento do utilizador. Esta vulnerabilidade a ataques de injeção de “prompts” tornou-se uma das maiores preocupações.
Apesar dos riscos, defensores argumentam tratar-se de uma visão genuína do futuro dos assistentes de IA. O Moltbot é de código aberto e funciona localmente em vez da nuvem. Contudo, especialistas recomendam a sua execução num servidor privado virtual separado com contas descartáveis, e nunca no seu computador pessoal, com dados e credenciais sensíveis.
Esta saga com o Moltbot serviu para expor as fragilidades do ecossistema de IA. Para programadores de código aberto, a situação demonstrou os riscos de construir sobre plataformas corporativas com políticas de marcas ambíguas. Um aviso legal pode forçar mudanças que expõem o projeto a apropriações e caos. O caso levantou também questões sobre estratégias das empresas de IA face aos programadores independentes que, ironicamente, promovem a adoção destas tecnologias.
Outro problema foi que o entusiasmo criado em torno da temática é tão forte que conseguiu influenciar mercados. As acções da Cloudflare subiram 14 por cento, impulsionadas pelo interesse na infraestrutura usada para executar o Moltbot. A atenção mediática provocou inclusive um inesperado aumento nas vendas de computadores como o Mac Mini, por ter sido popularizado como sendo o dispositivo ideal para alojar o assistente de forma permanente.
Peter Steinberger alertou seguidores no X sobre cerca de 20 perfis falsos, reiterando que a única conta legítima é @moltbot. O programador continua a desenvolver o projeto no GitHub, mas reconhece que o mesmo não está pronto para utilizadores não técnicos. Especialistas recomendam que quem desconhece conceitos como VPS (servidores virtuais privados) ou saiba gerir permissões de sistema, que aguarde por versões mais maduras. O Moltbot representa uma evolução significativa da IA conversacional para automação prática, mas os eventos recentes demonstram que o caminho para adopção generalizada ainda está repleto de desafios técnicos, legais e de segurança.
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