A startup portuense Didimo tem vindo a refinar a sua plataforma de criação de “humanos digitais”, com avatares virtuais que representam os utilizadores em diferentes ecossistemas e nos últimos anos a indústria de videojogos foi o seu principal foco, mas o futuro passa por outras áreas, como explicou Verónica Orvalho, CEO e fundadora da empresa deep tech portuguesa.

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O projeto nasceu de mais de uma década de investigação em computação gráfica, machine learning e animação facial, que se transformou num produto focado numa necessidade da indústria.

“Começámos por desenvolver o core da tecnologia, com aplicação em várias indústrias e depois escolhemos um foco muito centrado nos videojogos”, adiantou Verónica Orvalho em entrevista ao TEK Notícias.

Desde a fundação em 2016 o projeto já evoluiu muito e ganhou espaço num mercado de elevado valor, onde a plataforma de criação de avatares 3D ajuda a “popular” ambientes digitais. O Popul8 automatiza a criação de personagens, gerando de forma quase instantânea milhares de avatares preparados para os jogos com base em definições de arte e estilo adaptadas aos jogos.

“Começámos com avatares de pessoas mas agora podemos criar criaturas fantásticas, cartoons e animais”, explica ao TEK Notícias, referindo exemplos de utilização pela Electric Square (Kara), Colossal Order (City Skyline) e Playable Worlds (Stars Reach). “Ninguém faz o mesmo que nós, a concorrência são os processos tradicionais dos estúdios”.

Criação de avatares com o Popul8
Criação de avatares com o Popul8 Criação de avatares com o Popul8 créditos: Didimo

A criação de personagens é um dos estrangulamentos no processo de criação de videojogos e os estúdios perdem semanas neste processo, que atrasa os jogos, inflacionando os custos. Com a plataforma Popul8 o objetivo é acelerar o processo, sem perder qualidade nem originalidade.

Veja o vídeo de demonstração da criação de personagens no Cities Skylines II e Avalon

Esta é uma área onde Verónica Orvalho diz que a empresa quer continuar a crescer, e que tem um grande potencial, mas a fundadora da Didimo está já a olhar para outras indústrias, focadas na área de treino e simulação, como a indústria de cuidados de saúde e condução autónoma. “Estamos em conversações preliminares”, adiantou na entrevista, lembrando que muitas indústrias querem entrar em mundos imersivos.

“Antigamente havia silos e a tecnologia está a fazer a fusão das necessidades das indústrias”, justifica, sublinhando que a Didimo consegue resolver um problema muito concreto, que é uma necessidade identificada, de criar quase um número infinito de personagens únicas e diferentes. “Temos a tecnologia para simular uma demografia de um local e fica à imaginação das empresas como usar”, afirma, admitindo que o “ouro” são os dados. “Há muita quantidade de dados 2D mas 3D mão e nós estamos nesse processo de transformação das personagens”.

Na lista de projetos está também a criação de um modelo de negócio para a área de conteúdos gerados por utilizadores, virado para a comunidade artística, com para dar software a artistas para, uma área onde a Didimo tem já um piloto a decorrer.

Financiamento para crescer

O crescimento da Didimo desde 2016 tem sido sustentado em várias rondas de investimento e em 2022 a startup conseguiu garantir um financiamento de Série A, no valor de 7,150 milhões de dólares, liderada pela Armilar Venture Partners e com a participação da Bright Pixel Capital, Portugal Ventures e Techstars.

A empresa integra o programa europeu EIC ScalingUp e é apontada como uma das deep tech mais promissoras do ecossistema europeu, contando também com  financiamento europeu através do SME Instrument. Veronica Orvalho é, desde 2024, Embaixadora de Inovação do  European Innovation Council (EIC) e ao TEK Notícias destacou a importância dos instrumentos que permitem Às empresas crescer sem ter de fazer evoluir o equity.

“Participar nestes projetos [como o SME Grant] abre muitas portas”, afirma, lembrando que é um processo muito competitivo e que é importante que as empresas estejam preparadas para responder aos desafios.

O EIC é atualmente o maior investidor público em inovação deep tech na Europa e o novo EIC Work Programme, que arranca este ano, tem oportunidades de financiamento de mais de 1,4 mil milhões de euros para tecnologias estratégicas e crescimento de empresas. Verónica Orvalho mencionou o EIC Pathfinder mas também o EIC Transition e o EIC Accelerator.

“Estes instrumentos podem ajudar a preencher o ‘gap’ de validação da tecnologia  mas há que ter em consideração que a União Europeia quer apostar em áreas diferenciadoras […] é preciso saber como fazer o projeto destacar-se”.

Este mês o EIC (European Innovation Council) abriu novas candidaturas para  suporte a tecnologias deep tech e inovação de alto impacto. Entre estes está o "EIC Advanced Innovation Challenges 2026", com prazos de candidatura em andamento e o programa EIC Accelerator 2026 com 634 milhões de euros para PMEs e startups.

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