Um estudo recente revela que a antiga separação das placas tectónicas criaram ondas agitadas que remexeram os continentes, em movimentos lentos, durante dezenas de milhões de anos. Esses movimentos foram os responsáveis por esculpir a topografia no interior profundo das massas continentais. Como aponta o artigo publicado na Science, quando as forças das placas tectónicas desfizeram os continentes, este foi um processo “incrivelmente” violento, mas desenrolado em câmara lenta.

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Até aqui julgava-se que o fenómeno era local, com as fendas vulcânicas a expelirem o magma, fazendo crescer sementes de rocha ao longo das mesmas, enquanto os interiores frios e distantes dos continentes permaneciam intactos. Mas o estudo, publicado inicialmente na Nature, contraria essas teorias, afirmando que esta violência localizada gera ondas que se expandem no manto, moldando toda a superfície dos continentes. 

Os cientistas argumenta que quando esses rasgos ocorrem, o manto ascendente roça contra as placas continentais frias que estão por cima, criando correntes de rocha que rodopiam. Estes vórtices deslocam-se, muito lentamente, ao longo das quilhas do continente, num efeito semelhante à turbulência a correr debaixo de um navio. À medida que avançam, provocam todo o tipo de perturbações bem acima.

Veja as imagens do estudo

Muitos fragmentos continentais cratónicos dispersos durante as fendas e a fragmentação do supercontinente Gondwana, foram delimitados por declives topográficos acentuados, conhecidos como as “grandes escarpas”, formando planaltos elevados. De forma tradicional, os planaltos e as escarpas eram consideradas formações distintas, devido à sua separação espacial, por vezes superior a mil quilómetros. O estudo, que ligou as observações geológicas, análises estatísticas e simulações geodinâmicas, assim como modelos de evolução da paisagem, permitiu criar um modelo físico que liga mecanicamente os fenómenos às fendas continentais.

Os cientistas afirmam que as escarpas se formam a partir de falhas na borda das fendas, que recuam lentamente, a cerca de um quilómetro por cada milhão de anos, através de erosão regressiva. Mas em simultâneo, as fendas geram instabilidades no manto que migram em direção ao cráton, a uma velocidade mais elevada, entre 10-20 quilómetros por milhão de anos, ao longo da raiz litosférica. Ao mesmo tempo vai removendo progressivamente essas “quilhas” cratónicas, formando um planalto elevado e estável.

Estes movimentos em ondas do manto podem explicar porque é que muitos planaltos existem localizados nos interiores frios dos continentes, tais como as montanhas do noroeste do Rio de Janeiro, no Brasil ou as montanhas Western Ghats da Índia. Na passagem das ondas, estes podem remover rochas e aumentar entre 1 a 2 quilómetros para criar os planaltos.

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