Hoje assinala-se o Dia da Terra, uma data que, este ano, fica marcada pela temática “Investir no Planeta”, alertando para a necessidade urgente de lutar contra as alterações climáticas e de tomar medidas com vista a um futuro mais sustentável.

A tecnologia é uma parte central das nossas vidas e, para muitos, seria quase impossível conseguir viver sem smartphones, computadores e muitos outros equipamentos eletrónicos. No entanto, as práticas da indústria tecnológica têm também um impacto negativo no nosso planeta: das emissões e poluição ambiental resultantes da cadeia de produção e distribuição às toneladas de lixo eletrónico geradas todos os anos.

Tendo em conta o tema que marca do Dia da Terra 2022, o que estão a fazer as gigantes tecnológicas para investir no planeta e criar um futuro mais sustentável?

De metas de sustentabilidade à aposta em materiais reciclados

Para muitas empresas, incluindo tecnológicas, o Dia da Terra é uma oportunidade para reforçar os compromissos ambientais feitos anteriormente, assim como apontar para novas metas de sustentabilidade.

Em 2020, a Apple tinha já anunciado que queria alcançar a neutralidade carbónica em todo o negócio, na cadeia de abastecimento e no ciclo de vida dos produtos até 2030, apresentando o seu plano cumprir os objetivos a que se propõe.

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A gigante de Cupertino tem vindo a tomar uma série de medidas mais “amigas” do ambiente, como vender os seus smartphones sem carregadores, para evitar a acumulação de carregadores que ainda estão em boas condições em lixeiras, além de apostar na utilização de materiais reciclados nos seus equipamentos.

Nunca a Apple tinha usado tantos materiais reciclados nos seus produtos
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Recentemente, no seu último relatório de progressos ambientais, a Apple revelou que tem investido no desenvolvimento de máquinas que lhe permitem desmontar equipamentos eletrónicos e recuperar metais recicláveis. A estratégia permitiu à Apple incluir 20% de materiais reciclados nos seus produtos, em 2021: o valor mais alto que a marca já registou.

Mesmo assim, a empresa admite que há áreas em que precisa de trabalhar mais e, apesar dos investimentos na reciclagem de materiais, o sucesso não se replica, por exemplo, nas emissões de gases poluentes.

A Google, que afirma que atingiu a neutralidade carbónica em 2007, também apontou para 2030 como meta para apagar todo o seu legado de carbono, assumindo o compromisso de trabalhar com energia livre de carbono em todos os data centers e campus espalhados pelo mundo.

Em 2020, a gigante de Mountain View deu a conhecer que todos novos equipamentos das linhas Pixel e Nest continham materiais reciclados, compromete-se a usar este tipo de materiais em pelo menos 50% de todos os produtos que sejam feitos à base de plástico até 2025.

Este ano, para assinalar o Dia da Terra, a Google detalha o que tem feito desde 1998 na área da sustentabilidade, atualizando também as suas metas para o futuro, entre investimentos em descarbonização e parcerias, programas de poupança de energia e medidas de consciencialização dos utilizadores dos seus serviços.

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A Meta, que lançou novas funcionalidades nas suas redes sociais a propósito do Dia da Terra, também tem a sua própria estratégia de redução do seu impacto climático e está a trabalhar em várias iniciativas que recorrem a inteligência artificial para ajudar a proteger a saúde e a vitalidade do planeta.

Um dos exemplos é a colaboração entre a equipa de modelagem física, a equipa de sustentabilidade e a Meta AI Research, onde os investigadores contribuem com métodos de visão computacional de ponta que interpretam imagens de satélite para produzir mapas extremamente detalhados das florestas.

A utilização de materiais reciclados em equipamentos eletrónicos tem vindo a tornar-se cada vez mais popular à medida que as empresas se apercebem do impacto que têm no meio ambiente e que os consumidores ganham uma maior consciência das suas escolhas.

A Microsoft, que tem vindo a reforçar os seus compromissos para com a proteção do meio ambiente, anunciou este ano um novo plano de sustentabilidade na sua divisão de gaming, prometndo estar livre do carbono em 2030, numa estratégia ambiental que inclui a poupança de água, energia e desperdícios para os próximos anos. A tecnológica realçou que em 2030 pretende desenhar a sua consola Xbox e respetivos acessórios para serem 100% recicláveis, em todos os países pertencentes a OCDE.

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Os materiais reciclados também fazem parte da sua estratégia nos acessórios que acompanham os equipamentos da linha Surface, como o Ocean Plastic Mouse, um rato de computador construído com materiais reciclados recuperados do mar. A Microsoft não é a única a incluir materiais reciclados nos seus produtos, e, no mundo dos computadores, contam-se ainda empresas como a ACER ou a HP.

Já no que toca a smartphones, a Fairphone tem se destacado pelas criações mais sustentáveis, mas há mais tecnológicas a mudar as suas práticas. Este ano, a Samsung anunciou que vai transformar redes de pesca antigas em componentes para novos smartphones Galaxy

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O objetivo é ajudar a reduzir a sua pegada ambiental, assim como levar os utilizadores a terem estilos de vida um pouco mais sustentáveis. Os smartphones Galaxy S22 foram os primeiros equipamentos da marca a incluir este tipo de material, neste caso, plásticos localizados a cerca de 50 quilómetros da costa em zonas onde não existem serviços eficazes de limpeza.

Assegurar que os equipamentos eletrónicos têm um tempo de vida útil mais longo, permitindo que os utilizadores os possam reparar por si próprios passou a ser uma prioridade para as tecnológicas.

Recentemente, a Samsung passou a dar aos utilizadores a possibilidade de repararem os seus smartphones e tablets. A gigante sul-coreana junta-se assim à Apple, que já tinha permitido reparações DIY no caso dos smartphones iPhone 12 e iPhone 13 através de peças oficiais fornecidas, assim como manuais e ferramentas, e à Microsoft, que abriu o seu programa de reparações para o Surface, também suportada por uma parceria com a iFixit.

Demasiado “amigo” do ambiente para ser verdade?

Embora as empresas tecnológicas se comprometam a tomar medidas em prol da sustentabilidade e da preservação do meio ambiente, será que as promessas correspondem verdadeiramente às suas práticas?

Um relatório elaborado pela organização NewClimate Institute revela que os planos apresentados por 25 das maiores empresas internacionais, onde se incluem várias gigantes tecnológicas, não são o que parecem e que muitas acabam por não ter uma estratégia totalmente clara em relação aos seus objetivos de redução de poluição.

As empresas foram avaliadas tendo por base o quão claros são os seus objetivos relativamente à sustentabilidade ambiental, a sua transparência no que toca emissões, assim como as medidas que estão realmente a pôr em prática. Por um lado, tanto a Amazon como a Google destacam-se pela negativa. Por outro, a Apple e a Sony contam uma melhor “nota” na avaliação, se bem que estejam longe do topo do ranking.

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Mas há mais questões a ter em conta e, análises relativas às medidas que as tecnológicas estão a tomar relativamente à desinformação sobre as alterações climáticas, demonstram que apesar dos seus compromissos, existem falhas.

Em fevereiro, um estudo, levado a cabo por investigadores do Center for Counter Digital Hate, revelou que mais de 50% das fake news sobre alterações climáticas passavam despercebidas pelo “radar” do Facebook. Já em abril, um estudo da Greenpeace chegou a conclusões semelhantes, não só no caso do Facebook, mas também de plataformas como Twitter e TikTok.

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