Atualmente a inteligência artificial domina o quotidiano das empresas e das pessoas, graças aos chatbots inteligentes capazes de responder a (quase) tudo. Mas se olharmos para trás no tempo, exatamente há 10 anos, eram registados marcos na tecnologia que pareciam saídos de filmes de ficção científica.

AlphaGo fez história em março de 2016 ao derrotar pela primeira vez o campeão mundial de Go, Lee Se-dol, detentor do título por uma década. Esta foi a primeira vitória do modelo de IA da Google, porque numa série de seis partidas que resolviam o encontro, a máquina ganhou por cinco vezes. O AlphaGo voltaria a repetir a proeza, um ano depois, quando derrotou Ke Jie, na altura considerado o melhor jogador de Go.

Não perca nenhuma notícia importante da atualidade de tecnologia e acompanhe tudo em tek.sapo.pt

A Google está a comemorar os feitos do AlphaGo, que nasceu no laboratório da DeepMind, destacando sobretudo a jogada que ficou conhecida como o “Movimento 37”, considerada criativa e pouco convencional, inicialmente confundida com um erro. Mas essa jogada demonstrou a capacidade de IA em superar a mímica humana e desenvolver estratégias completamente novas. Estas primeiras experiências competitivas, que resultaram na vitória contra o humano, são consideradas a faísca de que a IA poderia ir além da lógica humana e “resolver problemas de complexidade infinita”, destaca no seu blog assinado pelo CEO da DeepMind, Demis Hassabis.

Segundo é explicado, o AlphaGo aprendeu um modelo de jogadas plausíveis no Go, primeiro com as partidas realizadas por atletas humanos e depois ao jogar centenas de milhares de partidas contra si próprio. Depois foi melhorando à medida que as estratégias vencedoras mais fortes eram reforçadas. “O sistema considerou então apenas os caminhos potencialmente mais frutíferos e, a partir deste subconjunto mais pequeno de jogadas, encontrou aquela que tinha maior probabilidade de o levar à vitória”.

A empresa criou depois o AlphaGo Zero, que aprendeu o jogo a partir de partidas aleatórias, acreditando ser o jogador mais forte da história de Go. O modelo seguinte, AlphaZero aprendeu sozinho, a partir do zero, a dominar qualquer jogo de informação perfeita para dois jogadores, neste caso o xadrez, desenvolvendo novas estratégias.

DeepMind: nova IA consegue determinar a estrutura de uma proteína em conquista científica revolucionária
DeepMind: nova IA consegue determinar a estrutura de uma proteína em conquista científica revolucionária
Ver artigo

O sistema evoluiu dos tabuleiros de jogo para o laboratório, dando origem ao AlphaFold, que na sua segunda geração mapeou todas as proteínas conhecidas, o que rendeu à equipa um Prémio Nobel da Química. O AlphaFold 2 resolveu o problema de 50 anos do enovelamento de proteínas, prevendo a sua estrutura tridimensional e abriu caminho para avanços em medicina e biotecnologia. A Google diz que modelou as estruturas de todas as 200 milhões de proteínas conhecidas pela ciência, disponibilizando gratuitamente numa base de dados de código aberto. Atualmente é consultada por mais de 3 milhões de investigadores em todo o mundo.

O agente de programação AlphaEvolve explora o espaço do código informático para descobrir algoritmos mais eficientes. A Google diz que este descobriu uma nova forma de multiplicar matrizes, “uma operação matemática fundamental que alimenta quase todas as redes neurais modernas”. A IA foi igualmente utilizada para compreender melhor o genoma, em novos avanços de investigação sobre a energia de fusão, assim como melhorar a previsão meteorológica, entre outros exemplos, aponta a gigante tecnológica. Destaca ainda o AlphaEvolve está agora a ser testado em problemas que vão desde a otimização de centros de dados à computação quântica.

Atualmente, a herança do AlphaGo vive no Gemini, onde tenta compreender o mundo físico. O Gemini foi criado para ser multimodal, compreendendo a linguagem, o áudio, vídeo, imagens e código, tendo o objetivo de criar um modelo do mundo. “Para pensar e raciocinar nestas modalidades, os modelos mais recentes do Gemini usam algumas das técnicas que desenvolvemos com o AlphaGo e o AlphaZero”, disse Demis Hassabis.

Pegando no seu passado glorioso, como vencedor do jogo Go, a Google diz que o famoso “Movimento 37” é um vislumbre do potencial da IA pensar fora da caixa. No entanto, olhando para o futuro, a IA não terá de criar uma nova estratégia de Go, mas sim inventar um jogo que seja “tão profundo e elegante, e tão digno de estudo como o Go”. A Google considera que essa jogada com uma década catalisou os avanços para o futuro, abrindo caminho rumo à Inteligência Artificial Geral.

Assine a newsletter do TEK Notícias e receba todos os dias as principais notícias de tecnologia na sua caixa de correio.