Naves espaciais mais pequenas e mais tempo de viagem sem efeitos secundários são dois dos benefícios possíveis da utilização da colocação dos astronautas em estado de hibernação em viagens mais longas, pelo menos nos filmes de ficção científica, mas a realidade de passar a um estado de "animação suspenda" ainda não foi comprovada.

Já foram feitas avaliações iniciais no âmbito do programa Discovery, que apontou a hibernação como uma das ferramentas chave no âmbito do painel de Future Technology  da ESA, e foi criado um grupo de suporte dedicado à hibernação. Uma instalação multimédia permite avaliar a sua aplicação em missões futuras, como a que está planeada a Marte.

A equipa começou por avaliar a possibilidade de usar a hibernação numa missão com seis astronautas, repensando a arquitetura do foguetão e a logística, mas também outras questões como a proteção da radiação e o consumo de energia, como explica Robin Biesbroek da Concurrent Design Facility.

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"Avaliámos como poderia a equipa ser colocada em hibernação, o que fazer em caso de emergência e como gerir a segurança", adianta, acrescentando que também foi analisado o impacto psicológico da hibernação. Na sequência desta análise foi feito um esquema do habitat e criado um roadmap para o projeto, que seria aplicado no espaço de 20 anos.

O estudo refere que a massa total da nave poderia ser reduzida em um terço ao retirar o alojamento dos astronautas, e a mesma redução seria feita em consumiveis, o equivalente a várias toneladas de poupança de peso no geral. As capsulas de hibernação poderiam depois servir de cama quando os astronutas estivessem acordados.

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Há ainda desafios em relação à forma como o metabolismo seria gerido, e também a recuperação da massa muscular. O sono poderia ser induzido para que a viagem de 180 dias a Marte fosse mais fácil, mas tal como os animais em hibernação os astronautas teriam de ganhar massa gorda adicional para sobreviver a este período

Todos os estudos indicam que a concretização do método pode ultrapassar rapidamente os limites da ficção cientifica e tornar-se, dentro de alguns anos, uma realidade, com benefícios que a ESA quer continuar a explorar.

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