Cada vez mais assistimos ao lançamento de novos computadores de gaming em formato de portátil, e embora o hardware utilizado nos mesmos seja cada vez melhor, mais potente e mais eficiente, estes continuam aquém do verdadeiro potencial das suas arquitecturas em termos de processamento puro, algo que só pode ser replicado nas suas versões "completas", ou seja, num computador desktop. Para comprovar essa realidade, tivemos a sorte de receber este "Nvidia GeForce RTX AI PC" da PCDIGA, um computador que faz parte da linha de Gaming GML, e utiliza uma configuração claramente focada nos adeptos de videojogos, que desejam correr tudo no máximo. 

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Enquanto entusiasta que sou, os computadores de secretária são o expoente máximo da informática de consumo, e nos últimos anos temos assistido ao lançamento de componentes cada vez mais poderosos e recheados de novas e úteis funcionalidades. Neste caso em concreto estamos perante uma máquina com uma escolha criteriosa dos seus componentes, tendo em conta quela que será, indiscutivelmente, a sua finalidade principal, a de correr todos os jogos da atualidade nas definições máximas, e estar preparada para os desafios dos jogos de nova geração que estão ao virar da esquina.

Ao dirigir-me para a loja de Benfica, recordei com agrado o facto de ter estado presente na inauguração da loja original em Leiria, creio que em 2004 se a memória não me falha. Ao ser atendido, fui surpreendido com um caixote enorme, que serviu para transportar não só a caixa do PC, como as caixas dos componentes utilizados na sua montagem. De seu nome “Desktop PCDIGA Gaming GML-PR79VM5W11P”, confirmei posteriormente que esta máquina vem realmente equipada com componentes de "luxo", razão pelo qual não estranho o preço pedido pelo mesmo, de 3.599 euros.

Clique nas imagens para ver em detalhe as caixas incluídas nesta máquina 

Assim que removo a torre da sua caixa de transporte, deparo-me com um detalhe que me agradou imenso, o cuidado da empresa em aplicar um sistema de proteção contra embates no interior da caixa, usando um sistema de espuma expansiva. Esta, ao ser aplicada no interior, expande até criar um molde correspondente ao perfil dos componentes no interior da caixa. Removendo essa proteção adicional, e que é muito bem-vinda, sou deparado com uma montagem, até ao momento, isenta de falhas.

Não posso deixar de referir o bom gosto que foi a escolha da Fractal Design Night Charcoal, uma caixa ATX com uma excelente qualidade de construção, robusta, que facilita a montagem de componentes no seu interior, é relativamente leve (graças à construção em alumínio) e muito elegante. No campo do design, esta caixa destaca-se pela aplicação de um painel frontal embelezado por dez barras verticais de madeira, uma grelha superior removível, e um painel lateral em vidro temperado, que tem a particularidade de incluir um autocolante, de grandes dimensões, a avisar da presença da já referida proteção de espuma no interior, e para confirmar a ligação da alimentação auxiliar da placa gráfica.

Clique nas imagens para ver em detalhe a caixa do computador e respectivos componentes

Observando com detalhe, a primeira impressão volta-se a confirmar, os componentes estão muito bem montados, e a arrumação da cablagem está excelente, tendo esta sido auxiliada pela presença de uma fonte de alimentação modular, o que permite a instalação de apenas os cabos necessários para o funcionamento do computador. Removendo o painel traseiro, a cablagem também revelada um cuidado extra na sua arrumação, tendo sido utilizadas abraçadeiras de plástico para garantir a correta arrumação dos mesmos. Foi pena a caixa não incluir canais de arrumação específicos, como temos vindo a ver em modelos de outras marcas no mesmo segmento e na mesma ordem de preços.

Igualmente relevante na consideração desta caixa é o facto de a mesma permitir um excelente fluxo de ar no seu interior, fruto do elevado número de ventoinhas presentes, três frontais de 120 mm que, por sua vez, estão associadas ao sistema de arrefecimento líquido presente, duas superiores para extração do ar quente, assim como uma de 120 mm no painel traseiro, para a mesma função. As duas ventoinhas superiores são da Fractal, ou seja, ventoinhas que vieram com a própria caixa, sendo as restantes todas da Arctic Cooling, com iluminação A-RGB personalizável.

Da mesma marca temos já referido sistema de arrefecimento líquido do processador, um Arctic Liquid Freezer III Pro 360 A-RGB Black, que tem a particularidade de ser o melhor sistema de watercooling do tipo (AIO – All in One) do mercado, por utilizarem tudo materiais desenvolvidos por eles, e não os sistemas proprietários da Asetek, como utilizam todas as outras marcas. Isto resulta numa bomba mais silenciosa, com maior fluxo e com menor consumo energético, para além de incluir uma ventoinha na zona do bloco, que ajuda a arrefecer o circuito de alimentação da motherboard, falha essa dos sistemas que recorrem às bombas da Asetek.

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CPUZ_PCDIGA Clique na imagem para ver em detalhe as características técnicas deste computador.

A razão para a inclusão desta solução prende-se com o processador aqui utilizado, um poderoso AMD Ryzen 7 9800 X3D, que era, até há menos de uma semana, o melhor processador de gaming do mercado. Este CPU utiliza a arquitectura Zen5, e uma unidade CCX com oito núcleos e 16 threads que podem trabalhar até 5.2 GHz, e por incluir uma camada adicional de 64MB de memória 3D V-Cache adicional, para um total de 104 MB (8 MB cache L2 + 96 MB cache L3). Para tirar partido das capacidades deste processador, foi utilizada uma motherboard equipada com um chipset AMD B850, mais concretamente uma MSI B850 Gaming Plus WiFi.

Esta escolha talvez seja a que está mais a destoar com o resto da configuração, pois embora seja um modelo bastante competente, não está ao nível dos componentes escolhidos. O circuito de alimentação de somente 12+2+1 fases reforça esta minha sensação de dúvida, mas não estou com isto a dizer que esta motherboard é um mau produto. Tem a particularidade de ter um vasto número de ligações de última geração, incluindo WiFi 7, tem um sistema que facilita a instalação dos módulos SSD M.2, botões de acesso rápido para limpar a BIOS (fundamental para adeptos de overclocking) e LEDs de diagnóstico, para identificar a origem dos arranques falhados.

Clique nas imagens para ver em detalhe o computador em funcionamento

Instalado nesta motherboard encontram-se dois módulos de 32GB Kingston Fury Beast RGB, tendo estas memórias a particularidade de serem do tipo DDR5 a 6000 MHz, acessível através do perfil de overclocking automático AMD EXPO, que permite configurar automaticamente na BIOS as definições ideais para explorar todo o seu potencial, como as latências de 30-36-36, elevando ligeiramente a alimentação para os 1.40V. Igualmente instalada diretamente na motherboard encontra-se um módulo SSD SanDisk WD Black SN7100 de 2 TB de capacidade, sendo este SSD do tipo PCIe 4.0 x4, ou seja, capaz de velocidades de leitura até 7.250 MB/s, e de 6.900 MB/s de escrita (sequencial).

O resto da configuração recorre a uma placa gráfica Nvidia GeForce RTX 5080 de 16 GB de memória dedicada, que neste caso em concreto é um modelo da Gigabyte Windforce SFF, e uma fonte de alimentação modular Seasonic Core GX-850W, que tem a particularidade de ser já certificada para a norma ATX 3.1, e ter certificação de eficiência energética 80 Plus Gold. Devo reconhecer que os 850W de potência são mais do que suficientes para esta configuração, mas podem ser algo escassos para um futuro upgrade. Tudo isto associado a um Windows 11 Pro pré-instalado permitiu facilitar os testes a realizar.

Bastou concluir a instalação do sistema operativo, instalar todas as atualizações de sistema (como o Windows 25H2), os últimos drivers e todos os jogos necessários para corrermos os benchmarks, para comprovar o poderoso desempenho deste sistema. Com o CPU-Z confirmámos o hardware instalado e as corretas definições do mesmo, como a configuração da memória segundo o perfil AMD EXPO.

Os testes sintéticos demonstraram o que já esperaríamos, um sistema bastante equilibrado, visto que este processador utiliza apenas uma unidade CCX para oito núcleos, em vez de usar duas que podem ter até 16 núcleos. Felizmente este CPU é ajudado não só pela elevada frequência de relógio, como pela elevada capacidade de memória cache presente. Porém, quando fomos ter aos jogos, aí sim, assistimos a todo o potencial deste sistema, auxiliado pelo elevadíssimo poder de processamento gráfico da GeForce RTX 5080 com os seus 16 GB de memória dedicada.

Para facilitar os testes, a PCDIGA forneceu um bom monitor para testamos juntamente com este PC, um AOC CU34G4 de 34 polegadas, de formato 21:9 e resolução WQHD (3440x1440) com 180 Hz. Devido à elevada velocidade na taxa de atualização do ecrã, este foi o monitor principal usado, embora tenha sido necessário recorrer a um segundo monitor, mais lento (120 Hz) para correr os testes na resolução 4K. O resultado, como seria de prever, foi extraordinário, e isto utilizando sempre as definições de imagem no máximo permitido por cada jogo.

Clique para ver o monitor AOC CU34g4 em detalhe

É certo que alguns dos títulos não são dos mais recentes, mas são ainda uma referência em termos de benchmark do mercado, por já tirarem partido das mais modernas tecnologias de optimização de imagem, como o Ray-Tracing e as tecnologias de upscaling por inteligência artificial, que neste caso é designada de Nvidia DLSS – Deep Learning Super Sampling.

Utilizando o monitor AOC fornecido, e o F1 24 à resolução máxima, com as definições gráficas em Ultra High, recorrendo à tecnologia de Anti-Aliasing base do tipo TAA, obtivemos um valor médio de 91 fps e 75 fps de mínimo. Activando a tecnologia DLSS, no modo de máxima qualidade (para não existir perda de qualidade da imagem), os valores aumentaram para 177 e 151 fps, respectivamente. É um incremento digno de registo, que garante um aumento de fluidez tremendo durante as sessões de jogos, e sempre sem perda de qualidade de imagem, o que é digno de registar.

Clique para ver os resultados dos benchmarks obtidos pelo PCDIGA Gaming GML

Para finalizar esta análise, convém relembrar que a escolha dos componentes aqui feita foi tendo em conta somente uma finalidade, a de jogar. Se procura um PC que seja superior para outro tipo de tarefas, recomendamos que procure outro tipo de configuração. Agora, se o seu objectivo é jogar com tudo no máximo, encontrará neste Gaming GML da PCDIGA um verdadeiro “maquinão”. A escolha criteriosa dos componentes, a boa montagem e correta configuração na BIOS e os drivers no Windows (já pré-instalados) garantiram um funcionamento isento de falhas, e sempre com o desempenho em primeiro plano.

É junto dos jogos onde este sistema verdadeiramente demonstra todo o seu potencial. A combinação deste processador com esta placa gráfica de topo da Nvidia com arquitectura "Blackwell", tornam este computador numa verdadeira máquina de sonho, pronta para lidar com qualquer desafio que lhe coloque à frente. Nem mesmo os exigentes Microsoft Flight Simulator ou o Cyberpunk 2077 foram capazes de o desafiar, tornando-se injogáveis ao limitar a fluidez do que era reproduzido no ecrã.

Seria esta a minha escolha de componentes? Talvez não, mas na sua grande maioria sim. Tendo em conta o avultado preço pedido de 3.599 euros, que no entanto é justificado pela crise dos chips de memória que afecta componentes como a RAM e os SSD, talvez apostasse numa fonte um pouco mais potente (1000 Watts) e numa motherboard com um circuito de alimentação superior, já a pensar num futuro upgrade de processador de próxima geração.

Ficha Técnica

  • Processador – AMD Ryzen 7 9800X3D
  • Cooling – Arctic Liquid Freezer III Pro 360 A-RGB
  • Motherboard – MSI B850 Gaming Plus WiFi
  • Memória – 2x 32GB DDR5 6000 MHz CL30 Kingston Fury Beast RGB
  • Armazenamento – 2 TB SSD NVMe PCIe 4.0 WD SN7100
  • Placa Gráfica – Nvidia GeForce RTX 5080 16GB GDDR7
  • Fonte de alimentação – Seasonic Core GX-850W 80 Plus Gold
  • Caixa – Fractal Design North
  • Dimensões – 469 x 447 x 215 mm

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