Entre Milão e os Alpes italianos, onde mais de 3.000 atletas competem em 116 eventos distribuídos por 40 localizações diferentes, desenrola-se silenciosamente uma das maiores proezas tecnológicas da história desportiva. A HPE, parceira oficial de equipamentos de rede dos Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026, implementou aquela que é considerada a maior e mais avançada infraestrutura de rede alguma vez utilizada em Jogos Olímpicos.
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Os números apresentados são impressionantes. Ao todo existem mais de 40 localizações espalhadas por mais de 22.000 quilómetros quadrados do norte de Itália (representando 7,5% do território italiano), com as duas principais localizações de eventos separadas por mais de 400 quilómetros de distância. A infraestrutura suporta mais de um milhão de dispositivos conectados e gere petabytes de dados, no qual se inclui conteúdo em resolução 8K sem precedentes a mais de 200 orgãos de comunicação social para a transmissão desse mesmo sinal.
Para a organização, as necessidades de rede para um evento desta magnitude precisam de ser do mais alto nível em termos de desempenho e de estabilidade, desde os servidores até cada ponto de acesso disponibilizado. Só desta forma será possível garantir que cada centésimo de segundo, cada momento de glória dos atletas que perseguem o ouro olímpico nos Alpes italianos, chegue a todos os cantos do planeta, sem falhas, sem atrasos e sem compromissos.
Uma rede nascida com IA, não adaptada
Segundo Claudio Bassoli, Managing Director da HPE Itália, esta ocasião foi o palco perfeito para estrear uma nova geração de rede com gestão automatizada, recorrendo ao auxílio da inteligência artificial (IA), por forma a garantir o máximo desempenho, segurança e escalabilidade necessária para este evento. Para tal foi aplicada uma solução HPE Mist, uma rede pensada de raiz para incorporar a tecnologia de IA (IA nativa).
Rami Rahim, anteriormente CEO da Juniper Networks e agora Executive Vice President da HPE (após a aquisição da Juniper pela HPE), mostrou-se extasiado com a oportunidade de implementar esta tecnologia num evento desta magnitude. Para alguém com o seu background e entusiasmo pela tecnologia, ver a fusão entre todas as soluções de rede aplicadas, em conjunto com uma cloud híbrida e IA a funcionar em condições tão exigentes é algo particularmente gratificante para si.
Durante a sua apresentação, Rami Rahim chegou mesmo a fazer um paralelo como a tecnologia tem evoluído, como um GPU, que durante anos revolucionou o gaming, é atualmente a base desta verdadeira revolução de infraestruturas com alto desempenho, baixa latência e segurança em situações críticas como a deste evento.
Coube, no entanto, a Stefano Andreucci, Senior Sales Director para a Europa do Sul da HPE Networking, revelar os números que sintetizam toda esta operação. Ao todo foram instalados mais de 4.900 pontos de acesso (Access Points), mais de 1.500 switches Ethernet EX, mais de 70 routers universair MX, 50 firewalls de nova geração SRX e 30 Smart Session Routers. Foi explicado ainda que seria impossíveis replicar toda esta operacionalidade recorrendo a infraestruturas tradicionais, uma vez que estas simplesmente já não são capazes de oferecer o desempenho, a segurança e a facilidade de gestão que a solução HPE Mist oferece.
Na sua essência, o que a equipa da HPE conseguiu foi criar aplicar uma solução que é muito mais do que um meio para simplesmente entregar dados do ponto A para o ponto B. Através desta solução, os responsáveis da empresa garantem estar a proporcionar a melhor experiência possível em todas as circunstâncias e, até ao momento, estão a cumprir o que prometeram. E do que pudemos comprovar no local, a rede está a funcionar de forma exemplar.
Marvis: O assistente de IA que nunca dorme
No coração de toda esta operação está a Marvis, o assistente de IA de rede HPE. Construída recorrendo a um processamento de linguagem natural e compreensão usando IA generativa, a Marvis transforma a forma como as equipas de TI interagem com a própria rede. Esta é capaz de responder a questões complexas sobre o desempenho da rede, reduzindo a meros segundos análises que habitualmente levariam horas a concluir.
Mas mais importante que isso, a Marvis consegue identificar a existência de uma falha, identificar a causa e ajudar a resolver a mesma com uma velocidade e precisão que anteriormente não seria possível recorrendo apenas a técnicos humanos. Graças à Marvis e à forma como a rede está estruturada, a HPE garante que esta é uma solução verdadeiramente auto-configurável, auto-optimizável e auto-reparável.
Seis meses para o impossível
Este projeto resulta de um trabalho intenso de planeamento, engenharia e vendas desenvolvido nos últimos seis meses, um prazo notável considerando a fusão recente entre a HPE e a Juniper Networks, que foi finalizada em julho de 2025. Stefano Andreucci salienta que os resultados obtidos são tão ou mais impressionantes tendo em conta o curto prazo da aplicação da solução, com os resultados que está a ter, e numa fase de fusão de dois portfólios distintos, mas que acabaram por se complementar na perfeição.
Tendo em conta o único requisito pedido pela organização, a de que a rede nunca poderia falhar, a HPE estudou de raiz todas as necessidades de cada localização, foram aplicadas as soluções certas e todas elas foram testadas antes do grande evento. Apesar dos esforços e das aplicações de soluções para a prova, a HPE tem conseguido garantir que todos os clientes HPE locais continuam totalmente operacionais e sem qualquer disrupção do serviço, e sem impacto no desempenho dos mesmos.
Segurança em múltiplas camadas
Com um evento tão público e de alcance global, as preocupações de segurança são naturalmente elevadas. Para Giuseppe Civale, Diretor de infraestruturas TIC e tecnologias de espaços para eventos dos Jogos Olímpicos de Inverno em Milão Cortina, coordenar milhares de funcionários, parceiros, fornecedores e mais de 18.000 voluntários torna obrigatório proteger a rede e as aplicações ativas em todo o país como sendo a prioridade número um.
A solução da HPE baseia-se numa filosofia de segurança incorporada desde a origem (“built-in, not bolted-on”). Com controlos de acesso Zero Trust (de não confiança) e deteção de ameaças alimentadas por IA, a rede protege continuamente dados sensíveis de atletas, feeds de media e da infraestrutura logística. Para James Robertson, Field CTO de Networking da HPE, a solução utilizada recorre a várias camadas de segurança com uma política Zero Trust, onde todos os dispositivos utilizados têm que ser validados para serem aceites na rede.
Para este, a componente de segurança é, na sua essência, um misto de várias camadas e soluções para identificar e agir a todas as ameaças sem perturbar a rede. Ancorada pelas firewalls HPE SRX, todos os pontos de acesso são protegidos com segurança granular, para que possam ser utilizados com confiança por máquinas fotográficas e portáteis de jornalistas, ou dispositivo de monitorização dos atletas.
Quando questionados se existiam casos de ataques provenientes da Rússia, como tem vindo a ser habitual em todos os grandes eventos que ocorrem na Europa, a resposta foi que caberia ao Comité Olímpico comentar essa situação. Porém, não negam a existência de ataques constantes, mas que a infraestrutura está a conseguir combater todos esses ataques, sem que os mesmos tenham impacto no desempenho da mesma.
Para Giuseppe Civale, a escala das necessidades de quaisquer Jogos Olímpicos é enorme por natureza, e as características particulares da edição deste ano são uma prova disso. Estamos a falar em conteúdos que captam situações de ação, grandiosidade e algum drama, que está a ser entregue por milhões de ligações seguras, para serem vistos por milhares de milhões de pessoas em todo o mundo.
Nota da Redação: O jornalista viajou para Milão a convite da HPE
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