Os números de expositores, visitantes e espaços de exposição na CES são sempre impressionantes, o que torna a feira de Las Vegas um mundo difícil de “navegar” e onde é preciso saber o que fazer para conseguir a atenção certa, mas também faz com que seja um evento fundamental para muitas empresas. Este ano são esperados mais de 150 mil visitantes para conhecer os produtos e soluções de mais de 4.500 expositores, nas três principais áreas de exposição, mas 12 “centros” oficiais de espaço com mais de 232 mil metros quadrados, em hotéis e pavilhões que se estendem por vários pontos de Las Vegas.
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Na lista oficial constam quatro empresas como portuguesas. A Bandora, Appning by Forvia, a World Talent e a Ynvisible aparecem como expositoras, mas a World Talent não é bem portuguesa. E há que contar também com a Defined.ai, que não tem um stand de exposição mas que participa como visitante desde 2017 e como speaker, com a CEO Daniela Braga, desde 2000.
O que procuram as empresas portuguesas em Las Vegas? Procurámos conhecer as histórias a motivações, mas também os produtos e soluções que estão a mostrar na principal feira de tecnologia de consumo, e embora tenham modelos de participação diferentes e apostas em áreas diferenciadas, a ambição de conseguir chegar ao mercado norte americano é comum.
O ecossistema de startups portuguesas continua a crescer e já ultrapassou os 5 mil, segundo dados da Startup Portugal, e é natural que destas muitas queira abraçar o mercado norte americano e as oportunidades de negócio e financiamento que existem nos Estados Unidos.
A importância deste mercado, sobretudo para quem está à procura de financiamento, é um dos motivos que justificam o investimento na CES, mas esta é uma presença cara, nem sempre fácil de concretizar e onde as startups precisam de mais apoio. Portugal não tem apostado em ter apoio para empresas nesta feira, ao contrário do que acontece noutras conferência e exposições, mas isso pode mudar.
Promover a internacionalização de mais empresas portuguesas nos Estados Unidos
Este ano a Startup Portugal tem uma delegação na CES que está a avaliar a possibilidade de reforçar a presença de empresas portuguesas. Miguel Aguiar, diretor executivo da organização, explicou em entrevista ao TEK Notícias que “Portugal tem todo o interesse em estar neste tipo de eventos, onde existe a capacidade de produzir novas ideias e promover o empreendedorismo”.
Admitindo que o número de empresas portuguesas na feira é escasso, Miguel Aguiar diz que precisamos de mais empresas como a Bandora e a Defined.ai, e por isso a Startup Portugal coordenou esta visita com a Consumer Technology Association (CTA), que organiza a CES.
“Receberam-nos de braços abertos e têm feito um caminho para nos cativar a participar como país”, adianta, dizendo que “desde o primeiro contacto mostraram que querem ter mais Portugal cá porque é cada vez mais um dos principais destinos na Europa para as startups americanas”.
Gary Saphiro, presidente da CTA, já tinha admitido em resposta ao TEK Notícias que a aposta da CES nas startups é uma das prioridades da agenda da associação, trazendo mais inovação para a feira de Las Vegas, sobretudo através do espaço do Eureka Park. “Essa aposta faz parte da nossa cultura”, afirmou, dizendo que a feira foi criada para dar espaço a todo o tipo e dimensão de empresas tecnológicas.
Para a Startup Portugal, ser português na CES é um privilégio, e a reação é também muito positiva dos investidores e empresas que mostram interesse em trabalhar ainda mais com o país.
A possibilidade do reforço da presença de Portugal na CES está em cima da mesa, mas é importante que esta seja uma aposta pensada. “As startups têm de saber quando vir para os EUA”, explica, lembrando que por vezes vinham cedo demais, ou para o Estado errado. “Queremos ajudar as empresas a perceber o estado de maturidade e as necessidades, e a identificarem parceiros e possibilidades de financiamento”, justifica.
A Startup Portugal lançou no ano passado um novo programa para ajudar as empresas a explorar o mercado dos Estados Unidos com o Scallup now e já teve centenas de inscrições. A iniciativa é desenvolvida com a Plug and Play e tem duas fases, começando com cinco dias de um programa imersivo, de participação gratuita e culminando com a escolha de cinco empresas que vão participar no programa de internacionalização GOAL da Plug and Play.
Miguel Aguiar vê como muito positiva a oportunidade das empresas portuguesas no mercado norte americano. “O facto de Portugal ser um país pequenino pode ser visto como uma oportunidade para as startups que são criadas à partida com uma mentalidade global”, explica, afirmando que “o caminho para os EUA é natural mas muitas vezes é feito cedo demais”.
A mesma ideia de que as empresas portuguesas têm aqui um espaço de desenvolvimento foi sublinhada por Márcia Pereira, fundadora da Bandora, e por Thijs Van Herkhuizen, General manager da Appning by Forvia. As duas empresas têm um pensamento global e encorajam outras startups a seguir o mesmo caminho.
“Encorajo mais startups em Portugal para olharem para lá de Portugal e Europa, criarem uma presença aqui, serem vistos e serem expostos, especialmente se estão na fase de levantamento de investimento porque os Estados Unidos são o maior mercado para conseguir esse financiamento”, afirma Thijs Van Herkhuizen.
Quanto à possibilidade de apoio do Governo para trazer mais empresas portuguesas, esse é também um passo visto com bons olhos. “É muito importante que o governo português suporte o desenvolvimento de tecnologia em Portugal”, afirma o General manager da Appning by Forvia. “A tecnologia é um dos drivers de crescimento e penso que outros países mostraram como fazer isso”, sublinha, lembrando que um pavilhão português pode trazer as melhores startups, porque por vezes na fase inicial não é fácil construir uma equipa para gerir tudo.
Bandora: um pitch com bilhete para a CES 2026
Foi a participação no pitch competition que decorreu em Lisboa, a par do CEO Summit, a conferência anual da CTA, que garantiu à Bandora um bilhete para participar na CES, no Eureka Park. A empresa desenvolveu uma plataforma SaaS para optimizar o consumo de energia nos edifícios e já tem negócios em várias partes do mundo, com soluções instaladas nos Estados Unidos mas também no Médio Oriente, como o Qatar onde tem uma parceria com a empresa de telecomunicações Ooredo.
Márcia Pereira, CEO da Bandora, explica que o objetivo da presença na CES 2026 é mostrar as soluções da empresa e a sua plataforma mas também procurar parceiros que possam ajudar a instalar a tecnologia. O modelo de negócio que a Bandora escolheu é o Saas e as empresas só pagam uma percentagem do que poupam na gestão de energia mais eficiente, necessitando apenas de instalar um equipamento fornecido pela empresa e o software, um processo que a fundadora da startup diz ser muito fácil.
Quando visitámos o espaço da Bandora no Eureka Park o stand tinha várias pessoas interessadas em conhecer a solução, e embora fosse só o primeiro dia da CES 2026, Márcia Pereira disse que estava a correr bem.
Com um modelo de presença bastante diferente, a Appning by Forvia optou este ano por estar nas suites da Torre do Hotel Venitian, onde só se entra por convite. “Temos uma experiência mais personalizada e conversas mais aprofundadas”, explica Thijs Van Herkhuizen, admitindo que o investimento é diferente, mas sem divulgar números.
A empresa desenvolve uma plataforma para o mercado de conteúdos para automóveis e os sistemas de infotainment dos veículos. A CES é um destino habitual desde que a empresa foi criada e herda o histórico da Faurecia Aptoide Automotive. A compra pela Forvia e a mudança de nome para Appning sustentam a ambição de continuar a dar cartas na indústria automóvel onde a condução autónoma vem abrir novas possibilidades para a área de entretenimento.
Também diferente é o caso da Defined.ai. A empresa é “veterana” na CES, onde participa desde 2017 como expositora e desde 2020 como speaker, através da CEO Daniela Braga. Este ano aproveitou para anunciar a expansão da sua oferta de dados para a IA física, um dos grandes temas do ano, com ferramentas para treino de robots, para além da participação em dois painéis.
Nem todas as empresas que queriam ir à CES conseguiram concretizar esse objetivo. Rodolfo Santos, Co-fundador da VeriCasa, explicou ao TEK Notícias que os EUA estão nos seus planos de expansão mas que decidiram não participar na CES 2026, e a falta de apoio é uma das razões. "Passámos o ano de 2025 a participar no programa Business Abroad da Unicorn Factory, fomos à Web Summit Vancouver, Vivatech Paris, Madrid South Summit, e Gitex em Dubai. Para além de diversas outras conferências em Londres e América do Sul", explica.
Apesar de admitir que a CES pode ser muito genérica e que, para uma startup de nicho, o investimento de participar e de "usar os nossos recursos em mais uma conferência massiva pode não fazer muito sentido. Ainda que seja atrativo! E por isso nos candidatámos", adiantou ainda. Mas sublinha que "numa curta verdade, se Portugal tivesse um apoio, não apenas para suportar o custo do bilhete/booth, mas fosse um apoio com viagem e estadia, sim, iríamos participar com toda a certeza"
Este ano o TEK Notícias volta a estar em Las Vegas para acompanhar os principais anúncios, e pode seguir tudo com o nosso Especial CES 2026.
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Nota de redação: O TEK Notícias viajou para a CES a convite da Consumer Technology Association (CTA). Foi feita uma correção ao cargo de Miguel Aguiar, diretor executivo da Startup Portugal. Última atualização 16h35
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