Por Luís César Correia (*)

Os mais entusiastas com a filmografia e êxitos musicais da década de 80 ainda se recordarão certamente do filme Flash Gordon, em que o herói com o mesmo nome, jogador de futebol americano, salvava o planeta Terra das infames intenções destrutivas de Ming, o cruel imperador do planeta Mongo. Confesso que, no meu caso, muito mais do que o filme, foi a banda sonora criada pelos Queen que sempre ficou no meu imaginário, sobretudo o som Flash!, seguido de um Ah – ahhh, numa harmónica forte, prova de força, rapidez e elevado desempenho.

Desde essa década que as tecnologias de informação e comunicação têm sido um fator significativo na melhoria da qualidade de vida da Humanidade. Em particular na forma como as “peças” de software e hardware têm evoluído, permitindo que a informação seja mais assertiva, coerente e disponibilizada de forma mais simples e rápida. No que concerne particularmente ao hardware, o motor onde correm os sistemas operativos e aplicações, temos assistido a uma evolução tecnológica assinalável que, acompanhando a Lei de Moore, tem confirmado a referida duplicação da capacidade de processamento a cada dois anos. No entanto, o crescimento dos dados, sobretudo provenientes de fontes não estruturadas, como é o caso das redes sociais, blogues e repositórios técnicos diversos, tem ocorrido a um ritmo que não permite o processamento, interpretação, correlação e utilização eficazes desses mesmos dados.

Ou seja, não conseguimos transformá-los em informação relevante em tempo útil. Um dos maiores constrangimentos para esse fato reside na tecnologia de disco rígido, cujos tempos de operação (tempo de acesso e tempo de resposta em operações de entrada e saída) são de 3 a 6 ordens de grandeza inferiores aos das memórias RAM e processadores no mesmo hardware. Para minimizar esse problema, a tecnologia FLASH, já presente no mercado para outras aplicações (por exemplo, cartões de memória), foi incorporada na construção de discos de estado sólido, denominados discos SSD – Solid State Drive.

Assim, a tecnologia FLASH veio proporcionar um salto quantitativo e qualitativo ao nível do desempenho das operações de disco, sendo que, até há muito pouco tempo, esta se encontrava apenas ao dispor de alguns, face ao seu custo.

De acordo com vários consultores externos, especializados na análise de mercados, sua evolução e impacto na adoção tecnológica, as tendências para que os custos de armazenamento com base em tecnologias FLASH estão agora a ficar niveladas em custo total de propriedade com as tecnologias tradicionais de disco rígido, abrindo a porta a uma utilização mais generalizada dos mesmos. (http://docplayer.net/6777277-Wikibon-storage-projections-to-an-all-flash-datacenter-in-2016.html)

Este dado assume particular importância e vem potenciar novas aplicações de negócio, sobretudo baseadas em análises em tempo real.

Em mercados como o da saúde, os dados genéticos e históricos do paciente poderão agora ser cruzados com dados ambientais, demográficos ou outros. Essas análises, em tempo real ou próximo disso, irão viabilizar diagnósticos mais abalizados e certeiros. São todos estes benefícios, e outros, que a tecnologia FLASH nos poderá proporcionar, permitindo a tomada de decisões mais assertivas e inclusive, em ambiente hospitalar, salvar mesmo vidas.

Só não sei se nos irá salvar de um outro ataque do ignóbil imperador Ming, ou de outro vilão parecido. Para isso, teremos mesmo de recorrer ao “outro” Flash…

(*) Senior Manager - IT Infrastructures da Glintt

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