O ano de 2025 ficará marcado por ter sido o ano em que as fabricantes de smartphones decidiram, definitivamente, largar os formatos tradicionais e começaram a experimentar novos formatos. Esta atitude pode ser vista como uma solução não só para evitar o estagnamento do mercado, como para explorar potenciais formatos que deverão tornar-se nos modelos dominantes num futuro próximo.
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Até porque os smartphones dobráveis não são propriamente uma novidade. Não nos podemos esquecer que foi já no "longínquo" ano de 2019 que a Samsung surpreendeu o mercado ao lançar o Galaxy Z Fold original, e em 2020 reforçou a sua posição de dominância neste novo segmento dos dobráveis com o lançamento do modelo mais compacto, o Galaxy Z Flip. Mas é impossível ignorar o ponto a que esta tecnologia chegou, com o amadurecimento não só do tipo de ecrãs utilizados, com dobras cada vez menos visíveis, como dos próprios mecanismos das dobradiças, cada vez mais resistentes e compactos.
Veja-se o exemplo do Galaxy Z Fold 7, que demorou 6 gerações até atingir um ponto próximo da "perfeição". O último modelo tem uma espessura quase similar à de um smartphone tradicional, com um espaçamento quase inexistente entre as duas faces, extremamente leve, um ecrã externo verdadeiramente prático, e um ecrã interno ainda mais expressivo, agora com oito polegadas. Mas a Samsung não está sozinha, felizmente, e existem outras soluções muito interessantes no mercado que podem e devem ser consideradas.
Estamos a falar em modelos como o Google Pixel 10 Pro Fold, com o seu formato mais retangular (formato próximo do 1:1) quando aberto, ou o Honor Magic V5 com uma bateria gigantesca (para um dobrável) e com apenas 8,8 mm de espessura quando dobrado. Mas também existem modelos compactos que, graças ao já referido amadurecimento da tecnologia das dobradiças e dos ecrãs, já podem ser usados de forma quotidiana, como o Galaxy Z Flip7 e o Motorola Razr 60 Ultra.
Claro que tudo isto é o evoluir de algo que já conhecíamos e que amadureceu muito bem, mas falta referir outros formatos dobráveis que se destacaram ao longo do ano. Um dos mais relevantes foi o Galaxy Z TriFold, o primeiro smartphone da Samsung com dupla dobra, com três painéis dobráveis, e que permite usar um ecrã externo de 6.5 polegadas, similar ao Galaxy Z Fold7, mas que internamente, quando aberto, se expande para umas mais expressivas 10 polegadas. Este, no entanto, não é o primeiro modelo “trifold”, tendo a Huawei já lançado o Mate XT no final de 2024, mas com comercialização bastante limitada.
Claro que tudo poderá mudar este ano, com o lançamento do iPhone dobrável, mas teremos que esperar para ver. Mas não foi só o aparecimento e amadurecimento de novos formatos flexíveis que presenciámos em 2025: tivemos também o reaparecimento de outros, o dos ultrafinos. Tivemos o iPhone Air da Apple como a referência, tendo este incentivado o lançamento de outros modelos, como o Galaxy S25 Edge, e mais recentemente o Motorola Edge 70.
Será este o formato perfeito? Tudo indica que não, especialmente quando observamos com atenção os resultados comerciais, que já levaram a Apple a adiar o lançamento do seu sucessor para a primavera de 2027, e a Samsung a cancelar o próximo modelo Edge, que tinha sido originalmente agendado para substituir o Galaxy S26 Plus. Mas, se tivermos em conta que os dobráveis também tiveram um sucesso comercial limitado, talvez seja muito cedo para declararmos já o óbito a este novo formato.
O que está a acontecer com os computadores?
No caso dos computadores pessoais, a situação é diferente, uma vez que as marcas não apresentaram nada verdadeiramente "revolucionário" em termos de formato. O que efectivamente marcou em termos de inovação foi mesmo o lançamento comercial do primeiro computador portátil com um ecrã enrolável, o ThinkBook Plus Gen 6 Rollable. Este modelo tem ao dispor de um mecanismo que permite expandir o ecrã, com uma dimensão original de 14 polegadas, para um total de 16,7 polegadas.
O que verdadeiramente fez a diferença foi a adopção de soluções de inteligência artificial (IA) nos próprios computadores, seja através da integração de uma unidade de computação neural (NPU) dedicada, ou pela adopção da tecnologia no próprio sistema operativo e aplicações, através de algo como o Copilot da Microsoft, que já está disponível em processadores AMD e Intel.
Aliás, esta integração permitiu criar uma nova categoria dentro dos próprios computadores portáteis, os chamados AI PC, muitos deles com processadores com unidades NPU mais avançadas, ou placas gráficas também elas com NPU integrada. Igualmente relevante é a continuação do investimento em soluções alternativas à arquitectura x86, como a continua adopção de plataformas compostas pelos processadores ARM da Qualcomm, que além de estarem muito optimizados para tarefas em IA, oferecem autonomias imbatíveis.
Agora, o que tem sido marcante nos últimos meses, em especial nos entusiastas de computadores, é o impacto que o aumento brutal do preço dos chips de memória DRAM estão a provocar, especialmente no segmento das memórias RAM e dos módulos de armazenamento sólido (SSD). Usando dois exemplos verificados no histórico de preços do comparador de preços KuantoKusta, um kit de memórias Corsair Vengeance de 32 GB (dois módulos de 16 GB) de 6000 MHz de CAS 38 chegaram a custar 127 euros a 14 de outubro, estão agora a custar 430 euros, ou um SSD WD Blue SN5100 PCIe 4.0 com 2 TB de capacidade, custa agora 209 euros, tendo já custado 132 euros.
Esta situação já está a ter impacto na venda de componentes, assim como de computadores, tanto desktop como portáteis, e de todos os restantes equipamentos dependentes destes chips, como smartphones, tablets e televisores. Em equipamentos de valor mais acessível, a solução que alguns fabricantes estão a tomar é reduzir a quantidade da memória RAM e de armazenamento para conterem o aumento do preço final.
E quanto aos wearables?
Face aos smartphones, que estão a ficar cada vez maiores e mais complexos, os wearables estão a tentar ficar cada vez mais simples, eficientes e compactos. Temos assistido ao lançamento de anéis inteligentes para quem quer um dispositivo de notificação e monitorização de saúde, dispensando assim o uso de ecrãs adicionais, bastando para tal usar a app no smartphone sempre que precisar de monitorizar valores em concreto.
Há até soluções mais radicais, de tão simples que são, como o Index 01 da Pebble, que é na essência um anel que funciona como gravador de notas com uma bateria que pode durar anos. Por outro lado, há soluções cada vez mais completas, como a quarta geração do Oura Ring, que é cada vez mais um ecossistema de apoio à saúde e ao bem-estar do utilizador, agora com ferramentas preditivas que procuram evitar problemas futuros.
Outro tipo de dispositivos que em 2025 começou, finalmente, a ganhar tração foram os óculos inteligentes, com a entrada no mercado, embora ainda de forma limitada, de soluções como os Ray-Ban Meta e os Google Glass, que permitem captar imagens de forma discreta. O sucesso destes óculos é tal que a MSC anunciou recentemente a proibição do seu uso em áreas públicas.
Ou seja, a empresa não proíbe os seus passageiros de embarcarem com os óculos, desde que se limitem a usa-los nos seus próprios espaços privados, evitando a sua utilização em espaços públicos, onde poderiam comprometer a privacidade dos restantes passageiros e respectiva tripulação do navio. Porém, apesar do sucesso dos Smart Glasses, os AR Glasses, de realidade aumentada (RA), ainda estão com algumas dificuldades em se imporem no mercado.
Tirando as soluções para gamers, como os Steam Deck e os PlayStation VR, poucos são os óculos de RA que podemos considerar como um verdadeiro sucesso. Nem mesmo os Vision Pro da Apple, que tirando o efeito inicial do seu lançamento, rapidamente perderam o impulso e o seu desenvolvimento parece estar a ser colocado em pausa, em detrimento de soluções mais simples.
Com tudo isto, e fruto também da já referida crise dos chips, desconfiamos que 2026 será um ano bem mais contido em termos de inovação e de riscos por parte dos fabricantes. Não se avizinham tempos fáceis para os próximos meses.
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