Hoje foi só a abertura e amanhã é que começam oficialmente os trabalhos e a exposição do Web Summit. A organização designa o primeiro dia como Dia 0, mas nem por isso deixa de ser um dia muito movimentado, enquanto se fazem os últimos acertos, se acolhe grande parte dos participantes para levantarem as suas credenciais, se levam a palco os “grandes nomes” e também os empreendedores portugueses, que mais uma vez partilharam aplausos, mostrando que Paddy Cosgrave sabe reconhecer, louvar e até agradar “os locais”.

O CEO do Web Summit continua apaixonado por Lisboa e por Portugal, e continua a receber os aplausos de um Altice Arena apinhado de empreendedores como se fosse uma estrela de rock. Este ano só foi suplantado por Tim Berners-Lee, um dos grandes heróis para quem nasceu com a Internet e para uma geração de empreendedores, geeks e entusiastas do mundo digital que reconhecem o seu contributo, e a militância para tornar a Internet um lugar melhor.

Mas os heróis fazem-se de reconhecimento e trabalho, e nem todos merecem esta classificação.

É verdade que nos próximos 10 anos está garantida a permanência em Lisboa da conferência que tem a capacidade de atrair alguns dos principais responsáveis das empresas que estão a mudar o mundo, mas também o melhor talento e o maior número de empreendedores alguma vez reunido numa conferência do género. Os números de resultados financeiros para o país são relevantes, para o turismo, e têm sido por várias vezes sublinhados pelo Governo, somando ainda o reconhecimento e a notoriedade das empresas e de Portugal, que é difícil de medir.

Só que isso também não nos parece uma razão para elevar Paddy Cosgrave e o Web Summit quase ao nível de salvadores da nação. E foi isso que foi quase sugerido, quando Fernando Medina equiparou o CEO da conferência a Fernão de Magalhães, “o tipo” que há 500 anos fez a primeira viagem de circum-navegação e colocou Portugal no centro do  Mundo, algo que o presidente da Câmara de Lisboa diz que Paddy Cosgrave voltou a fazer.

Uma coisa é certa: se o ditado português de que “Santos da casa não fazem milagres” esta certo, Paddy até pode ser considerado um santo, já que parece estar a ser ostracizado pela sua gente de Dublin. Entre a mais de uma centena de países que enviaram comitivas ao Web Summit não está a Irlanda, aparentemente por uma questão de conflito de agenda com a comunidade de startups, como explicou o CEO do Web Summit num tweet.

Um cenário que não muda e “menos gás” em palco

A mesma localização, a mesma organização e a mesma decoração. Quem entra no Altice Arena terá certamente uma sensação de “déjà vu”, e até as fotografias parecem as mesmas de 2016, sem alteração em relação a 2017. Os participantes continuam entusiasmados, respondendo com aplausos às entradas em palco e às frases mais arrojadas, levantando-se para estabelecer ligação com as três pessoas à sua volta quando Paddy Cosgrave pede e levantando os telemóveis com as lanternas ligadas para acolher António Guterres.

Mas foi do palco que faltou entusiasmo, ou o tal efeito UAU que se procura neste tipo de conferências. Claro que Tim Berners-Lee foi muito aplaudido, mas depois o entusiasmo acabou por esmorecer durante a sua intervenção e a “entrevista” em palco, e muitos dos participantes acabaram por recorrer aos smartphones para verem mensagens, tweets ou outras notificações. É normal numa conferência tão “conectada”, até porque mais uma vez a rede Internet se mostrou à altura de suportar sem falhas as comunicações, fotografias e vídeos em streaming.

Seria bom que a organização pensasse em mudar o cenário ou a decoração nos próximos anos, sobretudo considerando que há mais 10 anos em Lisboa, mas também que não perdesse o gás, e continuasse com o mesmo entusiasmo genuíno a acolher em palco as principais figuras do momento, e as startups portuguesas. Sabemos todos que o mesmo “truque” repetido duas vezes acaba por não conseguir arrancar o mesmo efeito de surpresa e emoção na segunda apresentação, e a organização do Web Summit deve saber isso muito bem, até porque é exímia no marketing.

Terminadas as apresentações em palco faltou também um pouco mais de tempo de funcionamento na sala de imprensa, de onde começaram a “expulsar” os jornalistas pelas 21 horas. Fora do Altice Arena havia muitos espaços para networking, mas que precisava de escrever teve de voltar às redações para o fazer, o que não é simpático.

Amanhã há mais, com uma agenda cheia de talks nos vários palcos, conferências de imprensa e uma exposição que atravessa os vários pavilhões da FIL, mas a equipa do SAPO TEK cá estará cheia de energia para acompanhar tudo o que há para saber do Web Summit.

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