O Partido Comunista da China (PCC) delineou um novo plano quinquenal (2021-2025) que estabelece a inovação e a autossuficiência tecnológica como pilares do desenvolvimento do país face à guerra comercial e tecnológica com os Estados Unidos.

Um dos grandes objetivos do plano, delineado durante a quinta sessão plenária do 19º Comité Central do PCC, é reduzir a dependência de tecnologia importada, incluindo chips e semicondutores. Propõe-se a construção de um “novo padrão de desenvolvimento", com base na "procura interna", numa altura de forte recessão na economia mundial devido à pandemia de COVID-19.

O plano enfatiza também a melhoria do "nível de modernização da cadeia industrial e de abastecimento", assim como o "impulso das indústrias emergentes estratégicas" e o aceleramento do processo de digitalização.

O governo de Donald Trump tem feito pressão sobre as empresas norte-americanas e países aliados para boicotarem entidades chinesas específicas. Em pouco mais de um ano, Washington reviu por três vezes as suas regras de controlo sobre as exportações para a Huawei, afetando fornecedores da empresa chinesa em todo o mundo.

Recorde-se que em maio, o governo norte-americano tinha imposto novas restrições às empresas chinesas, como a Huawei, que estão na sua “lista negra”. A medida estabelecia que, a partir de 15 de setembro, os fornecedores globais da Huawei que usam tecnologia norte-americana no desenvolvimento ou produção dos seus produtos teriam de pedir uma autorização a Washington para venderem componentes essenciais à empresa chinesa.

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Algumas fabricantes norte-americanas, como a Intel ou a AMD, anunciaram que obtiveram a aprovação de Washington para fornecerem alguns produtos à Huawei. Outros fornecedores não norte-americanos pediram a licença aos Estados Unidos para trabalharem com a empresa chinesa, mas ainda não receberam resposta.

A situação tem vindo a complicar-se para a Huawei e depois de vários prolongamentos sucessivos das autorizações para que as empresas norte americanas continuassem a negociar com a Huawei, em agosto, a administração de Trump não renovou o compromisso, e os efeitos estão a fazer-se sentir no acesso a componentes fundamentais, como chips e ecrãs.

Nos últimos dois anos, a administração de Donald Trump colocou outras 70 empresas chinesas na Lista de Entidades do Departamento de Comércio, limitando o seu acesso a tecnologia norte-americana. Mais recentemente, Semiconductor Manufacturing International Corporation, a maior fabricante chinesa de semicondutores, foi adicionada à “lista negra”.

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A indústria tecnológica chinesa continua dependente da importação de semicondutores, uma vez que os que são produzidos no país apresentam uma classificação inferior àqueles que são desenvolvidos pelos líderes globais.

As crescentes tensões entre a China e os Estados Unidos estão a levar gigantes tecnológicas como a Apple ou a Google a deslocar a sua produção e negócios para países como o Vietname, a Índia, a Tailândia e ou a Malásia. Estima-se que, nos últimos 36 meses, o setor tecnológico tenha registado uma deslocação inédita em quase três décadas.

De acordo com um relatório da unidade de investigação EuroIntelligence, os planos da China para se tornar autossuficiente a nível tecnológico terão implicações para a indústria de semicondutores da Europa.

"Embora a Europa responda por apenas 10% da produção global de semicondutores, é um importante fornecedor de equipamentos de fabrico, incluindo máquinas de litografia ultravioleta extrema, necessários para fazer chips avançados de nó 5 e inferior", aponta a entidade.

A EuroIntelligence afirma que uma grande expansão dos controlos sobre a exportação de tecnologia pelos Estados Unidos constituiria um "enorme golpe" para as ambições tecnológicas da China.

No entanto, a médio e longo prazo, a política norte-americana pode não ter os efeitos desejados, ao "alienar os principais aliados norte-americanos" na Europa e no Japão. "A opção nuclear incentivaria todas as empresas globais de fabrico de equipamentos de semicondutores a evitar os controlos de exportação, retirando componentes norte-americanos dos seus próprios produtos".

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