Nos céus desde agosto de 2018, a Parker Solar Probe ainda tem muito trabalho pela frente até 2025, mas, enquanto isso, já reuniu uma quantidade considerável de dados. Alguns deles estiveram na base de quatro estudos científicos publicados, esta quarta feira, na revista Nature.

Os detalhes registados pela sonda a apenas 24 milhões de km de distância do Sol - ou mais precisamente pelo instrumento de análise Widefield Imager for Solar Probe (WISPR) - mostraram, pela primeira vez, sinais da existência de uma zona livre de poeiras em redor do Sol.

tek Poeira Solar - Parker
créditos: NASA

Aquilo que o WISPR vê é uma diminuição muito suave no perfil de intensidade da luz refletida pelas partículas, "o que indica que não se produz um desaparecimento repentino da poeira", afirmou Russell Howard, principal autor de um dos artigos publicados na Nature, em declarações ao El Mundo. São dados preliminares em que se constata uma diminuição da intensidade da luz da coroa solar-F com o que se vê mais além desta zona escura” explicou o investigador.

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Estas observações vão ajudar a melhorar as teorias relacionadas com a forma como a poeira passa de uma partícula sólida para um gás. “Desconhece-se a composição da poeira e desconhece-se se existe mais do que um tipo de poeira”, acrescentou. Espera-se que seja possível desvendar  mais pormenores quando a Parker Solar Probe ficar ainda mais próxima do Sol.

Uma outra equipa de investigadores analisou os dados recolhidos pela sonda relativamente àquilo que se denomina como "ventos solares lentos", um movimento que acontece na atmosfera do Sol, ou coroa.

tek Ventos solares - Parker Solar Probe tek Ventos solares - Parker Solar Probe
créditos: NASA

Atualmente há várias teorias sobre a origem do vento solar lento, mas as medições da equipa de Stuart Bale, “mostram muito claramente que o vento solar lento pode surgir de pequenos buracos coronais equatoriais”, sublinhou o investigador ao jornal espanhol.

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Um outro estudo feito a partir dos dados já recolhidos pelo Parker Solar Probe, liderado por Justin Kasper , investigador da Universidade do Michigan, centrou-se na medição e modelação dos campos magnéticos que aumentam a velocidade do vento solar e que são descritos como curvas em forma de S que se formam nas linhas dos campos magnéticos provenientes do Sol.

Uma das conclusões principais é que tais ondas magnéticas produzem picos de velocidade de até 50km por segundo.

Já David McComas e restante equipa, da Universidade de Princeton, estudaram erupções de radiação ou de plasma que aceleram iões e eletrões na coroa, identificando partículas rápidas e lentas que atingem a sonda, que são maiores do que o esperado. Tal sugere que o campo magnético tem uma geometria mais complicada do que se supunha até agora e pode ajudar a comprovar as curvas de campo magnético em forma de S descritas na investigação liderada por Justin Kasper.

A NASA - que também destaca os estudos agora publicados - disponibilizou um vídeo que mostra como a Parker Solar Probe “vê” a coroa solar.

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