Apesar de estar mais focado na política e no futebol, acompanhando também a atualidade, "foi inevitável fazer memes sobre a COVID", explica o criador do Insónias em Carvão, uma "instituição" dos memes nas redes sociais portuguesas que conta com milhares de seguidores no Twitter, Instagram e Facebook.

As máscaras, a distância social e o "novo normal" da desinfeção dos espaços refletem-se nas imagens que Luis Rodrigues partilha, mas mesmo assim há muita ponderação e nem tudo serve para ser olhado com a visão mais corrosiva, e o traço rápido do lápis de carvão que normalmente aplica a outras áreas.

"Tento ativamente não fazer muitos memes sobre a COVID porque é um tema que tem muito peso, há um certo enfado", explica, salientando também que como é uma questão muito sensível tem cuidado com a forma como pega nesta questão. "Não podemos esquecer que há pessoas que passaram mal e que há mortes", afirmou em conversa com o SAPO TEK.

Um pouco por todas as redes sociais, os memes foram usados no último ano como escape de uma situação muito pesada a nível emocional e social, com grande transformação na forma de vida das pessoas em todo o mundo. E o SAPO TEK foi dando conta de muitas das melhores "produções".

Logo em março, reunimos memes que mostravam a reação da Internet à COVID-19, com a corrida desenfreada aos supermercados em todo o mundo, em especial, à procura de papel higiénico. Quando a quarentena veio para ficar, os memes também não deixaram passar esta medida do Governo.

Da mesma forma, o desconfinamento também foi alvo de memes  e em dezembro, foi a reação às recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS) para a quadra festiva que dominou as paródias. Com o agravamento da situação em janeiro de 2021 não faltou mais uma dose de memes, das missas ao fecho das escolas.

Luis Rodrigues admite que está aborrecido e saturado com toda a pandemia e que sente falta da liberdade de poder sair e estar com pessoas, apesar de reconhecer que é "um bocado caseiro". "Acho que depois disto vou mudar um pouco de vida", e estar com mais pessoas, mas também não sabe se o que vai acontecer é voltar "à condição normal de ermita".

Criatividade mais limitada, mas não por falta de tempo

No último ano não foi só a COVID que trouxe mudanças na sua vida, já que tinha acabado de sair do seu "emprego fixo" em fevereiro para se dedicar a uma vida de freelancer, mesmo antes da crise pandémica e da quarentena. Para além das redes do Insónias em Carvão, mantém várias colaborações e integra o programa “Isto é Gozar Com Quem Trabalha” do Ricardo Araújo Pereira.

Casado com uma profissional da área da saúde, com dois filhos pequenos, o autor do Insónias em Carvão viu-se transformado em "cuidador", sobretudo quando as escolas fecharam.

"Este ano fiz menos coisas apesar de estar mais tempo em casa [...] estar com os miúdos não é fácil, tenho menos cabeça", admite, embora contrabalance logo com a constatação de "queixo-me de barriga cheia".

Desde o início que o Insónias em Carvão foi sempre uma "segunda vida", paralela ao trabalho efeitos visuais numa produtora de TV. Era à noite, depois de tudo calmo, que o Luis mais produzia para os canais das redes sociais, sobretudo o Twitter, aplicando as técnicas de manipulação das imagens para criar situações cómicas. Mas agora sente que não há tanto espírito e ao fim do dia quando as crianças se deitam prefere ver um filme ou uma série do que pegar no computador.

Com a conta do Twitter bloqueada desde final de fevereiro, Luis Rodrigues passou a usar uma outra conta de backup, a DeInsonias enquanto não consegue resolver a situação, mas voltou também mais a sério ao Facebook, que estava mais "abandonado" porque se estava a tornar mais tóxico. As partilhas continuam também no Instagram, onde o Insónias tem 238 mil seguidores  com imagens em que a vida familiar tem mais peso.

E é por ai que pode continuar a acompanhar os memes do Insónias em Carvão, à espera das próximas "pinceladas" humorísticas.

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