Criar vídeos de reviews e de unboxing, falar sobre gadgets, smartphones, soluções tecnológicas para a casa e para o carro são apenas alguns dos temas que poderá encontrar nas plataformas onde Miguel Pinto Ferreira está presente. Prestes a atingir os 100 mil seguidores no seu canal de YouTube, 61,5 mil no TikTok e 45 mil no Instagram, estas são as principais plataformas nas quais este criador de conteúdos partilha os seus trabalhos.
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Mas a vida não foi só feita de vídeos, até porque o mundo do YouTube só nasceu em 2020, o que torna o sucesso dos seus vídeos em algo relativamente recente, e cujo qual só pode ser explicado pela paixão que entrega, assim como a sua honestidade na partilha de opiniões. Porém, segundo o próprio, este sucesso foi algo acidental, um pouco como tem sido todo o seu percurso profissional.
Tudo começou durante a sua formação em produção audiovisual pela Universidade Católica no Porto, onde teve oportunidade de explorar esse mundo muito cedo, com a produção de vídeos institucionais. O entusiasmo pela área levou-o a criar a sua própria empresa, onde teve oportunidade de dirigir produções institucionais e promocionais para empresas. Este passo foi fundamental para o surgimento de novas oportunidades, como a realização de trabalhos comerciais para televisão, assim como experimentar o mundo do cinema, com “A Canção de Lisboa” com César Mourão.
Começou a explorar a vertente de e-commerce quando comprou o seu primeiro “grande brinquedo”, uma impressora 3D numa altura em que a tecnologia ainda estava a dar os seus primeiros passos. Explorou a área, começou a fazer as suas próprias criações, como acessórios para drones e para as câmaras, acabando por as comercializar em plataformas como o eBay, permitindo assim monetizar o investimento avultado na impressora.
Foi descoberta uma nova paixão que o levou a dedicar-se a tempo inteiro, tendo chegado a concretizar vários negócios de e-commerce ao mesmo tempo, o que o obrigou formar uma equipa que chegou a ter 8 colaboradores. Nessa altura, surgiu-lhe outra paixão que acabaria por fazer parte da sua vida profissional, o Cosplay.
Nesta área, aproveitou o know-how já adquirido com a produção de acessórios personalizados, tendo chegado a criar um fato completo do Iron Man (Homem de Ferro) para a Comi Con Portugal (onde chegou a trabalhar), com electrónica e um visor mecânico. Mais uma vez, voltou a ser bem-sucedido, embora desta vez este tenha vindo maioritariamente do estrangeiro, de onde eram originárias mais de 90% das encomendas, nas quais 60% eram provenientes dos EUA.
O mundo da consultadoria surgiu, mais uma vez, por acidente, em conversa com o proprietário de uma loja de acessórios de motas que, a meio de uma conversa, lhe requisitou serviços de consultadoria de marketing. O sucesso foi imediato, tendo os seus serviços sido requisitados por outras empresas, algumas de dimensões consideráveis, o que levou a integrar Genesis Digital Solutions, na qual ocupa a posição de CMO (Chief Marketing Officer). Através desta empresa, à qual Miguel Pinto Ferreira ainda está ligado, surgiram outras oportunidades que lhe têm permitido ir explorando novas ferramentas de Inteligência Artificial para criar estratégias de marketing cada vez mais eficazes.
Foi a partir desta altura, e também graças ao conforto financeiro proporcionado pelo sucesso da empresa, que decidiu voltar a dedicar-se a uma velha paixão, a de criação de vídeos, mas que, entretanto, tinha ficado em standby pela falta de “coragem” e de oportunidade. Os primeiros vídeos, focados na temática da tecnologia, acabariam por registar um crescimento impressionante, como os primeiros 10 mil subscritores em apenas 6 meses. Graças a esse crescimento, começou a ser sondado pelas primeiras marcas a com propostas de unboxing e de análises de produtos tecnológicos.
“Aí comecei a perceber que o YouTube era uma coisa que podia mesmo funcionar. Estava com medo que fosse chocar o Miguel corporativo com o Miguel do YouTube, mas aprendi que não, e todos os dias aprendo uma lição nova sobre isso. Fico mesmo a achar que vamos chocar um dia, na minha atitude de brincalhão e a mandar piadas, mas isso não acontece."
Na realidade, o que passou a acontecer foi que em reuniões com clientes novos, muitas vezes é abordado quando as pessoas o reconhecem e questionam “tu é que fazes aqueles vídeos? Que fixe…” Desde então, Miguel Pinto Ferreira passou a ser convidado para falar em eventos que depois associam as duas áreas onde o mesmo se destaca, a de business e da inteligência artificial com a área de social media.
Tendo em conta a dimensão que já atingiu em diversas plataformas, era inevitável questionar qual a que lhe dá maior gozo trabalhar. A resposta surgiu de imediato: “O YouTube.” Para Miguel Pinto Ferreira, a plataforma de vídeo da Google é, de longe, a melhor e que mais gozo lhe dá trabalhar. Usando, como exemplo, as estatísticas dadas pelas plataformas, o Instagram dá-lhe, no momento da entrevista, 1,2 milhões de visualizações. O problema é que muitas das pessoas que contribuíram para a estatística acabaram por não “ver o vídeo”, apenas o consumiram.
Dando valores por alto, apenas para exemplificação, as marcas que trabalham em regime de parceria preferem 1.000 visualizações no YouTube do que 50.000 no Instagram ou TikTok. A explicação para tal afirmação está nos dados das plataformas, que revelam que quem vê os vídeos no YouTube são pessoas genuinamente interessadas nos produtos, e que clicaram nos links. Claro que os conteúdos produzidos para o TikTok e Instagram têm uma razão de ser, são brincadeiras giras de se produzir, dá para explorar ideias novas, e acabam por contribuir para um crescimento rápido de Brand Awareness para as marcas.
Ou seja, os números revelam aquilo que o Miguel Pinto Ferreira transmite, que é no YouTube que sente uma maior conexão com quem o segue. Até porque, com uma taxa de retenção de 55 a 60%, a maioria das pessoas que vêm os seus vídeos vê até ao fim, sejam eles de 10, 15 ou 20 minutos. São comportamentos intencionais, e não reativos, como acontece nas plataformas de vídeo rápido, em que os seus vídeos surgem porque o algoritmo achou que fazia sentido surgir para tal utilizador.
E quanto aos conteúdos, o que dá gozo fazer? Estes acabam por ser maioritariamente sobre tecnologia, mas já surgiram outras situações peculiares. Em tempos chegou a ter um “canal alternativo” chamado “Miguel Cenas”, onde partilhava as suas opiniões sobre tudo um pouco, muitas vezes coisas completamente aleatórias, mas que lhe davam algum fascínio. Visto não ter, no seu grupo de amigos, quem tivesse “paciência” para essas curiosidades, encontrou nesse canal secundário uma porta para atingir um público diferente, também ele interessado nessas curiosidades.
O problema foi que este canal acabaria por registar um crescimento superior ao canal de tecnologia, o seu canal principal, o que chegou a causar alguns dissabores a possíveis contratos que acabariam por não se realizar. Isto porque as marcas “X ou Y” preferiam não se associar a um produtor de conteúdos que possa, ocasionalmente, falar sobre temas polémicos, como política. Como tal, foi “obrigado” a fechar esse canal, e a focar-se somente no canal principal.
Embora isso tenha tido impacto, até porque gostaria de explorar outras áreas, sente que o seu caminho passa por estar focado na tecnologia, algo que adora fazer e com o qual sente afirma estar “super feliz”. Para Miguel Pinto Ferreira, falar sobre tecnologia é algo que sempre fez por gosto. Desde cedo que adorava comprar coisas novas, abrir as caixas para sentir “aquele cheirinho novo a tecnologia” e experimentar para “ver o que é que eles fazem”. Desta forma, em vez de mostrar a 2 ou 3 amigos as novidades adquiridas, mostra a algumas dezenas de milhares de “amigos”, que ainda por cima fazem questão de o ver e querer conhecer todas essas essas novidades.
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