Pense neste cenário: tinha um smartphone da Oppo, com um carregador SuperVOOC com capacidade de 80 W, garantindo carga total em menos de meia hora, a partir de uma bateria descarregada. Fez o upgrade de equipamento para um recente iPhone 16 ou 17, que não inclui carregador e pensa: “não preciso, utilizo o da Oppo que é rápido”. Isto é errado, o iPhone vai carregar, mas parece que está ligado a um carregador básico, demorando horas para completar a carga.
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O que se passou? Apesar dos carregadores prometerem velocidades elevadas de carregamento, isso apenas se aplica, em grande parte das marcas, quando utilizados nos seus próprios equipamentos. Ou seja, a mesma performance de carregamento não se aplica em muitas situações, tal como no caso real do exemplo acima, quando se decide utilizar um carregador de uma marca com um smartphone de outra.
Apesar da maioria dos carregadores serem USB-C, sobretudo depois da lei do carregador universal imposta pela União Europeia, continua a haver uma grande incompatibilidade entre marcas. Estes carregam, mas a velocidade pode diferir bastante e não vale a pena devolver o carregador, porque não tem defeito, simplesmente é “incompatível”.
É natural que não saiba que ter um cabo USB-C e um adaptador de alta performance não consiga oferecer a velocidade de carregamento desejada. O processo é baseado numa negociação digital avançada entre o carregador e o equipamento através de um protocolo de carregamento rápido e até o simples cabo USB-C pode interferir. Elementos como o fornecimento de energia e uma fonte de alimentação programável afetam o fluxo da potência, muitas vezes, para proteger a integridade da bateria dos equipamentos. Isso deve-se aos protocolos de carga.
O que são os protocolos de carregamento e a sua importância?
No fundo, um protocolo de carregamento é uma espécie de “aperto de mão” digital entre os equipamentos e o carregador, que indica a quantidade de energia que deve ser enviado do carregador para o smartphone, por exemplo, e a sua rapidez. Os carregadores mais antigos via USB tinham uma saída fixa e de baixa potência, mas a tecnologia recente, bem mais evoluída, utilizam protocolos que se ajustam dinamicamente à voltagem e corrente.
O protocolo garante que os equipamentos recebam exatamente a carga que precisam sem sobreaquecer, sem danificar a bateria. Por isso é que é mais seguro utilizar um carregador recente em qualquer tipo de equipamento, sejam auscultadores, comandos de consolas ou smartphones, sem o perigo de os “queimar”, diminuindo assim a quantidade de cabos espalhados pela casa.
Assim, os protocolos incompatíveis ou que estejam desatualizados, podem gerar uma carga mais lenta e em certos casos, colocar um equipamento em perigo. Ao não conseguir compreender a linguagem do carregador, leia-se o protocolo, este assume o nível de fornecimento de energia mais baixo, logo demora mais tempo a carregar.
Quais são os protocolos de carregamento rápido mais comuns atualmente?
A maioria dos smartphones Android utiliza aquele que é designado como USB Power Delivery (USB-PD), conhecido como padrão “universal” de carregadores. Também é utilizado por modelos de iPhones mais recentes, assim como tablets e portáteis. A versão 3.0 e 3.1 oferecem 100-240 W.
Outro sistema é o Qualcomm Quick Charge (QC), sendo sobretudo encontrado nos carregadores dos smartphones equipados com processadores Snapdragon. As versões mais recentes (QC 4/5) também são compatíveis com a norma USB-PD, alcançando os 100 W. A Huawei também tem protocolos proprietários, o Huawei Fast Charge Protocol (FCP) e SuperCharge (SCP), sendo o primeiro mais antigo, focando em alta tensão e baixa corrente e o segundo mais moderno, para baixa tensão e alta corrente.
A Oppo tem o seu próprio sistema de carregamento proprietário, igualmente utilizado nos modelos OnePlus, o SuperVOOC, para baixa tensão e correntes muito altas para carregamentos considerados ultrarrápidos. O Samsung Adaptive Fast Charging (AFC) é baseado em QC 2.0, encontrados em muitos modelos Galaxy, mas os mais recentes também suportam USB-PD, designados como Super Fast Charging.
Destaque ainda para o Mi Turbo Charge da Xiaomi e o VIVO Flash Charge, que mantém uma lógica de oferecer protocolos próprios, com carregadores e respectivos carregadores para potências mais elevadas.
Qual a diferença entre o Quick Charge e USB-PD?
Ambos os sistemas são protocolos de carregamento rápido, mas diferem em quem os controla, a compatibilidade e os objetivos. O Quick Charge (QC) é uma tecnologia proprietária da Qualcomm, que foi pensada para os equipamentos que utilizam o chip Snapdragon, nomeadamente os modelos Android. Por outro lado, o USB-PD é o padrão aberto definido pela USB-IF, o consórcio de implementação do USB, tendo como principal foco ser universal. Qualquer equipamento que implemente esta normalização é compatível com o padrão.
Outra diferença é o sistema de conector, sendo que o QC surgiu associado ainda ao USB-A, elevando a tensão para 9 e 12 V, chegando até 18 W nas versões QC 2.0 e 3.0 e 100 W em QC 4.0 e 5.0. Por outro lado, o USB-PD nasceu nas ligações USB-C, para diferentes valores de tensão dinâmicos a 5 V, 9 V, 15 V e 20 V e nas versões mais recentes, como o PD 3.1, chega aos 240 W para alimentar equipamentos energeticamente mais exigentes, tais como computadores portáteis.
O QC Clássico (2.0 e 3.0) utilizam variação de tensão em passos pré-definidos com comunicação mais simples focada apenas em carregamento rápido. Já o USB-PD utiliza um protocolo digital mais avançado pelo próprio canal USB-C, ajustando a tensão e corrente de forma dinâmica, afinando os valores em pequenos passos para reduzir o calor e aumentar a eficiência.
Uma fonte de alimentação programável (PPS), uma extensão do USB PD 3.0, permite ajustar com precisão a tensão em pequenos incrementos de 20 mV a cada 10 segundos. Esta capacidade ajuda a reduzir as perdas de conversão, além de prevenir as interrupções térmicas.
Atualmente está a ser feita uma convergência entre os protocolos. Por exemplo, as versões mais recentes do QC passaram a ser compatíveis ou mesmo baseados em USB-PD, garantindo que um carregador moderno suporte os dois protocolos em simultâneo, aumentando a compatibilidade com vários equipamentos.
Qual é a importância do cabo USB?
O cabo USB-C é provavelmente o elemento mais subestimado no processo de carregamento rápido. No entanto, são igualmente essenciais para o processo, pois são estes os responsáveis por transportar a energia do carregador para o equipamento. É preciso notar que um cabo antigo pode não ser compatível com os protocolos modernos. Por isso, mesmo que tenha na gaveta um cabo que é novo, raramente atribuímos ao mesmo a “culpa” de uma má performance de carregamento.
Além de não alcançarem a velocidade de carga esperada, podem sobreaquecer, o que ativa os sistemas de limitação de segurança para não danificar os equipamentos. Quando compra um cabo, deve ter sempre atenção às suas especificações, muitas vezes inexistentes quando se compram modelos de marca branca. Investir num bom cabo é essencial para manter o carregamento rápido e seguro.
Fabricantes chinesas criam protocolo UFCS 2.0
Algumas das principais fabricantes chinesas juntaram-se para criar um protocolo comum de carregamento rápido, o UFCS (Universal Fast Charging Standard). A primeira versão do padrão nasceu em 2021 e tinha como principais signatários a Huawei, Oppo, vivo e Xiaomi. A nova versão é referida como mais rápida, segura e maior capacidade de adaptação. Ao grupo das fabricantes juntaram-se agora a China Communications Standards Association, Guangdong Fast Charging Industry Association e a Telecommunications Device Industry Association. Quanto aos fabricantes, junta-se também a Honor.
O novo protocolo tem como base a solução de carregamento rápido de 40 W, com otimizações técnicas avançadas e funcionalidades de carregamento inverso (o que permite um smartphone de uma marca carregar de outra, devido à compatibilidade proposta pelo protocolo).
O sistema UFCS 2.0 permite uma melhor comunicação de energia entre os carregadores e os equipamentos. Isto significa que os smartphones podem agora carregar a velocidades mais elevadas sem a necessidade de uma autenticação específica de uma marca entre carregadores e cabos, promovendo assim a interoperabilidade entre os equipamentos.
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