A Nothing elevou a fasquia com o Essential, uma plataforma que permite aos utilizadores do Phone (4a) descrever o que querem e receber mini-apps ou widgets personalizados diretamente no ecrã inicial. O impacto na comunidade foi tal que agora a Samsung admite que quer ir pelo mesmo caminho, mas a uma escala diferente. Através de “vibe coding” a proposta pretende usar todo o potencial da inteligência artificial para criar aplicações a partir de uma simples descrição.
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Won-Joon Choi, responsável pela divisão de experiência móvel (MX) da Samsung, disse à TechRadar que o tema é "muito interessante e algo que estamos a investigar". Este mais tarde viria a referir que "neste momento estamos limitados a ferramentas pré-construídas, mas com o vibe coding, os utilizadores poderiam ajustar as suas aplicações favoritas ou criar algo personalizado para as suas necessidades."
Esta é, na sua essência, uma admissão de que o modelo actual, em que é a Samsung quem define o que existe e o utilizador escolhe dentro dessa oferta, tem limites e que a IA pode ser a chave para os ultrapassar. É importante notar que o responsável foi cuidadoso no uso das palavras, ao não confirmar nada em concreto, nem sequer a existência de uma funcionalidade em teste no One UI, ou no calendário da empresa. Trata-se de uma exploração, não de um anúncio.
Mas o contexto ao qual a afirmação foi dada deve ser assumida como relevante, especialmente porque a Samsung acabou de lançar o Galaxy S26 com o One UI 8.5, que aprofunda a integração da IA no sistema, com o Gemini a atuar como uma camada de coordenação entre aplicações. Igualmente relevante é o compromisso da marca, de expandir funcionalidades Galaxy AI a 800 milhões de dispositivos ainda em 2026. Como tal, podemos afirmar que, efetivamente, a infraestrutura já está a ser construída, e que o “vibe coding” seria uma extensão natural para esse ecossistema.
O precedente da Nothing é útil para perceber o que a Samsung está a ponderar, mas a escala é incomparável. O Essential já se encontra em fase beta, estando disponível apenas para utilizadores Nothing, que operam num ecossistema controlado e muito menor. Levar uma ideia semelhante para o One UI implicaria lidar com a fragmentação de hardware Samsung, as regras da Google Play Store e as expectativas de privacidade de utilizadores em dezenas de mercados diferentes.
No lado do Android, a Google tem vindo a desenvolver o framework AppFunctions, que permite às aplicações expor capacidades específicas para que agentes de IA as possam invocar de forma estruturada, o que pode facilitar exatamente o tipo de composição de funções que o “vibe coding” pressupõe. A ideia não é exclusiva do ecossistema Android. No iOS, a ferramenta bitrig, criada por ex-engenheiros da Apple que participaram no desenvolvimento do SwiftUI, já permite criar aplicações nativas diretamente no iPhone através de texto ou voz. O mercado está claramente a movimentar-se nesta direção.
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