A procura por novos formatos nos smartphones tem sido uma das tendências dos últimos anos, mas a ideia de smartphones enroláveis, com ecrãs que crescem como o Oppo X ou se ajustam ao pulso como o conceito do Motorola Razr mostrado no MWC24, parece estar a ser posta de lado em favor dos modelos dobráveis. Agora a questão está no tamanho do equipamentos, em modo mais pequeno de concha ou maior de livro, e o número de dobras do ecrã.

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A Samsung já tinha anunciado o Galaxy Z TriFold na Coreia em dezembro, com a opção por três ecrãs que se dobram para um formato semelhante a um smartphone de barraNa CES 2026 tivemos oportunidade de experimentar o novo modelo, ainda que por tempo limitado, e o tamanho e funcionamento acabam por ser bastante interessantes.

O smartphone tem três painéis dobráveis, arrumados num formato de 6,5 polegadas, com um ecrã que passa a 10 polegadas quando totalmente aberto. Apesar disso, não é tão grosso e pesado como podíamos antecipar, acabando por ser surpreendentemente equilibrado na utilização, apesar do peso de mais de 300 gramas e de uma espessura de 12,9mm, mais do dobro dos smartphones mais finos.

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Este não é o primeiro modelo a concretizar o conceito de “trifold” e a Huawei já tinha lançado o Mate XT no final de 2024, que experimentámos no MWC em Barcelona, mas com comercialização limitada.

Numa comparação pura de especificações, o Galaxy Z TriFold é ligeiramente mais grosso quando dobrado, com 12,9mm em vez dos 12,8 mm do Mate XT, mas mais fino quando aberto, com uma espessura de 3,6mm em vez de 3,9mm. Perde também na comparação de peso, com 308 gramas em vez das 290 gramas do MateX, e na dimensão do ecrã, porque o modelo da Huawei conta com 10,2 polegadas.

Na verdade, estas diferenças podem ver-se no papel, mas não se sentem de forma significativa na utilização, até porque se tratam de gramas e milímetros. É a funcionalidade que mais interessa, e na verdade a comparação será sempre entre um smartphone tradicional, um dobrável (foldable) e o trifold.

Já testei vários modelos dobráveis e usei várias gerações do Samsung Fold e do Honor Magic durante períodos prolongados, e a verdade é que no dia a dia sentia poucas vezes a necessidade de abrir o telefone para estender o ecrã a maior dimensão. É prático para ver vídeos e responder a emails, mas em algumas outras tarefas a dimensão do ecrã não torna a utilização fácil.

A própria abertura dos ecrãs acaba por exigir alguma a intervenção mais forçada para vencer a resistência das dobras – e que é necessária para manter a consistência das dobradiças, e o mesmo acontece com os trifold. Depois de abrir e dobrar várias vezes o Galaxy Z TriFold acabamos por “apanhar o jeito”, mas nas primeiras experiências não é fácil perceber qual a parte que dobra primeiro. Quando nos enganamos há uma resistência e uma reação háptica só para que não exista a tentação de forçar a dobragem errada.

Ao contrário do Huawei Mate XT, que dobra em formato de Z, utilizando parte do ecrã interno quando o smartphone está fechado, no caso do modelo tripartido da Samsung, os painéis menos espessos dobram para dentro sobre o painel central, mas não ficam utilizáveis neste modo.

Quando aberto na totalidade o Galaxy Z TriFold é um tablet surpreendentemente fino, fácil de manipular mas não para todos os tipos de tarefas. Escrever mensagens, por exemplo, é estranho, mas na visualização de vídeos e mesmo na leitura de páginas web e documentos longos o ecrã de 10 polegadas torna-se uma vantagem.

Na experiência não passou nenhuma sensação de fragilidade. Pelo contrário. A resistência na abertura e a forma como o sistema “encaminha” o utilizador para o formato de dobragem, não permitindo por exemplo que o ecrã esteja aberto em ângulos que não os 180 graus, dá alguma confiança em relação à durabilidade do equipamento. E o ecrã também não apresentava marcas demasiado evidentes das dobras, o que pode acontecer no futuro com uma utilização prolongada.

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Já a adaptação do software ainda tem alguns problemas. No modelo que experimentámos não fazia a passagem das aplicações abertas entre o ecrã interno e o externo, o que é estranho mas que aparentemente era apenas uma falta de atualização da unidade de demonstração.

A bateria é uma das possíveis limitações, com 5.600 mAh que podem não ser suficientes para alimentar o smartphone durante muitas horas. No que toca à fotografia, o Galaxy Z TriFold está equipado com uma configuração tripla de sensores, liderada por uma câmara de 200 MP. Juntam-se uma lente ultrawide de 12 MP e um sensor telefoto de 10 MP, e há ainda que contar com as duas câmaras frontais de 10 MP, uma no painel interior central e outra no ecrã exterior.

Ainda não há uma data confirmada para a chegada do novo smartphone à Europa e as indicações são para um lançamento inicial nos Estados Unidos, depois da comercialização na Coreia que começou em dezembro. O preço é outra incógnita, mas não deverá afastar-se muito dos valores aplicados no país de origem da Samung, onde custa 3.590.400 won, o equivalente a 2.106  euros.

Este ano o TEK Notícias volta a estar em Las Vegas para acompanhar os principais anúncios, e pode seguir tudo com o nosso Especial CES 2026.

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Nota de redação: O TEK Notícias viajou para a CES a convite da Consumer Technology Association (CTA).

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