O espaço ocupado pelos smartphones é cada vez maior, seja no tempo que lhes dedicamos, no número de funções que acumulam (tornando-se essenciais em muitas tarefas do dia a dia), mas também no tamanho, que é cada vez maior. Certamente ainda se lembra de quando começaram a surgir os smartphones de 5 a 6 polegadas, que foram chamados de phablets, e das apreciações que consideravam escandaloso o tamanho “gigantómico”. Agora as 5 polegadas são “normais” e as 6” ou mesmo 6,5” ou mais um tamanho “simpático”.

A Samsung foi uma das marcas pioneiras nesta gama de phablets, precisamente com o Galaxy Note, ao qual adicionou a caneta S Pen. O primeiro modelo foi lançado em 2011, na IFA, e tornou-se rapidamente um sucesso numa fórmula mais profissional na qual a Samsung continuou a apostar.

E nove versões depois (com algumas peripécias menos agradáveis pelo meio com o Note 7), o Note 9 continua a juntar no mesmo pacote o que de melhor a Samsung tem para oferecer: um ecrã Super AMOLED de 6,4 polegadas, ligeiramente curvo nas laterais e melhor ocupação do espaço frontal (mas sem recurso ao “notch”), um processador Exynos 9810 de 64 bits octa core, 6 ou 8 GB de RAM e 128 ou 512 GB de armazenamento. A S Pen foi otimizada e tem agora novas funções, mas mantém a capacidade de precisão necessária para quem quer tomar notas ou usar a caneta como apontador. O sistema de dupla câmara traseiro foi também melhorado, com mais capacidade de reconhecimento inteligente do objeto a fotografar, tirando partido do sensor de 12 MP, do estabilizador de imagem e da grande angular, assim como da teleobjetiva.

O que poderia a Samsung juntar mais a este equipamento? No papel as especificações parecem excelentes, e a verdade é que “na vida real” também se mostram à altura de competir com qualquer outro topo de gama de outras marcas, entre os muitos que temos testado aqui no SAPO TEK.

E nas últimas semanas “puxámos” bem pelo Galaxy Note 9, que começámos a “rodar” logo depois das férias em Agosto. O smartphone acompanhou a viagem de quase uma semana à IFA 2018 para conhecer todas as novidades da tecnologia, e os dias passados em Estrasburgo em reportagem sobre a Diretiva de Direito de Autor. E embora não sendo nunca o único equipamento de trabalho – acompanhado em parelha com outro smartphone e um computador – teve tantas razões para chegar ao fim de cada dia tão estafado como nós. Só que não. Na maioria dos casos a bateria do Note 9 aguentou-se valorosamente, embora nem tudo fossem boas notícias. Mas vamos por partes para detalhar a avaliação de cada uma das áreas mais relevantes do novo smartphone da Samsung.

A produtividade “turbinada”

Como o Note 9 tem este “ar” de smartphone profissional vamos começar pela produtividade, e aqui está intimamente associada à S Pen. Ao início é fácil esquecermo-nos da caneta “guardada” dentro do chassi do Note, mas depois de a começar a utilizar de forma mais intensiva acaba por ser uma boa ajuda. E a cor amarela primeiro estranha-se mas depois torna-se um elemento interessante e diferenciador.

Este é um componente em que a Samsung continua a apostar e que é diferenciador. Nenhum outro smartphone tem o mesmo tipo de funcionalidades associadas, seja para escrever notas ou para ativar outras funcionalidades, como a apresentação de slides ou a possibilidade de fazer pausa nos vídeos ou ativar a câmara fotográfica, usando o Bluetooth. Se pressionar longamente no botão da caneta lança a câmara, com um toque curto muda para selfie e se clicar duas vezes para modo de foto de grupo. Mas é preciso treino.

A possibilidade de tirar notas, ou escrever no ecrã, é naturalmente a mais relevante, mas no nosso caso acaba por não ser assim tão útil, sobretudo em conferências de imprensa ou durante entrevistas. O espaço é pequeno para uma escrita rápida, a área disponível para escrita não se estende até aos limites do ecrã e por isso acabam por caber poucas palavras no grande display do Note 9.

A possibilidade de escolher a área manuscrita e transformar em texto digital é interessante, mas na maioria das vezes o resultado era pouco credível  - e às vezes até anedótico. Pode ser uma boa ferramenta para desenhar, pelo menos para quem tiver essa capacidade, mas há ainda uma falha a resolver: cada vez que ativamos os pincéis abre uma área nova dentro das notas que não fica integrada com o resto dos apontamentos, o que não é prático.

Uma das funcionalidades interessantes é poder escrever sobre o ecrã apagado para uma nota rápida ou uma mensagem de um número de telefone, por exemplo. E fica automaticamente guardado nas notas.

Dentro da produtividade há também que referir o Android Oreo (8.1) e todo o software que a Samsung adicionou ao Note, incluindo as ferramentas da Microsoft, e o Knox, o sistema de segurança profissional que adiciona uma camada de proteção para as ferramentas e dados.

Em relação aos sistemas de autenticação continuamos a ter problemas com o reconhecimento de rosto. Umas vezes funciona mas a maioria das ocasiões não é feliz. Mesmo com a captura da imagem com óculos e sem óculos parece só ter efeito nos mesmos ambientes de luz e com fundos semelhantes. A impressão digital continua a ser o método mais prático.

Não chegámos a experimentar o sistema Dex, que transforma o Note 9 num computador com o cabo de ligação a um ecrã, mas ficámos curiosos de ver o que a Samsung adicionou a esta ferramenta desde o Galaxy S9.

Uma nota ainda para os assistentes inteligentes. No Note pode usar a Bixby ou a Google Assistant, mas apesar das melhorias que têm sido feitas ao sistema dedicado da Samsung ainda está longe de ser perfeito.

Ecrã (quase) infinito e design premium

O design do Note 9 não mudou muito em relação ao Note 8. Aliás, quase nada, mantendo o mesmo aspecto arredondado do ecrã infinito, a utilização de quase todo o espaço e uma moldura praticamente inexistente, mas sem cair na tentação de usar o notch que tem dividido opiniões mas criado uma legião de seguidores depois da Apple ter apresentado o iPhone X. A armação metálica, revestida a vidro, continua a dar o aspecto de qualidade e perfeição a que a Samsung já nos habituou e as novas cores são uma boa mudança em relação ao mundo monocromático de telefones de produtividade em que vivemos durante muitos anos.

O modelo que testámos foi o azul oceano, acompanhado da S Pen amarela que combina com a imagem saturada de cor que a Samsung escolheu para a publicidade e para os fundos pré instalados do smartphone, e que mudámos rapidamente para um fundo mais discreto.

Embora estejam mais resistentes, os revestimentos a vidro deixam sempre uma impressão de fragilidade que dão a tentação de garantir a proteção com uma capa. E isso é uma pena, como já notámos antes, já que estes acessórios podem evitar surpresas desagradáveis com riscos mas também tapam a beleza do telefone. Mas é verdade que há algumas vantagens adicionais em usar as capas, já que estas superfícies de smartphones são um verdadeiro íman para dedadas e pó. E tem ainda a desvantagem de se tornarem incómodas, em utilização prolongada e com aquecimento,  sendo desagradável segurar o telefone. Isto para além tornarem muito difícil conseguir uma boa fotografia do telefone sem reflexos, como se pode ver na galeria que incluímos no artigo.

Samsung Galaxy Note 9
créditos: SAPO TEK

Só que com o vidro traseiro a Samsung garante a possibilidade do carregamento sem fios, e passar no teste do IP68, com a resistência à água e pós.

A maior diferença do design em relação ao Note 8 é a colocação do sensor de impressão digital por baixo das câmaras, em vez de estar ao lado, o que evita um dos erros que tínhamos apontado ao modelo anterior, onde estávamos sempre a esbarrar com a câmara para fazer a autenticação. Agora a embirração é mais com o botão da Bixby, colocado abaixo dos botões de volume, que acaba por ser pressionado muitas vezes por engano, “acordando” a assistente da Samsung que não é ainda tão útil como gostaríamos.

Apesar de ser grande, o Note 9 é confortável de utilizar nas mãos, mas pode ter alguma dificuldade de encaixar em alguns bolsos, sobretudo de calças ou casacos.  E o ecrã é realmente ideal para quem quer ver vídeos, ou jogar, com a tecnologia OLED a brilhar na qualidade das imagens, sobretudo nas cenas mais escuras habituais em muitos filmes e jogos. Mas também é bom para navegar na internet e ler textos, apesar de não se igualar aos ecrãs e-ink para leituras prolongadas.

Desempenho e bateria

No geral foi aqui que acabámos por ter as piores surpresas do Note 9, talvez porque as expectativas estivessem demasiado elevadas. Logo nas primeiras utilizações mais intensivas do smartphone, com uso intenso do GPS, sentimos o aquecimento do telefone, e a utilização da ferramenta de benchmark do Antutu confirmou isso mesmo. Num raide de Pokémon Go a bateria ultrapassou os 38 graus centígrados e o CPU chegou aos 65,5 graus.

É verdade que é uma utilização intensa, num dia de calor, mas ainda assim é preocupante. Tentámos reproduzir as condições noutros dias e não voltámos a assistir a estas temperaturas, e comparando com outros telefones da concorrência verificámos que em condições semelhantes – de reprodução intensa de vídeos e uso de aplicações de GPS intensivo como o Pokémon Go - os níveis de aquecimento da bateria eram equivalentes. Mas a verdade é que o CPU do Note 9 acabou por mostrar-se sempre mais quente do que o Mate 10 Pro da Huawei, que usámos para comparação.

Tirando esta pequena/grande questão, o Note 9 mostrou um desempenho impecável, como já tínhamos referido. O carregamento rápido (com o carregador da Samsung) garante energia mesmo com pouco tempo de ligação à tomada elétrica e conseguimos cerca de 40% de carga com apenas 30 minutos, e o carregamento de 100% conseguia fazer durar a energia do smartphone para além de um dia de trabalho intenso, mas numa utilização normal. Quando usámos o dual screen, com vídeos do YouTube e jogos a bateria esgotou-se em algumas horas, mas esta não é de todo um uso normal, a menos que se prepare para uma viagem transatlântica (com insónias).

Já na capacidade de processamento pode contar com fluidez em todas as aplicações e tarefas a que se propuser com o Note 9. Não sentimos em nenhum momento qualquer tipo de paragem ou lentidão, mesmo com a sobrecarga a que sujeitámos o telefone.

Acabou por não haver muito tempo para explorar as capacidades de fotografia do Note 9, mas deu para perceber que também aqui a Samsung adicionou melhorias em relação à geração anterior e ao S9. Mesmo não sendo a fotografia o principal interesse dos utilizadores profissionais, é sempre bom ter à mão uma excelente câmara, com capacidade de edição avançada de fotografias e vídeos.

 Apreciação global

O Samsung Galaxy Note 9 é claramente um telefone para utilizadores exigentes, com um perfil mais profissional e para quem a capacidade de processamento e a bateria são elementos importantes, mas sem prescindir de um design de topo de gama e qualidade de acabamentos. Naturalmente não é para todos os bolsos, quer no tamanho quer no preço, e quem procura um smartphone mais de comunicação e entretenimento tem outras opções na gama da Samsung e de outros fabricantes.

Mesmo assim, olhando para a oferta de outras empresas, e especialmente para os lançamentos da Apple ontem, nem se pode dizer que o Note 9 é muito caro, ainda mais considerando que a versão mais artilhada tem a mesma quantidade de memória RAM e armazenamento que o computador onde estamos escrever este artigo.

O Note 9 está à venda desde 24 de agosto e o modelo de 128 GB de armazenamento interno custará 1.029,90 euros e a versão de 512 GB tem um preço de 1.279,90 euros.

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