Compreender como funciona o processo de reentrada pode ajudar a construir satélites mais seguros e sustentáveis. No entanto, como explica a ESA, este tipo de dados é muito difícil de obter.

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Devido à sua natureza violenta e à localização de difícil acesso, as reentradas são difíceis de observar de perto. Além disso, os locais de reentrada dos satélites são demasiado imprevisíveis para serem observados a partir do solo ou do ar.

Para tentar contornar estes desafios, a ESA ajustou a rota de dois satélites Cluster (chamados Samba e Tango) para que a sua reentrada possa ser observada por investigadores a bordo de um avião.

Citada em comunicado, Beatriz Jilete, engenheira da ESA, afirma que “deslocar dois satélites para coincidir com um avião pode parecer extremo, mas os dados únicos de reentrada que vamos recolher justificam a organização deste ‘encontro’ desafiante sobre uma zona remota do oceano”.

Note-se que não é a primeira vez que a agência tenta uma manobra semelhante. O primeiro dos satélites Cluster a reentrar (chamado Salsa) foi observado por cientistas num avião a 8 de setembro de 2024.

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A equipa voou durante horas para alcançar o limite da zona de exclusão aérea em torno do local da reentrada. Embora as previsões estivessem ligeiramente erradas, o momento foi captado por vários instrumentos a bordo.

No caso dos satélites Samba e Tango, a reentrada está prevista para os dias 31 de agosto e 1 de setembro de 2026, respetivamente. Várias equipas trabalharam em conjunto para mover os satélites, com os comandos de ajuste das trajetórias a serem enviados no final de janeiro.

O próximo objetivo dos especialistas da ESA passa por observar a reentrada de um satélite de uma nova perspetiva com a missão Draco (Destructive Reentry Assessment Container Object).

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A missão, prevista para 2027, vai usar mais de duzentos sensores, quatro câmaras e uma pequena cápsula indestrutível para ver o que acontece no interior de um satélite quando passa pelo processo de reentrada na atmosfera terrestre.

Segundo Stijn Lemmens, gestor de projeto da missão Draco, a reentrada será também acompanhada na Terra por cientistas a bordo de um avião. Com os dados que serão recolhidos, as equipas esperam melhorar os modelos de reentrada que ajudam “a prever onde os objetos espaciais vão cair e como afetam a atmosfera”, bem como construir satélites mais seguros, realça o responsável.

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