O Toyota C-HR original foi um êxito comercial inesperado, mesmo para quem o criou, tendo registado mais de um milhão de unidades vendidas na Europa ao longo de duas gerações. Como tal, a marca nipónica decidiu aproveitar o design e o bom nome do modelo original, e lançar algo diferente, ou seja, em vez de simplesmente eletrificar um modelo já existente, decidiu criar um novo. Com o C-HR+, a Toyota cria um modelo com o ADN do C-HR original, mas que foi construído de raiz para ser elétrico, com todas as consequências técnicas e práticas que isso implica. Fomos até ao Algarve, a convite da Toyota Portugal, para conhecer de perto este novo automóvel.
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Face ao C-HR original, a principal diferença entre os modelos começa logo pela base, com o modelo novo a recorrer à plataforma eTNGA, que foi desenvolvida especificamente para veículos 100% elétricos, o que permite colocar a bateria na parte inferior da estrutura, sem penalizar o habitáculo. O resultado é um centro de gravidade 65 mm mais baixo do que no C-HR convencional, uma rigidez torsional melhorada em 30% e, acima de tudo, um interior significativamente mais generoso. A distância entre eixos cresce 110 mm, o comprimento total 170 mm para um total de 4.530 mm, e a distância entre bancos dianteiros e traseiros ganha 35 mm, atingindo 900 mm.
Quem conhece o C-HR sabe que os lugares traseiros pecam pela sensação ligeiramente claustrofóbica, algo que mudou com a chegada do novo C-HR+. Mesmo ocupantes mais altos vão ficar agradavelmente surpreendidos com o espaço disponível no interior deste modelo que, ainda assim, mantém a sua assinatura visual com a linha de tejadilho em formato de coupé. Segundo a própria Toyota, o C-HR+ oferece um espaço interior ao nível de modelos como o bZ4X, que recordamos ser um SUV de segmento D. A bagageira acompanha essa evolução, ao oferecer 416 litros de capacidade, ficando a meio dos 388 litros oferecidos pelo C-HR híbrido (310 litros na variante PHEV), e os 452 litros do bZ4X. Esta capacidade adicional foi conseguida graças a um apoio traseiro 50 mm mais longo do que no C-HR, com um duplo piso que permite aumentar a altura útil em 74 mm quando necessário.
Externamente o C-HR+ mantém o design exterior do modelo base, como a linha do corpo em formato de coupé, as luzes traseiras com uma assinatura distinta e a dianteira com um design inspirado num tubarão cabeça de martelo (tal como no bZ4X). Este design aprofundado, em conjunto com outros detalhes aerodinâmicos, contribuem para o excelente coeficiente de arrasto de 0,26, algo que é descrito pela marca como o melhor da categoria. Para tal foi essencial a aplicação de pormenores como as persianas ativas na grelha frontal, as pegas das portas traseiras embutidas no pilar (numa homenagem ao C-HR original), as jantes de desenho aerodinâmico e um pequeno spoiler com formato “bico de pato” na traseira.
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Em Portugal, a oferta de cores inclui cinco opções disponíveis para as versões de entrada, com o Preto Atitude, Branco Platina, Cinza Cement, Castanho Oxide e Cinza Mineral, estando disponível versões com tejadilho em preto “Night Sky”, mas só para as últimas quatro cores já referidas. Esta personalização estará disponível somente para as versões topo de gama, designadas de Lounge. Voltando aos detalhes deste modelo, no interior a Toyota apostou numa apresentação moderna sem cair no maximalismo digital que alguns construtores adotaram. O painel de instrumentos digital de 7 polegadas está posicionado num local de fácil acesso em termos de visibilidade, como se tratasse de um HUD (Head-Up Display), bastante acima do volante, libertando a visão para a estrada. Ao centro predomina o ecrã multimédia de 14 polegadas tátil, que além de ser compatível com as plataformas Apple CarPlay e Android Auto sem fios, conta com inúmeros detalhes e melhorias aplicadas pela Toyota, como a aplicação de botões físicos para as principais tarefas.
A integração do sistema de navegação fornece rotas atualizadas e dados de trânsito em tempo real, ajudando os condutores a planear as suas viagens com confiança, incluindo onde recarregar a bateria, aproveitando o acesso à Toyota Charging Network. Esta solução é assente num conjunto de redes pan-europeias de carregamento, estando cada país associado a uma rede própria. Em Portugal, a parceria foi estabelecida com a rede Go.Charge, sendo todas as informações e processo de faturação simplificados e associados à aplicação MyToyota. Este sistema de infoentretenimento conta também com um agente de voz que pode ser ativado com o comando “Hey Toyota” ou “Olá Toyota”, permitindo o controlo por voz natural de funções de navegação, multimédia e climatização.
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Em termos de ambiente, destaque para o já referido espaço existente, espaço esse que é mais sentido nas versões com teto panorâmico de grandes dimensões. A “ilha digital”, consola central na dianteira, conta com os principais comandos de controlo do veículo, assim como acesso ao sistema de câmaras e dois carregadores de indução para smartphones. A iluminação ambiente personalizável com 64 cores conferem um ambiente ainda mais agradável, existindo ainda iluminação própria para o compartimento da porta, e para os puxadores das portas. Destaque para a tecnologia Safe Exit Assist (SEA), que altera a iluminação dos puxares das portas dianteiras para piscar a vermelho sempre que identificar que um veículo se aproxima da retaguarda, evitando abrir a porta numa situação de perigo.
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Os bancos são extremamente confortáveis, mas com pouco apoio lateral nas pernas, o que é previsível, visto não se tratar de um modelo desportivo. Estes são fabricados em couro sintético e alcântara fabricados com PET reciclado. Destaque ainda para a excelente insonorização do habitáculo, mesmo a circular em elevada velocidade, ao bom trabalho do sistema de som optimizado pela JBL, composto por 9 altifalantes e 800 W de potência, e para a disponibilização de duas portas USB-C para os bancos traseiros, capazes de lidar com até 60 W de potência, o suficiente para carregar um computador mais simples, como um UltraBook.
Desenvolvimento teve eficiência como prioridade
A apresentação, que contou com a presença de Masaya Uchiyama, Chief Engineer da Toyota e Keisuke Fukunaga, designer responsável por este modelo, permitiu conhecer a fundo o cuidado da Toyota no desenvolvimento deste modelo, e em particular no sistema motriz e na bateria. Disponível com três versões distintas em termos locomotivos, temos uma versão base com tração dianteira com somente 123 kW de potência (167 cv) e 268 Nm de binário, uma versão intermédia, também ela só de tração dianteira com 165 kW (224 cv) e o mesmo valor do binário, e a versão de topo, composta por dois motores, um aplicado por cada eixo, com uma potência total de 252 kW (343 cv). Esta versão tem a particularidade de ser o modelo de série da Toyota com melhor aceleração da marca no velho continente, excluindo as versões desportivas GR, ao garantir uma aceleração dos 0-100 km/h em apenas 5,2 segundos.
Para além da opção das motorizações, temos duas opções de baterias, uma de 57,7 kWh (54 kWh úteis) e uma de 77 kWh (72 kWh úteis). A bateria base será aplicada somente à primeira motorização de 123 kW, o que garante, ainda assim, uma ótima autonomia de 458 km. Já a bateria de 77 kWh poderá ser associada à motorização frontal de 165 kW, como à dupla motorização da versão AWD de 252 kW, conferindo até 607 km e 548 km, segundo a norma WLTP, respetivamente. Em termos de velocidades de carregamento, as versões com tração dianteira estão limitadas a um carregamento AC de 11 kW, e DC de 150 kW, estando as versões AWD preparadas para receber um carregamento AC de 22 kW, mantendo a limitação de 150 kW para carregamento rápido DC, o que ainda assim garante um carregamento de 10 a 80% em apenas 28 minutos.
Quanto questionados sobre esse valor, a Toyota optou deliberadamente por limitar a velocidade máxima de carregamento como parte de uma estratégia de preservação da bateria a longo prazo. A marca garante que a bateria, de tecnologia de Silício-Carbono, manterá pelo menos 70% da sua capacidade durante 10 anos ou um milhão de quilómetros (o que chegar primeiro), com verificação anual no âmbito do Battery Care Program. Mais do que isso, os responsáveis da Toyota partilharam em Bruxelas a sua convicção de que, na prática, a degradação ao fim de uma década deverá ser muito inferior à garantida, possivelmente na ordem dos 10% apenas, embora isso seja naturalmente algo que apenas o tempo confirmará.
Para tal é essencial tirar-se partido da tecnologia de pré-condicionamento térmico da bateria, que garante a manutenção dos carregamentos rápidos em DC mesmo a temperaturas tão baixas como -10°C, com tempos de 10% a 80% inferiores a 30 minutos. Toda a gestão da bateria demonstra o cuidado típico da Toyota, que contribuem também para uma eficiência extraordinária, mesmo para os condutores mais distraídos e menos cuidados. Um bom exemplo desse empenho dos engenheiros da marca nipónica está associado ao sistema de climatização do habitáculo, que recorre a uma inovadora bomba de calor projetada para baixo consumo de energia e alta eficiência. Mas é o modo ECO do ar condicionado que mais impressiona, ao concentrar o aquecimento no condutor quando os outros bancos estão desocupados, com o volume e a temperatura do ar controlados e os aquecedores dos bancos e do volante ativados, reduzindo o impacto na bateria.
Ao volante, desde o Algarve rural à costa
Na manhã reservada para os test-drives, foram notórias as semelhanças com o bZ4X, embora à escala, sendo o C-HR+ visualmente mais compacto, fruto do design coupé. Estas linhas revelam maior impacto quando aplicadas cores mais fortes, como o Castanho Óxido, uma das cores presentes nos modelos disponíveis para ensaio. Iniciei o teste com a versão que a Toyota Portugal acredita vá ter maior procura, a versão FWD (tração dianteira) associada à bateria de 77 kWh. Em estrada, o C-HR+ revelou ser um companheiro genuinamente agradável. A baixa altura do centro de gravidade traduz-se numa condução confiante e estável, sem os movimentos de carroçaria que alguns SUV elétricos mais altos evidenciam.
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A direção, apesar de elétrica, tem uma boa calibração, revelando leveza a baixas velocidades, ideal para rápidas manobras, e uma progressivamente mais comunicativa à medida que o ritmo aumenta. Os quatro níveis de regeneração, ativados pelas patilhas ao volante, oferecem uma adaptabilidade que vai do deslizamento quase sem resistência até uma desaceleração suave, mas percetível, sem nunca chegar a uma solução “one-pedal”, como algumas marcas rivais apregoam. Na realidade, esta nunca foi a intenção da marca, conforme disse Masaya Uchuyama, que destacou que o Toyota C-HR+ foi criado para pessoas que adoram automóveis, daí pretenderem manter o estilo de condução o mais próximo possível de um automóvel normal, e não algo demasiado mecanizado ou automatizado.
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Em termos de comportamento, a versão AWD revelou, efetivamente, maior compostura, com o auxílio do binário extra na motorização traseira a garantir um comportamento mais animado, contribuindo para uma condução mais envolvente e desportiva. Durante a entrega das chaves, foi-me pedido para ter particular atenção aos consumos, garantindo que me iria surpreender. Tal situação acabaria por ocorrer, após a verificação dos valores registados após os percursos efetuados. A Toyota anuncia 13,4 kWh/100 km para as versões de tração dianteira e 15,7 kWh/100 km para a AWD. Nos percursos propostos pela marca, a versão FWD registou uma média de 13,2 kWh/100 km e a versão AWD de 13,9 kWh/100 km. Estes valores, caso se confirmem numa utilização prolongada e em diferentes condições climatéricas, colocam o C-HR+ numa categoria de eficiência que poucos rivais podem reivindicar.
Versões e preços para Portugal
Portugal foi, desta vez, agraciado com a alocação do novo O C-HR+ para a primeira leva da marca, ou seja, estamos entre os primeiros países que irão receber este novo modelo da Toyota. Como tal, será de esperar o início das primeiras unidades já durante o último fim de semana do presente mês de março. Disponível em três versões distintas (Exclusive, Premium e Lounge), o novo C-HR+ virá equipado com faróis totalmente em LED, aquecimento dos bancos e do volante, dois carregadores sem fios, ecrã multimédia central de 14 polegadas e entrada inteligente de série para todas as versões. A versão base (Exclusive) disponibiliza também jantes de 18 polegadas, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros e espelhos retrovisores retráteis com luz de ângulo morto, entre outros equipamentos.
A versão Premium adiciona a mala da bagageira totalmente elétrica e vidros escurecidos. Na versão Lounge de topo, a Toyota acrescenta as jantes de 20 polegadas, teto panorâmico, sistema de som JBL, banco em camurça e pele sem origem animal, sendo o do condutor elétrico, interior em cinzento, câmara 360º, chave digital, sistema de saída em segurança, assistência de condução inteligente e assistente de estacionamento inteligente. Relativamente às motorizações, cada versão tem uma combinação específica. A versão Exclusive está associada com a bateria de 57,7 kWh, motorização FWD de 167 cv, a partir de 40.900 euros, ou 33.252 euros sem IVA. A versão Premium, associada à bateria de 77 kWh e motorização de 224 cv, custa 45.300 euros, ou 36.830 euros sem IVA. Já a versão de topo Lounge, que está disponível somente com a bateria de 77 kWh e motorização de 343 cv, custa 53.500 euros ou 43.496 euros sem IVA.
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