Desde que a Microsoft apresentou os PC Copilot+ em meados de 2024, o mercado de portáteis tem vivido uma transformação acelerada. Equipados com NPUs (Neural Processing Units) dedicadas capazes de processar mais de 40 TOPS (triliões de operações por segundo), estes dispositivos prometem uma nova era de computação inteligente, onde a inteligência artificial (IA) deixa de depender exclusivamente da nuvem para funcionar localmente, garantindo assim maior velocidade e privacidade.

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Mas afinal, o que torna um portátil "com IA" diferente dos modelos convencionais? A resposta está na combinação de três elementos, como os processadores com NPUs dedicados, sistemas operativos otimizados para tirar partido dessa capacidade, e funcionalidades específicas que utilizam modelos de IA para a realização de tarefas do dia a dia. Estamos a falar em profissionais que lidam com grandes volumes de dados, criativos que necessitam de assistência visual ou estudantes que procuram uma gestão de ficheiros mais inteligente.

Por desempenharem processamento neural local, existem vantagens óbvias face ao processamento na nuvem. Ao processar localmente, deixa de precisar de uma ligação à internet, evita o envio de dados pessoais para servidores externos, e terá acesso a uma resposta instantânea, que deixa de depender da velocidade da ligação, assim como da capacidade de processamento alocada à sua conta de utilizador.

Segundo dados recentes da Microsoft, dispositivos Windows 11 com NPUs de alto desempenho são até cinco vezes mais rápidos do que portáteis com cinco anos, conseguindo inclusivamente superar o desempenho de rivais de peso como o MacBook Air com chip M4 em tarefas específicas de produtividade.

Para quem fazem sentido estes portáteis?

Nem todos os utilizadores beneficiam igualmente desta tecnologia. Os portáteis com IA destacam-se em cenários específicos, como os criadores de conteúdo que trabalham com edição de foto e vídeo, que encontram nas NPUs aceleração significativa em tarefas como remoção de fundos, upscaling de imagens ou aplicação de filtros complexos.

Profissionais que passam o dia em videochamadas beneficiam da redução de ruído, focagem automática e melhorias de imagem em tempo real. Estudantes e investigadores tiram partido da transcrição automática de aulas e reuniões, bem como de ferramentas de resumo e organização de notas. Por outro lado, para utilizadores que se limitam a navegar na web, trabalhar com documentos de texto simples ou utilizar folhas de cálculo básicas, a diferença no dia a dia será insignificante. Para estes, as funcionalidades de IA podem parecer gadgets interessantes, mas dificilmente justificarão o investimento adicional face a um portátil convencional de gama média.

O que procurar ao escolher um portátil com IA?

Se decidiu que um portátil com IA faz sentido para as suas necessidades, há vários aspetos essenciais a considerar. A capacidade da NPU é medida em TOPS, sendo que o mínimo recomendável atual são 40 TOPS para garantir compatibilidade com as funcionalidades Copilot+ da Microsoft. Contudo, já existem modelos com 50 ou até 55 TOPS que oferecem margem adicional para futuras atualizações e modelos de IA mais exigentes.

Em termos de autonomia, a elevada eficiência das NPUs permite que as mesmas consumam significativamente menos energia do que GPUs ou CPUs ao executar tarefas de IA. Isto significa que conseguirá encontrar portáteis que já conseguem frequentemente oferecer 15 a 20 horas de autonomia real. Este é um benefício tangível mesmo para quem não usa constantemente funcionalidades de IA.

O armazenamento não deve ser descurado. Modelos de IA locais ocupam espaço considerável, pelo que configurações com menos de 512GB podem revelar-se limitativas a médio prazo. A RAM é outro elemento fundamental, sendo 16 GB o mínimo recomendável, e 32GB o valor ideal para quem trabalha com edição profissional e em modo de multitarefas.

Por fim, vale a pena verificar quais funcionalidades de IA estão efetivamente disponíveis em Portugal. Algumas ferramentas Copilot+ ainda não estão totalmente implementadas em todas as regiões ou idiomas, pelo que convém confirmar a disponibilidade dos recursos que considera essenciais antes de concretizar a compra. Reunimos cinco portáteis com IA que representam algumas das melhores opções atualmente disponíveis no mercado português, cobrindo diferentes necessidades, orçamentos e casos de uso:

Clique nas imagens para ver em detalhe os modelos recomendados

O Surface Pro da Microsoft é o que se pode considerar como a referência em dispositivos IA, pois pode funcionar como um poderoso tablet ou um versátil portátil com capacidades de IA e características que o tornam extremamente atraente.

Embora existam diversas combinações de componentes, escolhemos a versão de 13 polegadas com ecrã táctil OLED como a ideal, pois vem também equipado com o processador mais poderoso, um Snapdragon X Elite de 12 núcleos com NPU integrada capaz de gerar 45 TOPs. Esta configuração conta ainda com a capacidade máxima de memória e de armazenamento, ou seja, 16 GB de RAM e um SSD PCIe 4.0 de 1 TB. A bateria utilizada garante até 14 horas de reprodução de vídeo local.

O Zenbook Duo da Asus está disponível no mercado nacional, e demonstra ser o companheiro ideal para utilizadores profissionais que procurem um dispositivo versátil, potente e com funcionalidades de última geração.

Ao recorrer a dois ecrãs tácteis OLED de 14 polegadas, terá acesso não só a uma tremenda área de trabalho útil, como à possibilidade de adaptar o formato do equipamento ao local e à tarefa desejada. Vem equipado com um CPU Intel Core Ultra 9 285H de última geração com um NPU integrado capaz de 50 TOPs, 32 GB de memória RAM DDR5 e um SSD de 2 TB de armazenamento. A bateria de 75 Wh garante 10 horas de utilização contínua.

  • Acer Aspire 14 AI – 1.099 euros – PC Diga

Com este Aspire 14 AI, a Acer prova como não é preciso vender um rim para poder entrar no mundo da IA. Recorrendo a um chassis relativamente compacto, com ecrã OLED FHD de 14 polegadas, menos de 1,4 kg e um preço surpreendentemente acessível, este portátil vem equipado com um Intel Core Ultra 7 258V de segunda geração, que incluí um NPU dedicado capaz de 47 TOPs de poder de processamento.

Este modelo, conta ainda com 32 GB de memória RAM (não expansível) e um SSD PCIe 4.0 de 1 TB de capacidade. A bateria de 65 Wh garante, segundo a marca, até 22 horas de autonomia.

  • HP OmniBook Ultra Flip – 1.699 euros - Darty

O OmniBook Ultra Flip é um versátil computador 2-em-1, que permite ser utilizado enquanto computador portátil tradicional, ou como tablet, graças à dobradiça utilizada. O ecrã táctil OLED de 14 polegadas é um dos elementos de destaque, graças à sua elevada resolução (3K), o que garante uma excelente qualidade de imagem auxiliada pela elevada taxa de atualização de ecrã de 120 Hz.

Internamente conta com um processador Intel Core Ultra 9 288V que incluí uma NPU capaz de garantir até 48 TOPs de capacidade de processamento, estando este acompanhado por 32 GB de memória RAM e um SSD PCIe 4.0 de 1 TB. A bateria de 64 Wh garante até 16 horas de autonomia

  • Lenovo Yoga Slim 7A Gen 11 – 1.409 euros – Loja Lenovo

Recorrendo à nova geração de processadores AMD Ryzen AI 400, o Yoga Slim 7A Gen11 é um excelente exemplo de como um portátil com capacidades de IA de última geração pode ser fino, leve e relativamente acessível. Externamente destaca-se por usar um excelente ecrã táctil OLED de resolução 2,8K com 120 Hz com um elevado brilho (1.100 nits).

Mas é no interior que está a grande novidade, um processador AMD com CPU de arquitectura Zen5 com oito núcleos (16 threads) que pode funcionar até 4,6 GHz, GPU Radeon 840M de quatro núcleos a 2,9 GHz e NPU capaz de debitar 50 TOPs. O resto da configuração recorre a 32 GB de memória RAM e um SSD PCIe 4.0 de 1 TB.

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