A notícia é avançada pela Reuters que cita fontes próximas do processo para adiantar que desta vez serão apenas duas semanas de extensão do prazo, mas que podem estar a ser negociados prolongamentos mais alargados. A Huawei foi colocada em maio na lista negra dos Estados Unidos, impedindo qualquer venda de produtos e serviços de empresas norte americanas à chinesa, mas dois prolongamentos sucessivos do prazo por 90 dias empurravam a data para 19 de novembro, sem existir porém uma resolução à vista.

A confirmação é esperada para hoje, apenas um dia antes do final do prazo de extensão, e desta vez é muito mais curta, podendo apenas servir para a Huawei conseguir completar alguns negócios pendentes antes de ser completamente barrado o acesso a tecnologia norte americana. O secretário de Estado do Comércio terá admitido à Fox Business Network que alguns operadores em zonas rurais nos Estados Unidos precisavam destas licenças temporárias porque estão dependentes da Huawei nas suas redes 3G e 4G.

"Já existem problemas suficientes com serviços de telefone nas comunidades rurais - não queremos deitá-las abaixo. Por isso, um dos principais propósitos das licenças temporárias é permitir que estes continuem a operar", afirmou Wilbur Ross.

O bloqueio comercial à tecnológica chinesa tem sido alvo de vários sinais contraditórios. Depois de ter sido considerada suspeita de espionagem através da instalação de backdoors nos seus produtos, algo que nunca foi provado, a Huawei foi colocada na lista negra dos EUA em maio, e desde então está impedida de fazer negócios com as empresas norte americanas, o que tem resultado em impactos significativos na sua atividade, sobretudo em relação ao lançamento de novos smartphones, que dependem do sistema operativo Android. Em setembro a Huawei anunciou o novo Mate 30, com uma versão básica do Android mas sem acesso aos serviços Google Mobile Services, mas o smartphone ainda não está a ser comercializado na Europa.

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Várias tecnológicas norte americanas terão pedido à Administração Trump para levantar o bloqueio comercial para continuarem a vender produtos e serviços à Huawei, mas sem sucesso. O presidente dos Estados Unidos chegou a admitir que seriam permitidas licenças específicas mas estas autorizações ficaram congeladas no Departamento de Comércio norte americano.

A Huawei tem vindo a trabalhar num plano B para colmatar a possibilidade do bloqueio se tornar efetivo, mas sempre de forma diplomática e admitindo que na área dos sistemas operativos o Android da Google será sempre a primeira opção. A empresa desenvolveu o sistema operativo HarmonyOS mas o ecossistemas de aplicações é a principal preocupação, apesar do forte investimento que a companhia está a colocar no apoio a programadores para desenvolverem as suas apps para esta plataforma.

De resto, e em termos de impacto comercial, a Huawei tem mostrado um crescimento sólido de receitas, com uma subida de 24,4% nos primeiros nove meses do ano. Ainda na semana passada a empresa comunicou que vai duplicar o salário dos seus colaboradores e oferecer um prémio a quem ajudar a desenvolver tecnologia alternativa a componentes norte americanos.

Nos smartphones a empresa continua a crescer e a aproximar-se da Samsung, mas sofreu perdas fortes nas Europa, sendo que Portugal foi também afetado pela falta de confiança dos consumidores. "O bloqueio que os Estados Unidos colocaram à Huawei está a começar a expôr a gravidade da situação em que a empresa se encontra no segmento de smartphones", explicou Francisco Jerónimo, vice presidente de equipamentos da IDC EMEA. Mesmo assim, o analista diz que "a queda foi menor que o previsto, uma vez que, durante o verão houve um esforço grande por parte dos retalhistas e operadores em escoar as unidades em stock".

O adiamento de mais duas semanas pode acabar por não ter efeitos positivos. Segundo o Wall Street Journal, a Federal Communications Commission (FCC) estará mesmo a preparar-se para votar uma proposta que coloque a Huawei e a ZTE como ameaças à segurança nacional, impedindo a venda de infraestruturas de comunicações nos Estados Unidos e obrigando mesmo à substituição de todo o equipamento das duas empresas que está a ser usado por operadoras norte americanas.

Nota da Redação: A notícia foi atualizada com mais informação.

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